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Poucas pessoas sabem que Fred Perry foi primeiro um campeão de ténis e só depois deu o seu nome a uma das marcas britânicas mais reconhecidas do mundo.
Nascido em Londres, em 1909, Fred Perry começou a destacar-se no ténis de mesa. Aos 19 anos, tornou-se campeão mundial da modalidade, antes de trocar a pequena mesa pelo court de ténis.
A mudança acabaria por transformar a sua vida: Perry tornou-se um dos maiores tenistas britânicos da sua geração e venceu Wimbledon três vezes consecutivas, em 1934, 1935 e 1936. Foi também o primeiro jogador a conquistar os quatro grandes torneios de singulares ao longo da carreira — o chamado Career Grand Slam.
Mas há uma parte da sua história que é menos conhecida: a marca Fred Perry só nasceu muitos anos depois dos seus grandes triunfos no ténis.
No final da década de 1940, Perry começou a trabalhar com Tibby Wegner, um jogador de futebol e empresário, para desenvolver equipamento para tenistas. O primeiro produto não foi o famoso polo, mas uma braçadeira de suor, criada para ser leve e prática e que rapidamente começou a ser usada por jogadores de ténis. Foi a partir desse primeiro produto que nasceu o negócio que viria a tornar-se a Fred Perry.
Em 1952, surgiu então aquela que se tornaria a peça mais emblemática da marca: o polo Fred Perry M3. O próprio Fred Perry ajudou a concebê-lo e usou-o, procurando combinar a funcionalidade necessária dentro do court com um corte que também pudesse ser usado fora dele. O polo era fabricado em Leicester e levava no peito a famosa coroa de louros, símbolo que se tornaria inseparável da marca.
Pouco depois surgiu outro modelo que viria a marcar a identidade da Fred Perry: o M12, reconhecível pelas duas linhas de cor no colarinho e nos punhos. A própria marca conta que o modelo terá surgido na sequência de um pedido de um comprador da loja Lillywhites por polos com combinações de cores associadas a equipas de futebol. O M12 acabaria por ajudar a levar a Fred Perry para muito além do ténis, tornando-se uma peça associada à cultura jovem e às subculturas britânicas a partir dos anos 1950.
E essa transformação é talvez uma das partes mais interessantes da história. Uma marca que começou ligada ao equipamento de um campeão de ténis passou a ser usada por diferentes gerações, músicos e movimentos culturais britânicos. O polo deixou de ser apenas roupa desportiva e tornou-se uma peça reconhecível mesmo para quem nunca entrou num court de ténis.
Mas a ligação entre Fred Perry, a marca e Wimbledon não terminou com a sua carreira.
Em 1984, cinquenta anos depois da sua primeira vitória em Wimbledon, o torneio inaugurou uma estátua de bronze de Fred Perry, criada pelo escultor David Wynne. A estátua representa o campeão numa posição típica de jogo e encontra-se atualmente nos terrenos de Wimbledon, junto ao Centre Court.
E há um pormenor particularmente curioso: a estátua está a usar um polo Fred Perry. Wimbledon descreve-o como o polo que ostenta a marca Fred Perry, já mundialmente conhecida nessa altura.
Ou seja, no mesmo local onde Fred Perry fez história como tenista, existe hoje uma estátua do campeão a vestir a marca que nasceu com o seu nome.
É uma história que começou com um jogador de ténis de mesa, passou por três títulos consecutivos em Wimbledon, deu origem a uma braçadeira de suor e acabou num dos polos mais reconhecidos da moda britânica.
Fred Perry não é apenas o nome de uma marca. É o nome de um campeão que conseguiu transformar a sua história dentro do court numa marca que continuou a viver muito depois de terminada a sua carreira.
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