Portugal tem base sólida para modernizar pagamentos sociais, mas falhas de coordenação continuam a atrasar apoios

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Portugal tem base sólida para modernizar pagamentos sociais, mas falhas de coordenação continuam a atrasar apoios
14 de Setembro de 2026
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A análise identifica também oportunidades para reforçar a utilização de soluções já existentes, como os pagamentos imediatos, melhorar a inclusão financeira dos cidadãos mais vulneráveis e monitorizar de forma mais sistemática a experiência dos beneficiários.


Um novo estudo da Nova SBE e da Fast Forward Foundation analisou, pela primeira vez, os cerca de 86 mil milhões de euros movimentados anualmente em Portugal em pensões, apoios sociais e saúde, concluindo que o país dispõe de uma infraestrutura financeira robusta e serviços digitais desenvolvidos, mas enfrenta atrasos significativos nas etapas de coordenação entre instituições.


A avaliação foi apresentada a 10 de setembro, na conferência The Future of Money, Payments and Welfare Delivery – Global Trends and the Portugal Experience, realizada na Embaixada de Itália, em Lisboa. O trabalho marca a primeira aplicação prática da metodologia Welfare Sector Payments Assessment, criada para avaliar acessibilidade, integração e eficiência dos sistemas de pagamentos sociais na Europa, tendo Portugal sido escolhido como país‑piloto.


Os autores destacam que, sempre que um pagamento é autorizado, este é processado de forma rápida e segura. Os principais desafios surgem antes dessa fase: na troca de informação, na validação de processos e na articulação entre entidades públicas e privadas — momentos onde podem ocorrer atrasos que afetam o acesso dos cidadãos às prestações.


O estudo propõe seis caminhos para melhorar os pagamentos do setor social: criar um espaço de coordenação dedicado; medir o desempenho de ponta a ponta; definir responsáveis pela troca de dados; aproveitar melhor os pagamentos imediatos; reforçar canais de proximidade para quem tem menos acesso digital; e acompanhar de forma contínua a satisfação dos beneficiários.


“Portugal construiu, nas últimas décadas, um Estado social com acesso alargado e uma infraestrutura de pagamentos que funciona. O desafio agora já não é tecnológico, é de coordenação entre as instituições que participam em cada pagamento”, afirma Ricardo Zózimo, da Nova SBE, citado em comunicado.


Para Lívia Piermattei, Presidente da Fast Forward Foundation, “os pagamentos do setor social são uma componente crítica, mas muitas vezes negligenciada, dos sistemas modernos de bem‑estar social”. A responsável sublinha que a metodologia WSP pretende ajudar instituições a identificar “oportunidades práticas para tornar a prestação de apoio social mais eficiente, inclusiva e centrada no cidadão”.


De notar que a conferência reuniu especialistas internacionais, decisores públicos, representantes do setor financeiro e académicos, incluindo intervenções de Daniela Russo (Banco Central Europeu), Céu Pereira (Comissão Europeia), Maria Chiara Malaguti (UNIDROIT) e Gerard Hartsink (International Chamber of Commerce).


O encontro integrou a primeira apresentação pública dos resultados do estudo, seguida de um debate sobre os desafios e oportunidades para reforçar a eficiência dos pagamentos do bem‑estar social em Portugal.

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