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A campanha multimeios, criada pela GRINGO, coloca em contraste a perceção de homens e mulheres perante situações do quotidiano e procura mostrar como determinados comportamentos são frequentemente encarados como normais.
A ONGD Akto – Direitos Humanos e Democracia lançou uma nova campanha multimeios que aborda a normalização do assédio sexual e a forma como determinados comportamentos podem ser percecionados de forma diferente por homens e mulheres. A iniciativa tem criatividade da agência GRINGO – Uncomfortable Creativity.
Sob o conceito “Onde tu vês normalidade, ela vê assédio”, a campanha procura evidenciar o contraste entre as experiências quotidianas de homens e mulheres, recorrendo a situações em que comportamentos aparentemente banais podem estar associados, para as mulheres, a sentimentos de medo ou estado de alerta.
As peças apresentam diferentes situações através de duas perspetivas. “Para ti é só uma rua escura, para ela é medo de não chegar a casa”, “Para ti são chaves de casa, para ela é uma proteção”, “Para ti é só uma bebida, para ela pode ser o fim da noite” e “Para ti é só uma espera, para ela é estado de alerta” são algumas das mensagens utilizadas pela campanha.
A solução criativa, segundo a GRINGO, procura afastar-se de uma abordagem centrada na vitimização e chamar a atenção para os padrões sociais que contribuem para a normalização de determinados comportamentos. A identidade visual recorre a tons de vermelho e negro e divide as peças entre as duas perspetivas.
“Este projeto desafiou-nos a intervir num problema que é, maioritariamente, uma questão de perspetiva. A nossa abordagem criativa não passa por fragilizar a vítima, mas sim por colocar um espelho à frente de quem normaliza estas ações, demonstrando que o dia-a-dia das mulheres não é ‘normal’”, afirma Pedro Santana, Partner e Account Director da GRINGO, citado em comunicado.
A campanha arrancou no início de setembro e está presente em diferentes meios a nível nacional, através de espaços publicitários cedidos por parceiros. A iniciativa inclui mupis digitais em superfícies comerciais, cartazes nos comboios regionais da região Centro, a rede indoor do Metro do Porto e uma página de imprensa no jornal Público.
A campanha teve também presença no circuito universitário, nomeadamente na Festa das Latas, em Coimbra, com visibilidade nos jardins da Associação Académica de Coimbra e nos ecrãs do recinto. No digital, a comunicação é desenvolvida através das redes sociais da Akto e contou com partilhas de influenciadoras ligadas à área dos Direitos Humanos.
Para Sofia Figueiredo, Diretora-Geral da Akto, “o primeiro passo para travar o assédio é torná-lo visível aos olhos de quem, por privilégio ou hábito social, não o reconhece”. A responsável acrescenta que a campanha pretende levar a sociedade a confrontar diferentes perspetivas e a questionar a normalização de comportamentos que a organização considera fazerem parte de uma forma de violência sistémica.
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