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Era técnico de prótese dentária quando a vida lhe apresentou um novo caminho. Começou a jogar padel por paixão, passou a reparar as próprias raquetes e acabou a aplicar o conhecimento profissional na criação de uma marca portuguesa hoje presente em 52 países. A história da Cork Padel começou assim.
Desde os 15 anos que Nicolau Silva trabalhava na área das próteses dentárias. Anos mais tarde, começou a jogar padel. O desporto rapidamente passou de passatempo a paixão: treinava, tinha aulas e competia aos fins de semana. Mas a experiência enquanto jogador trouxe também um problema: as raquetes partiam-se com frequência. Foi aí que a profissão e a paixão começaram a cruzar-se.
Primeiro, Nicolau começou a reparar as próprias raquetes. Depois, as dos amigos e dos vizinhos. O conhecimento que tinha dos materiais permitiu-lhe ir mais longe e começar a experimentar soluções próprias. “Na altura, eu trabalhava num laboratório. E depois, com alguns problemas técnicos que fui tendo, fui adaptando alguns materiais, algumas tecnologias, de acordo com a minha experiência”, conta ao Imagens de Marca.
A ideia seguinte foi construir uma raquete sua e sempre com a experiência de 20 anos em próteses dentárias como inspiração. Só que foi aqui que o destino trocou as voltas a Nicolau.
O que começou como algo pessoal acabou por se transformar num projeto empresarial. E seria uma viagem que iria introduzir um novo elemento na equação: a cortiça.
No aeroporto de Lisboa, Nicolau encontrou vários produtos portugueses feitos com este material e percebeu que poderia ter ali uma solução para alguns dos problemas que procurava resolver. “E ali fez-me um flash. O que é que é a cortiça? É giro, é português.” A leveza, a elasticidade e a capacidade de redução das vibrações fizeram da cortiça uma matéria-prima particularmente interessante para o desenvolvimento da raquete. Uma pesquisa intensiva sobre o tema “cortiça” começou e as respostas foram surgindo.
Aí, a experiência profissional voltou a ter um papel determinante. A construção de uma raquete de padel obrigava a dominar diferentes materiais, pesos, resistências e estruturas, num processo que Nicolau foi estudando e desenvolvendo aos poucos.
E se esteve duas décadas ligadas ao setor das próteses, eis que, num “piscar de olhos”, viu-se a sair de um laboratório e a entrar num mundo que, afinal, era mais do que uma paixão... era o negócio da vida de Nicolau.
legenda: vídeo institucional da Cork Padel dirigido por Ricardo Carvalho
Da experiência pessoal à Cork Padel
A primeira marca criada por este projeto foi a Stork. Mais tarde, viria a nascer a Cork Padel, mas um elemento da primeira identidade permaneceu: a cegonha preta.

O símbolo ganhou, entretanto, uma ligação direta à cortiça e ao território português. A cegonha-preta é uma espécie protegida que vive em habitats de sobreiros em Portugal. “Inicialmente o nome da nossa marca era Stork, cegonha. E depois por várias questões decidiu que iria ser Cork Padel, mas o símbolo mantém-se”, revela o “pai da Cork Padel”, como os outros três sócios - Pedro Plantier, Francisco Passos Leite e Fernando Antas da Cunha - o descrevem.
De salientar que as raquetes de padel da Cork -, podem ser personalizadas, o que acaba por ser uma evolução e adaptação a públicos mais diversificados.

Fundada em outubro de 2017, a Cork Padel cresceu a partir daquele pequeno negócio iniciado por Nicolau e pelos restantes sócios. Hoje, a marca está presente em 52 países e produz mais de 1.500 raquetes por mês. Tem uma flagship store, perto da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e uma loja na fábrica, em Fátima – local onde até ao final do ano terá a abertura de um novo espaço, mais amplo e chamativo. A Cork Padel é, também, a patrocinadora oficial da Federação Portuguesa de Padel.
O posicionamento da marca assenta precisamente naquilo que esteve na origem do projeto: inovação, materiais diferenciados e produção manual em Portugal. Uma raquete pode chegar a ter 46 componentes diferentes e requer entre seis e sete horas de mão de obra.
A produção artesanal condiciona também a estratégia de crescimento. A empresa quer chegar às 50 mil raquetes vendidas por ano em 2030, mas sem transformar a marca num produto de produção massificada. “Nós não podemos vender em massa porque temos uma produção limitada, a crescer, mas tem que ser controlada”, refere.
Para Nicolau Silva, a evolução da Cork tem sido sobretudo um processo de aprendizagem contínua, alimentado pela experiência profissional, “pelo desenvolvimento dos materiais e pelo contacto com quem joga.”
A mudança de vida começou, afinal, muito antes de existir uma marca. Começou quando um profissional habituado a trabalhar com materiais de próteses dentárias decidiu aplicar esse conhecimento a uma paixão.
Do laboratório para o campo de padel, Nicolau Silva acabou por transformar uma necessidade pessoal numa marca portuguesa com ambição internacional.
Pode rever a reportagem da Cork Padel neste link.
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