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O setor registou 3.343 incidentes entre janeiro e junho, num período marcado por ataques mais persistentes, furtivos e estratégicos, segundo o Cyber Threat Intelligence Report da NTT DATA.
A Administração Pública e Governo foi o setor mais afetado por ciberincidentes durante o primeiro semestre de 2026, com 3.343 ocorrências, segundo a segunda edição de 2026 do Cyber Threat Intelligence Report da NTT DATA. O relatório identifica, ao mesmo tempo, uma mudança no perfil das ameaças, com os atacantes a privilegiarem operações mais discretas e prolongadas.
A evolução traduz-se numa passagem de ataques centrados na disrupção imediata para operações destinadas a permanecer mais tempo dentro dos ambientes comprometidos e a gerar impacto económico, estratégico e reputacional. Esta transformação ocorre num contexto em que o ciberespaço assume também um papel crescente na convergência entre conflitos políticos, económicos e de segurança.
A Administração Pública surge no topo da lista dos setores analisados, seguida pela Educação, com 1.140 incidentes, pelos Serviços Financeiros, com 957, pelas Tecnologias de Informação, com 802, e pelas Telecomunicações, com 614. A distribuição dos incidentes acompanha, segundo a NTT DATA, um cenário em que infraestruturas digitais, cadeias de abastecimento e setores críticos estão cada vez mais expostos a riscos associados à evolução das ameaças.
A esta realidade junta-se uma maior influência da geopolítica no cibercrime. O relatório aponta para o impacto das tensões internacionais, da fragmentação tecnológica e da alteração das alianças sobre o ambiente digital, fatores que podem dificultar a atribuição de responsabilidade pelos ataques e tornar mais complexa a cooperação entre países.
A Inteligência Artificial é outro dos elementos que está a alterar este cenário. De acordo com a NTT DATA, a tecnologia está a ser incorporada em operações de ciberespionagem, campanhas de desinformação e automação ofensiva, permitindo acelerar os ciclos de ataque e aumentar o alcance das operações. A empresa considera que esta evolução beneficia tanto agentes associados a Estados como organizações de cibercrime mais sofisticadas.
A profissionalização do cibercrime é acompanhada por uma fragmentação do próprio ecossistema criminoso. O encerramento de grandes fóruns clandestinos e plataformas centralizadas não terá eliminado a atividade ilícita, mas contribuído para a sua dispersão por mercados especializados, corretores de acesso inicial e canais de comunicação mais privados. Para a NTT DATA, esta mudança dificulta a monitorização das ameaças e a recolha antecipada de informação.
É também neste contexto que os modelos de ransomware e extorsão de dados apresentam um maior grau de maturidade operacional. As campanhas combinam automação, roubo direcionado de informação sensível, pressão pública e exploração do impacto reputacional, enquanto algumas operações recorrem a serviços legítimos de cloud e SaaS para garantir persistência e movimentação dentro das organizações com menor probabilidade de deteção.
A dimensão do fenómeno traduz-se ainda no impacto económico estimado pela NTT DATA para o cibercrime, que ascende atualmente a cerca de 9,3 biliões de euros por ano. Apesar do reforço dos enquadramentos legais e regulamentares e da melhoria das capacidades de defesa das organizações e das autoridades, o relatório considera que os agentes maliciosos continuam a adaptar-se a um ritmo superior.
É neste desfasamento entre a evolução das ameaças e a capacidade de resposta que a empresa identifica um dos principais desafios para as organizações. Segundo María Pilar Torres Bruna, Head of Cybersecurity da NTT DATA Iberia, International Organisations, LATAM, and Consulting in Benelux and France, citada em comunicado, “estamos perante uma mudança de paradigma: os ciberataques já não visam apenas causar disrupção; são cada vez mais concebidos para influenciar decisões de longo prazo, processos de negócio e a orientação estratégica das organizações”.
A responsável defende, por isso, uma abordagem centrada não apenas no cumprimento regulamentar, mas também na “deteção contextual, na resiliência e na antecipação estratégica de ameaças persistentes e altamente adaptáveis”. Para a NTT DATA, antecipar riscos e compreender o contexto em que estes surgem são elementos centrais para reforçar a capacidade das organizações de responder às novas formas de ciberameaça.
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