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A opinião de Nuno Crispim
Um Censos por vacina, não sabe o bem que lhe fazia
28 de Dezembro de 2021
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Um Censos por vacina, não sabe o bem que lhe fazia
Nuno Crispim
Diretor de Marketing Vitacress

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Numa altura em que partilhamos toda a informação pessoal e confidencial com os nossos telemóveis e com as empresas que deles se aproveitam, qual é o lugar para o INE (Instituto Nacional de Estatística) e para os tradicionais inquéritos?

 

Quando iniciei a licenciatura em 1996, estive na linha da frente da internet em Portugal e, com o Google ainda por inventar, pertenci à última geração que se deslocou a bibliotecas em busca de informação, que utilizou enciclopédias em papel e que foi pessoalmente ao INE em busca de dados fotocopiados a peso de ouro.

 

Foi por isso (e por defeito profissional) que fiquei curioso quando o call center do INE me telefonou para responder ao Inquérito-piloto às Condições de Vida, Origens e Trajetórias da População Residente (ICOT).

 

O questionário começou com o elencar do nome e data de nascimento de cada membro da família, detalhes que me pareceram excessivos (não bastaria a relação de parentesco, número de pessoas e a sua idade?), seguindo depois por questões relativas à situação profissional, escolaridade (incluindo dos pais e avós) e estado de saúde, até à pergunta que tanta polémica gerou na altura do Censos sobre a qual dos grupos considero pertencer: asiático, branco, cigano, negro, origem ou pertença mista.

 

Mas a questão seguinte foi a que mais me chamou a atenção, por pedir que optasse por uma resposta de entre 16 opções! Não sei quão prevalente é o consumo de vitaminas para a memória, mas confesso que pela 8ª ou 9ª já estava perdido…

 

Os questionários telefónicos têm limitações naturais, como a ausência de estímulos visuais, a dependência de respostas declarativas que podem ou não corresponder à realidade, a influência que as circunstâncias do momento podem ter (estava numa reunião, na casa de banho, a meio de uma discussão, todas estas situações em simultâneo?), mas é de estranhar uma estrutura de pergunta tão desajustada ao meio em que foi aplicada, colocando em causa a validade das respostas, ainda que a ordem em que as opções tenham sido apresentadas seja aleatória (seria interessante analisar a prevalência das opções que foram apresentadas por último).

 

A vantagem do INE, a par de uma experiência ímpar em Portugal, é (foi?) a sua independência e alcance, ainda que recentemente a Pordata e a Fundação Francisco Manuel dos Santos tenham vindo a tomar parte do seu lugar, mais que não seja pela sistematização e divulgação que fazem, mais adaptadas aos tempos que correm.

 

Diz-se que os investigadores salivam por acesso a boas bases de dados: numa altura em que por via da vacinação contra a covid temos quase 90% da população a passar por centros de vacinação, onde permanecem 30 minutos desocupados para acautelar eventuais efeitos secundários, por que não convidar ao preenchimento voluntário de questionários sobre tudo e mais alguma coisa? E quem melhor que o INE para o fazer?

  

PS – a questão das 16 opções era: Das seguintes características, quais são as que melhor o descrevem: grupo étnico, sexo, religião, estatuto migratório, opiniões políticas, sotaque ou forma de falar, escolaridade, origem ou nacionalidade, identidade de género, estado de saúde, idade, classe social, sítio onde vive, forma de vestir, cor da pele, tipo de família, orientação sexual ou outro.



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