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Avenida da Liberdade, novos formatos de entretenimento, mais cinema português e internacional e a ambição de criar pontes entre Lisboa e o mundo marcam a terceira edição do Tribeca Festival Lisboa. A organização acredita que o festival entrou numa nova fase de maturidade e espera atrair mais público ao centro da capital.
O Tribeca Festival Lisboa regressa entre 9 e 13 de dezembro para a sua terceira edição e apresenta-se com uma das maiores transformações desde a chegada a Portugal: a mudança do Beato para a Avenida da Liberdade. O festival passa a ocupar alguns dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade, como o Cinema São Jorge, o Teatro Tivoli BBVA e o Capitólio, reforçando a aposta numa experiência mais aberta e próxima do público.
Para Mónica Serrano, diretora de Marca, Comunicação e Relações Humanas do Grupo Impresa, esta é a mudança mais visível de uma edição que pretende marcar uma nova etapa no crescimento do projeto. “Acreditamos que esta terceira edição, estar no centro e mais perto das pessoas, consegue ser um festival mais aberto e mais abrangente”, afirmou a responsável, em declarações ao Imagens de Marca.
Depois de duas edições realizadas no Beato, a organização entende que o festival está preparado para um novo salto. “Tivemos os primeiros dois anos no Beato, que foi fundamental porque foi a parte de trazer o Tribeca para Lisboa num local mais cru, mais tecnológico da cidade. Mas acreditamos que esta terceira edição estar no centro e mais perto das pessoas consegue ser um festival mais aberto e mais abrangente”, acrescenta Mónica Serrano.
Mas a mudança vai além da geografia.
Um festival que quer ir além do cinema
Para Francisco Pedro Balsemão, chairman e CEO do Grupo Impresa, o Tribeca Festival Lisboa consolidou-se como um conceito cultural que ultrapassa largamente a dimensão cinematográfica. Em declarações ao Imagens de Marca, o responsável defende que o festival trouxe para Portugal uma abordagem diferente. “Introduzimos em Portugal um novo conceito de festival, que é mais do que um festival de cinema”, afirma.
Segundo o responsável, a terceira edição representa uma evolução natural desse caminho, reforçando diferentes formatos culturais e de entretenimento. “Não queremos que seja um festival que seja só para alguns”, sublinha, acrescentando que o objetivo passa por combinar qualidade cultural com capacidade de chegar a públicos cada vez mais amplos.
A mesma ideia foi reforçada durante a apresentação oficial do festival, onde Francisco Pedro Balsemão destacou a diversidade, o pluralismo e a liberdade como valores centrais do projeto.
“A cultura não pode viver sem liberdade”, afirmou perante parceiros, convidados e representantes da indústria cultural. O responsável defendeu ainda que o Tribeca Festival Lisboa pretende funcionar como uma ponte entre diferentes geografias, linguagens e pessoas: “Estas pontes que nós construímos são entre Lisboa e Nova Iorque, mas também entre os criadores e as audiências”.
Novos formatos dão mais espaço ao entretenimento
A programação deste ano mantém o cinema como principal eixo do festival, mas reforça a aposta no entretenimento ao vivo, nos podcasts e na música. “Não deixa de ser um festival que nasce do cinema e nós mantemos isso no ADN, mas é muito mais do que isso”, explica Mónica Serrano.
Uma das principais novidades é o Tribeca Night Live, novo formato inspirado nos grandes late-night shows norte-americanos. A iniciativa contará com três noites temáticas, conduzidas por W. Kamau Bell, Daniela Ruah e Luís Franco-Bastos, juntando conversa, humor, música e performance ao vivo.
O festival estreia também as Tribeca Talks, uma websérie apresentada por Daniela Ruah que colocará em diálogo figuras do cinema, televisão, cultura, media e universo digital. “Achámos que as conversas que fizemos ao longo dos últimos anos mereciam outro destaque”, explica Mónica Serrano.
Katie Holmes e Edward Burns entre os primeiros nomes confirmados
Na componente internacional, o festival já confirmou a presença de Alec Baldwin, Katie Holmes, Edward Burns, Zach Woods e W. Kamau Bell.
Daniela Ruah e Joaquim de Almeida mantêm-se como embaixadores do evento, desempenhando um papel ativo na construção da programação.
Ao nível cinematográfico, estão já confirmadas produções internacionais como Finnegan's Foursome, de Edward Burns, The Accompanist, de Zach Woods, Queen at Sea, de Lance Hammer, Josephine, de Beth de Araújo, e The Incomer, de Louis Paxton.
O cinema português ganha também maior protagonismo, com títulos como O Dia Mais Feliz da Minha Vida, de Vicente Alves do Ó, Vindima, de Luís Galvão Teles, Também Tu Clara, de António Borges Correia, e Mulherzinha, documentário centrado em Bárbara Tinoco.
Lisboa como palco e protagonista
Durante a apresentação do festival, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, destacou o impacto que o Tribeca tem tido na projeção internacional da cidade.
Recordando a génese do projeto, o autarca revelou que a proposta apresentada por Francisco Pedro Balsemão lhe pareceu, desde o início, mais do que uma iniciativa cultural. “Percebi que era uma missão que iria para além da própria empresa. Era uma missão de cidade e uma missão de país”, afirmou.
Carlos Moedas considera que o principal legado do festival está na capacidade de gerar encontros improváveis entre talento português e algumas das figuras mais influentes da indústria cultural norte-americana. “O caminho certo foi um caminho de histórias e de encontros”, afirmou.
O autarca recordou também vários exemplos de artistas portugueses que conseguiram estabelecer ligações internacionais através do festival, defendendo que estas oportunidades têm um impacto difícil de quantificar: “Isto é feito para o nosso talento, para os portugueses, para terem esse acesso, para estarem a falar de igual para igual”.
Moedas destacou ainda o efeito multiplicador destes contactos na promoção externa da cidade, recordando uma conversa com Robert De Niro após a sua passagem por Lisboa: “Ele dizia: ‘adorei Lisboa, queria fazer mais em Lisboa, quero levar mais pessoas para Lisboa, mais talento, queremos filmar em Lisboa. Isto não tem preço para a cidade’”.
Um festival em fase de consolidação
Após duas primeiras edições focadas em apresentar o conceito Tribeca ao público português, a organização acredita que o festival atingiu uma nova fase de maturidade. “As expectativas são muito grandes”, afirma Mónica Serrano, acrescentando que “neste momento, este é um festival que tem uma identidade muito própria, uma identidade própria cruzada com a cidade de Lisboa”.
A ambição passa agora por aumentar a participação do público e reforçar o papel cultural do evento. “Acreditamos que vamos ter mais pessoas, pessoas mais ligadas à cultura e democratizar a cultura, que também é outro componente muito importante para nós”, frisa ainda.
Com uma nova casa no centro da cidade, nomes internacionais de peso, mais cinema português e formatos que cruzam entretenimento, música e conversas, o Tribeca Festival Lisboa procura afirmar-se não apenas como um festival, mas como uma plataforma cultural que liga Lisboa ao mundo.
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