
Newsletter
Pesquisa

Poucos sabem, mas uma das características mais reconhecíveis da IKEA — os nomes pouco usuais dos seus produtos — está diretamente ligada a uma estratégia criada pelo seu fundador, Ingvar Kamprad, para facilitar a organização e identificação dos artigos da marca.
Nascido em 1926, no sul da Suécia, Kamprad demonstrou desde cedo um talento para os negócios, mas também enfrentava um desafio: sofria de dislexia, o que tornava difícil memorizar números, códigos ou referências numéricas complexas.
Quando fundou a IKEA, em 1943, aos 17 anos, a empresa ainda não vendia mobiliário. Inicialmente, Kamprad comercializava produtos simples, como canetas, carteiras, molduras e outros artigos de baixo custo, muitas vezes distribuídos por correspondência. Só no final da década de 1940 começou a introduzir móveis no catálogo, dando início ao modelo que viria a transformar a indústria do mobiliário.
À medida que o negócio crescia, surgiu a necessidade de organizar centenas — e depois milhares — de produtos. No entanto, utilizar códigos numéricos tradicionais não era o método mais prático para Kamprad. Para resolver esse problema, criou um sistema diferente: atribuir nomes suecos aos produtos em vez de números.
Esses nomes eram inspirados em cidades, aldeias, regiões, rios e outras referências escandinavas, criando uma lógica interna que facilitava a memorização e a comunicação dentro da empresa. Com o tempo, o sistema tornou-se cada vez mais organizado. Por exemplo, camas e roupeiros costumam receber nomes de localidades suecas, enquanto outros tipos de produtos seguem categorias linguísticas específicas.
Nos anos 50 e 60, a IKEA introduziu também outras inovações fundamentais, como o conceito de mobiliário em embalagem plana (flat-pack), que permitia reduzir significativamente os custos de transporte e armazenamento. Essa estratégia, combinada com design funcional e preços acessíveis, impulsionou a rápida expansão internacional da marca, primeiro na Escandinávia e depois no resto da Europa e do mundo.
Hoje, a IKEA é uma das maiores retalhistas de mobiliário do planeta, com centenas de lojas em dezenas de países. Os nomes dos produtos — como “BILLY”, “MALM” ou “KALLAX” — tornaram-se parte da cultura popular e são reconhecidos mesmo por muitas pessoas que nunca visitaram uma loja da marca.
O mais curioso é que aquilo que começou como uma solução prática acabou por contribuir para uma das identidades de marca mais reconhecíveis do mundo. Os nomes dos produtos ajudam a reforçar a ligação da IKEA às suas origens suecas e tornaram-se uma parte importante da experiência da marca.
O caso da IKEA é frequentemente citado como exemplo de como uma adaptação criada para responder a uma dificuldade pessoal acabou por influenciar a organização interna da empresa e a forma como milhões de pessoas interagem com a marca em todo o mundo.
Artigos Relacionados
fechar

O melhor do jornalismo especializado levado até si. Acompanhe as notícias do mundo das marcas que ditam as tendências do dia-a-dia.
Fique a par das iniciativas da nossa comunidade: eventos, formações e as séries do nosso canal oficial, o Brands Channel.