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Análise da Buzzmonitor mostra que os custos são a principal preocupação das famílias nas conversas digitais, enquanto o programa MEGA ajuda papelarias e livrarias de proximidade a superar grandes retalhistas nas referências online.
O regresso às aulas é vivido pelas famílias portuguesas sobretudo com a preocupação de controlar as despesas. É uma das principais conclusões de uma análise realizada pela Buzzmonitor, plataforma de Inteligência Artificial de monitorização e análise de redes sociais do Elifegroup, que analisou 3.268 publicações de perfis abertos em Portugal, de 8 de agosto a 8 de setembro.
Apesar de o tom geral das conversas ser maioritariamente positivo — 64% das publicações — devido ao entusiasmo com o início do novo ano letivo, os constrangimentos financeiros ocupam um lugar central no debate.
O tema “Custos e finanças familiares” representa 20,9% das conversas analisadas, sendo o segundo assunto mais abordado, atrás apenas do material escolar, responsável por 36,3% das menções. Quando analisadas especificamente as preocupações expressas pelas famílias, os custos financeiros passam para o primeiro lugar, com 8,4%.
A contenção de despesas surge também associada ao reaproveitamento de materiais de anos anteriores, numa altura em que as famílias procuram reduzir o impacto da compra de material escolar no orçamento, lê-se num comunicado enviado às redações.
MEGA ganha espaço às marcas comerciais
Um dos dados que mais se destaca na análise é a presença do MEGA, programa de manuais escolares gratuitos, como a entidade mais mencionada enquanto “marca”, com 2,4% das referências.
As tradicionais marcas de papelaria têm uma presença reduzida na conversa digital. BIC, Maped, Jovi ou Oxford são pouco referidas, enquanto marcas tecnológicas como Lenovo, HP, Asus e Apple ganham maior visibilidade, sobretudo devido à discussão em torno de computadores portáteis, dos respetivos preços e especificações.
O peso do programa MEGA também parece refletir-se na escolha dos locais de compra ou levantamento dos materiais. As papelarias e livrarias de proximidade lideram as referências a pontos de venda, com 2,2%, à frente de grandes retalhistas como Lidl, com 1,6%, Auchan e Amazon, com 1,4%, e Continente/Note!, com 1,3%.
Segundo a análise, esta vantagem está diretamente relacionada com o programa de manuais escolares gratuitos, cujo levantamento é feito maioritariamente através de livrarias e papelarias locais.
Mochila é o artigo mais mencionado
Entre os artigos associados ao regresso às aulas, a mochila é o objeto mais referido, representando 12,1% das menções. Seguem-se os manuais e livros escolares, com 9,4%, os cadernos, com 8,6%, e os computadores portáteis, com 4,9%.
Os dados mostram, assim, uma conversa digital centrada sobretudo nas necessidades concretas das famílias e na gestão do orçamento, mais do que nas marcas de material escolar propriamente ditas.
Falta de professores concentra o sentimento mais negativo
A análise da Buzzmonitor revela ainda diferenças significativas no sentimento associado às principais preocupações. A falta de professores e os horários por preencher, que representam 4,1% das preocupações sociais identificadas, registam o sentimento mais negativo, com 62% de comentários de tom negativo.
Segundo a análise, estas conversas são maioritariamente politizadas. Já a ansiedade e adaptação das crianças, que representam 5,9% das preocupações, surge sobretudo abordada num registo pedagógico e com contributos de especialistas.
No conjunto, os dados mostram um regresso às aulas marcado por uma combinação entre entusiasmo pelo novo ano letivo e preocupação com os custos. Para as famílias, a prioridade parece estar menos em comprar mais e mais em encontrar formas de gastar menos — uma tendência que acaba também por influenciar as marcas e os locais onde as compras são feitas.
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