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Este ano vivi o 10 de Junho de uma forma diferente. Longe de casa, em Bruxelas, na Representação Permanente de Portugal (REPER) junto da União Europeia, senti Portugal com uma intensidade que dificilmente teria experimentado no nosso próprio país. Paradoxalmente, foi a distância que me aproximou ainda mais daquilo que somos.
Ao longo do dia, marcado pelas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, percebi que a palavra “comunidade” encerra um significado muito mais profundo do que imaginamos. Não se trata apenas de um conjunto de portugueses espalhados pelo mundo. Trata-se de uma rede invisível de afetos, memórias e identidade que resiste ao tempo e à distância.
Foi impossível não pensar nos milhares de portugueses que vivem fora do país. Homens e mulheres que partiram em busca de oportunidades, de uma vida melhor, de um futuro mais próspero. Carregam consigo uma história de coragem e de sacrifício que raramente é devidamente reconhecida.
Falamos muitas vezes da diáspora portuguesa pelos números que representa, pelo investimento que gera ou pela influência que exerce. Mas esquecemo-nos frequentemente da dimensão humana desta realidade. Por detrás de cada emigrante existe uma saudade permanente. Saudade da família, dos amigos, das tradições, dos lugares e dos pequenos gestos do quotidiano que só fazem sentido quando estamos em Portugal.
Em Bruxelas, encontrei portugueses que, apesar de viverem há muitos anos no estrangeiro, continuam a acompanhar atentamente o que acontece no seu país. Mantêm vivas as suas raízes, transmitem aos filhos a língua portuguesa e celebram as suas origens com um orgulho admirável. Portugal continua a ser a sua casa, mesmo quando a vida os levou para outras geografias.
Talvez seja precisamente fora de Portugal que se compreenda melhor o verdadeiro significado da palavra pátria. Quando estamos longe, os símbolos ganham outra dimensão. O hino emociona. A bandeira tem mais significado. As referências culturais tornam-se mais presentes. E o sentimento de pertença emerge com uma força difícil de explicar.
Neste 10 de Junho percebi também que Portugal é muito maior do que as suas fronteiras geográficas. O país que vive em Lisboa, no Porto ou em Coimbra, tem uma dimensão universal em Bruxelas, Joanesburgo, Newark, Paris, Sydney ou Toronto. Vive em cada português que transporta consigo uma parte da nossa identidade coletiva.
Regressei a Portugal com uma admiração acrescida pelos nossos emigrantes. Pelo que conquistaram, pelo que representam e pelo amor que continuam a demonstrar ao seu país. Num tempo em que tantas vezes valorizamos o supérfluo, importa realçar aqueles que, estando fora, nunca deixaram Portugal sair do coração.
P.S. Ao Embaixador Pedro Costa Pereira, Embaixadora Monica Lisboa e Embaixadora Ana Paula Moreira, mas também à Cristina Rézio Brázio, Mariana Costa, Maria Teresa Goulão, Pedro Moreira, e a tantos, tantos outros na fantástica REPER, obrigado por, a partir de Bruxelas, me fazerem sentir em casa.
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