Mundial 2026: da visibilidade à relevância

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A opinião de Alberto Rui Pereira
Mundial 2026: da visibilidade à relevância
10 de Julho de 2026
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Mundial 2026: da visibilidade à relevância
Alberto Rui Pereira
COO Omnicom Media Portugal
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O maior palco do futebol mundial é hoje também o maior laboratório para as marcas.

Ainda não sabemos quem vencerá o Mundial de 2026. Mas uma coisa é certa: as marcas já entraram em campo e algumas já estão a ganhar.

Se há um vencedor que já pode ser anunciado é o próprio ecossistema comercial que envolve a competição. Quando o apito final soar, não será apenas uma nação a celebrar. Também o farão as marcas que conseguiram destacar-se num ambiente altamente competitivo, sobressair ao ruído, criar uma ligação emocional genuína com os adeptos e transformar momentos de atenção em relações sustentáveis.

Há muito que o Campeonato do Mundo deixou de ser apenas um acontecimento desportivo. Hoje é uma das maiores plataformas globais de construção de marketing, onde se cruzam patrocínios, licenciamento, entretenimento, dados e tecnologia. O Mundial de 2026 representa um ponto de viragem nesta evolução. Pela primeira vez três países organizam a competição multiplicando as oportunidades de contacto entre marcas e consumidores, tornando o evento numa potência financeira.

Mas a verdadeira relevância do Mundial não está apenas na geografia nem na economia. Está no comportamento do público. Na economia da atenção e, sobretudo, na da emoção.

O adepto já não vive o jogo apenas em frente à televisão. Vive-o no telemóvel, nas redes sociais, nas plataformas de streaming e nas aplicações. Enquanto acompanha os desafios, comenta uma jogada, responde a uma sondagem, compra uma camisola, partilha um vídeo ou segue um criador de conteúdos. O Mundial transformou-se numa experiência permanente, onde o segundo ecrã é tão importante como o relvado.

É precisamente neste contexto que o marketing desportivo deixa de ser um exercício de visibilidade para se tornar um exercício de relevância.

Os adeptos já não são apenas espetadores. Comentam, partilham, compram, votam e interagem em tempo real. A experiência tornou-se contínua e participativa, obrigando as marcas a estarem presentes muito antes do pontapé de saída e muito depois do apito final.

Esta mudança explica também a crescente aposta em conteúdos de curta duração, criadores de conteúdo, ativações digitais, experiências imersivas e campanhas adaptadas aos diferentes mercados e audiências. O formato multinacional do Mundial oferece às marcas uma oportunidade única para conciliar escala global com relevância local, ajustando mensagens e experiências às especificidades culturais de cada região sem perder a força de uma narrativa universal: a paixão pelo futebol.

Durante décadas, bastava estar presente. Um logótipo na camisola, um anúncio no intervalo ou um patrocínio oficial eram suficientes para garantir notoriedade. Hoje, isso já não chega. A abundância de conteúdos e a fragmentação tornou a atenção um recurso escasso e as marcas são obrigadas a disputar algo muito mais valioso: significado.

As que melhor capitalizam estes momentos são as que compreendem melhor o comportamento das pessoas. Utilizam dados para antecipar interesses, criam experiências que prolongam a emoção do jogo e produzem conteúdos que fazem sentido para diferentes comunidades e diferentes plataformas.

É por isso que o verdadeiro ativo do Mundial já não é apenas a audiência. São os dados, o conhecimento sobre o consumidor e a capacidade de transformar uma emoção momentânea numa relação de longo prazo.

Também o licenciamento ganha uma nova importância. Se o patrocínio oferece visibilidade, o licenciamento cria pertença. As coleções especiais, as colaborações entre marcas, os equipamentos das seleções ou até as tradicionais cadernetas de cromos representam muito mais do que produtos. São objetos de cultura e parte da memória coletiva. Vendem identidade, nostalgia e experiências que se cristalizam num momento histórico.

No fundo, o futebol continua a oferecer aquilo que nenhuma tecnologia conseguiu substituir: emoções partilhadas em escala global. E é precisamente essa autenticidade que torna o Mundial uma oportunidade única para as marcas.

Talvez a maior lição deste campeonato seja precisamente esta: os grandes eventos não devem ser vistos apenas como momentos para comprar espaço publicitário, mas como plataformas para construir relações. A visibilidade desaparece quando termina a transmissão. A relevância permanece quando existe uma estratégia capaz de transformar atenção em confiança. Pela capacidade de uma marca permanecer na memória dos consumidores quando o Mundial já faz parte da história.

Quando o árbitro der o apito final, haverá apenas um vencedor. Mas as marcas que compreendem que o marketing é, acima de tudo, construção de relações, podem continuar a ganhar muito depois de terminado o campeonato.

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