Mais 9,2 milhões de euros para a reciclagem e apenas mais 1% de embalagens recolhidas

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Mais 9,2 milhões de euros para a reciclagem e apenas mais 1% de embalagens recolhidas
15 de Outubro de 2026
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A Sociedade Ponto Verde questiona a eficácia do investimento no sistema de recolha seletiva e triagem e defende maior transparência na aplicação dos recursos para acelerar os resultados da reciclagem.


A reciclagem de embalagens em Portugal cresceu apenas 1% nos primeiros nove meses de 2026, apesar de um reforço de 9,2 milhões de euros no financiamento das operações de recolha seletiva e triagem. Perante esta evolução, a Sociedade Ponto Verde (SPV) alerta para a necessidade de avaliar a eficácia do investimento e garantir que o aumento dos recursos se traduz em melhores resultados.


Entre janeiro e setembro, foram encaminhadas para reciclagem 373 182 toneladas de embalagens provenientes da recolha seletiva, mais 4 194 toneladas do que no período homólogo. No mesmo intervalo, o financiamento das operações através dos Valores de Contrapartida aumentou 5,9%, segundo os dados divulgados pela SPV.


A entidade sublinha que este reforço surge depois de, em 2025, o financiamento assegurado pelas entidades gestoras ter aumentado 90 milhões de euros face ao ano anterior. Para a sociedade, a evolução dos resultados torna necessário perceber como estão a ser aplicados os recursos e que medidas podem melhorar o desempenho do sistema.


“Estamos a investir cada vez mais num sistema que continua a apresentar resultados manifestamente insuficientes”, afirma Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, acrescentando que o aumento dos encargos suportados pelas empresas deve ser acompanhado por melhorias efetivas no serviço e por resultados concretos na reciclagem de embalagens.


Em 2025, Portugal registou uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, abaixo da meta de 65% em vigor, recorda a SPV. A entidade considera que a evolução registada em 2026 reforça a necessidade de acelerar o desempenho do sistema para aproximar o país dos objetivos estabelecidos.


SPV defende maior transparência e gestão baseada em dados


Entre as medidas que considera necessárias, a Sociedade Ponto Verde destaca a otimização das operações, uma maior transparência nos sistemas de recolha e triagem e a criação de uma base comum de dados que permita acompanhar os resultados com indicadores fiáveis e comparáveis.


Neste âmbito, a entidade defende a criação de um Observatório Nacional de Resíduos, destinado a consolidar informação sobre o sistema e a apoiar a avaliação das medidas implementadas. A SPV aponta ainda soluções como ecopontos com tecnologias de sensorização, sistemas de recolha porta a porta e modelos de pagamento em função da quantidade de resíduos produzidos (pay as you throw).


A sociedade indica ter investido, ao longo dos seus 30 anos de atividade, um total acumulado de 19,4 milhões de euros em inovação e investigação e desenvolvimento.


Papel e cartão crescem 4%, enquanto plástico e alumínio recuam


Os resultados variam consoante o material. Nos primeiros nove meses de 2026, o papel e cartão registaram um crescimento de 4%, enquanto as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) aumentaram 3%.


O vidro cresceu apenas 1%, mantendo uma evolução próxima da estagnação. Já o plástico apresentou uma quebra global de 4%, embora algumas categorias tenham registado resultados positivos: o filme plástico aumentou 10% e o polietileno de alta densidade (PEAD), utilizado, por exemplo, em embalagens de champô e detergentes, cresceu 4%.


Em sentido contrário, o PET, utilizado em garrafas de bebidas, recuou 2%, enquanto outras embalagens de plástico também contribuíram para a quebra. O alumínio registou uma diminuição de 5%.


Perante estes resultados, a Sociedade Ponto Verde defende que a próxima etapa da gestão de resíduos de embalagens deve privilegiar a eficácia operacional e a melhoria dos níveis de serviço. A entidade apela ainda ao Governo para acelerar as medidas previstas no programa Terra+, com o objetivo de ajudar Portugal a cumprir as metas de reciclagem.

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