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O estudo internacional da plataforma de encontros Gleeden indica que 36% dos inquiridos no Brasil e em Espanha admitem poder abrir-se emocionalmente com um chat de inteligência artificial.
A inteligência artificial começa a assumir um papel também na forma como algumas pessoas lidam com as relações e com a sua vida emocional, segundo um estudo internacional realizado pela Gleeden. A plataforma de encontros analisou a utilização de ferramentas de IA enquanto espaço de apoio emocional, fantasia e interação erótica.
Brasil e Espanha estão entre os países abrangidos pelo estudo. Em ambos, 36% dos inquiridos afirmam que poderiam abrir-se emocionalmente com um chat de inteligência artificial.
A utilização da tecnologia estende-se também à esfera erótica. No Brasil, 29% dos utilizadores da Gleeden inquiridos dizem já ter recorrido à IA para esse tipo de interação “às vezes” ou “frequentemente”. Em Espanha, a percentagem é de 19%.
Os resultados mostram ainda que a utilização da IA pode levantar questões sobre os limites da fidelidade dentro de uma relação. No Brasil, 60% dos utilizadores da Gleeden consideram que uma relação muito próxima e erótica com uma inteligência artificial pode ser entendida como traição. Em Espanha, essa opinião é partilhada por 40% dos inquiridos.
Para Silvia Rubies, Diretora de Marketing da Gleeden, citada em comunicado, a utilização destas ferramentas está a criar novas dinâmicas nas relações: “As pessoas começam a procurar na tecnologia elementos de escuta, acolhimento e validação”.
A sexóloga Flávia dos Santos, embaixadora da Gleeden, identifica também sinais dessa utilização da IA na dinâmica dos casais. “A IA está a começar a entrar na dinâmica de casal”, afirma, referindo situações em que pessoas recorrem a ferramentas de inteligência artificial para interpretar conversas ou procurar uma avaliação sobre conflitos com o parceiro.
“Há pessoas que começam a perguntar quem tem razão, por favor analisa esta conversa e diz-me o que ele ou ela me quis dizer…”, exemplifica a especialista.
Na sua perspetiva, esta tendência levanta algumas preocupações, uma vez que a IA não acompanha diretamente a dinâmica de uma relação e, por isso, não dispõe de contexto suficiente para estabelecer um diagnóstico ou orientação sobre os conflitos entre parceiros. “Mas sim, já se começa a ver alguns casais a ver a IA como um juiz dentro da conflitualidade”, acrescenta.
Segundo os resultados divulgados pela Gleeden, entre os fatores que tornam estas ferramentas apelativas estão a perceção de que a IA não cria conflitos e a possibilidade de personalizar a interação de acordo com o perfil do utilizador.
Os dados apontam, assim, para uma utilização da inteligência artificial que vai além das tarefas práticas e começa a abranger dimensões emocionais e relacionais, incluindo situações de procura de aconselhamento, interação erótica e interpretação de conflitos entre parceiros.
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