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Pesquisa

A conclusão é de um estudo da Universidade Portucalense (UPT), que analisou a perceção de 384 estudantes de Economia e Gestão sobre 22 competências transversais valorizadas no mercado de trabalho.
Os estudantes portugueses avaliam as suas competências abaixo da fasquia que acreditam ser exigida pelos empregadores. Numa escala de um a cinco, os estudantes atribuíram 4,40 ao nível de competências que consideram ser esperado pelos empregadores.
Quando avaliaram as suas próprias capacidades, a média desceu para 4,08. E, quando questionados sobre a confiança em corresponder a essas expectativas, o valor voltou a baixar, para 4,04.
O estudo não avaliou diretamente os empregadores, pelo que não permite concluir que exista um défice objetivo de competências. Revela, contudo, um desfasamento entre a perceção das exigências profissionais e a autoavaliação dos estudantes, sobretudo em áreas como gestão do tempo e competências profissionais, onde as diferenças são mais acentuadas.
“Os resultados não retratam estudantes sem competências. Mostram, antes, que existe uma confiança inferior à fasquia que os próprios estudantes associam ao mercado de trabalho”, afirma Margarita Carvalho, cocoordenadora do MBA Executivo da UPT e uma das autoras do estudo, citada em comunicado.
Experiência profissional melhora a perceção das competências
A experiência profissional surge como um fator determinante na forma como os estudantes avaliam as suas capacidades. Entre os jovens com mais de seis meses de experiência, a autoavaliação das competências profissionais sobe para 4,19. Entre os estudantes sem experiência, desce para 3,13.
As diferenças são visíveis também em áreas como comunicação, criatividade e apresentação, sugerindo que o contacto com contextos reais de trabalho contribui para uma perceção mais concreta das próprias competências.
A maioria dos estudantes identifica o trabalho como o principal espaço de desenvolvimento de soft skills (89,74%), seguido da escola (73,61%).
Preparar para o trabalho implica praticar e receber feedback
O estudo analisou competências como comunicação, pensamento crítico, liderança, trabalho em equipa, pensamento estratégico, gestão do tempo, planeamento, apresentação, resolução de problemas, criatividade, flexibilidade, gestão do stress e inteligência emocional.
Os resultados apontam para a necessidade de integrar o desenvolvimento destas competências no percurso académico, não necessariamente através de uma disciplina específica, mas através de oportunidades práticas, avaliações próximas de contextos reais e feedback explícito.
Entre as propostas dos investigadores estão a integração das competências nos objetivos de aprendizagem, a aproximação da avaliação académica a situações profissionais e a clarificação de conceitos frequentemente usados de forma genérica — como “boa comunicação”, “proatividade” ou “resiliência” — transformando-os em comportamentos observáveis e passíveis de ser desenvolvidos.
“Um diploma certifica conhecimento, mas a transição para o mercado de trabalho exige também que os estudantes saibam mobilizar esse conhecimento, trabalhar com outros, tomar decisões e adaptar-se a situações novas”, sublinha a investigadora.
De notar que o estudo “Students and employers perceptions differential on soft skills: An analysis for university students”, desenvolvido por Margarita Carvalho, Mónica Azevedo e Luís Pacheco, foi publicado em 2026 na revista Industry and Higher Education.
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