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Chegou ao fim a edição de 2026 do Cannes Lions International Festival of Creativity. A última noite de gala na Riviera Francesa serviu para revelar os vencedores das categorias mais aguardadas da competição: Glass: The Lion for Change, Film, Sustainable Development Goals, Titanium e o Grand Prix for Good, além dos prémios especiais que consagram as melhores agências e redes globais do ano.
Fazer um balanço desta semana é, segundo Simon Cook, CEO do Lions, celebrar "as ideias, as inovações e a excelência criativa que fazem a indústria avançar". Num ano marcado pela descentralização geográfica dos prémios, com os primeiros Grandes Prémios de sempre entregues à Grécia e ao Quénia, o festival estabeleceu uma nova bitola de impacto real no negócio e na sociedade.
Nas categorias principais da noite de encerramento, o destaque foi para abordagens que se destacaram pela sua estratégia.
Glass: The Lion for Change ("Nigrum Corpus" pela Artplan, São Paulo): O Grand Prix que celebra a mudança social e de género viajou para o Brasil. A campanha transformou o racismo estrutural numa realidade clínica quantificável através de um manual médico multimodal. Adotado pela maior autoridade médica brasileira e endossado pela OMS, o projeto redefine a educação médica para humanizar os corpos negros no diagnóstico.
Film Lions ("Claude" pela Mother London): Na categoria mais antecipada do festival, o Grande Prémio foi entregue à agência independente Mother London com dois filmes exibidos no Super Bowl para a ferramenta de IA Claude. Com humor e ironia, as peças posicionaram a marca como a IA que se recusa a passar anúncios nas suas ferramentas.
Dan Wieden Titanium Lions ("Haven" pela Leo Australia para a Suncorp Insurance): Os cobiçados Leões de Titânio premeiam o futuro da publicidade. O Grand Prix foi para um projeto que transformou o próprio modelo de seguros num serviço público de longo prazo, unindo design e advocacia para preparar comunidades australianas contra condições climatéricas extremas.
Sustainable Development Goals ("Paid Sick Leave for Cows" pela The Partnership Agency, Quénia): O primeiro Grand Prix da história do país cruzou direitos laborais com agricultura para a marca Too Good, criando um modelo sustentável e replicável que vai além da sensibilização e gera mudança sistémica no setor alimentar.
Grand Prix for Good ("600K Network" pela Rainbow Lobster, México): O prémio que reconhece o trabalho para fins não-lucrativos distinguiu a plataforma descentralizada que transformou um simples código QR numa rede cidadã de verificação eleitoral nas últimas eleições da Venezuela.
O festival revelou também quem dita as regras da eficácia e da criatividade à escala global. A Ogilvy foi coroada como a Network of the Year (Rede do Ano), seguida pela VML e pela TBWA Worldwide.
A nível de agências individuais, a italiana LePub (Milão) conquistou o título máximo de Agency of the Year, impulsionada pelo seu trabalho consistente para marcas como a Heineken. No lado independente, a canadiana Rethink (Toronto) arrecadou o primeiro lugar. A prestigiada MJZ venceu a Palme d'Or de produção e a Heineken arrecadou o prémio de Creative Brand of the Year (Marca Criativa do Ano), com a KitKat e a IKEA a fecharem o pódio.
A edição de 2026 de Cannes encerra assim as portas deixando um aviso claro ao mercado: o futuro da criatividade pertence às marcas que conseguem provar uma mudança tangível e duradoura na sociedade, e não apenas às que criam conceitos efémeros para o ecrã.
Foto: Cannes Lions / Marian Brannelly
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