Campanha questiona quem rejeitou um currículo: uma pessoa ou uma IA?

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Campanha questiona quem rejeitou um currículo: uma pessoa ou uma IA?
18 de Setembro de 2026
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Campanha questiona quem rejeitou um currículo: uma pessoa ou uma IA?
Marco Silva
Coordenador Editorial Digital
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“Dear [Name]”, da People Like Us, explora a falta de transparência nos processos de recrutamento automatizados.


“Obrigado pelo seu interesse.”

“Depois de uma análise cuidadosa…”

“Decidimos avançar noutra direção.”


É a partir destas frases, comuns nas respostas enviadas a candidatos rejeitados, que começa Dear [Name], a nova campanha da People Like Us, organização britânica dedicada à promoção da equidade no trabalho. Criada pela agência Worth Your While e realizada por Amara Abbas, da New-land, a campanha acompanha o ator Ebenezer Gyau, de Amandaland e Black Mirror, numa sala de espera dividida por um espelho de duas faces.


À medida que o filme avança, as respostas habituais de recrutamento dão lugar a perguntas sobre quem está realmente a avaliar o candidato e quais os critérios utilizados. “Can you see me?” é uma das questões colocadas pelo protagonista.


A campanha parte de um estudo realizado pela Censuswide, a pedido da People Like Us, junto de 2.000 pessoas que procuraram emprego no Reino Unido. Entre os candidatos rejeitados nos dois anos anteriores, 74% disseram suspeitar que pelo menos uma das decisões tivesse sido automatizada sem revisão humana. Apenas 15% afirmaram ter sido informados por um empregador de que tinha sido utilizado um sistema automatizado.


O estudo revela ainda que 70% dos candidatos pertencentes a minorias étnicas já retiraram ou esconderam alguma informação sobre a sua identidade no currículo. Entre os candidatos brancos, a percentagem foi de 57%.

A campanha estende-se também à publicidade exterior, com 19 painéis digitais da JCDecaux em Londres, e aos cinemas britânicos, onde será exibida uma versão de 30 segundos a partir de outubro.


Além da campanha, a People Like Us criou, com a Planes Studio, uma ferramenta que permite aos candidatos questionar as empresas sobre a utilização de sistemas automatizados durante o processo de recrutamento e, quando aplicável, solicitar uma revisão humana.


Com esta iniciativa, a organização pretende colocar no centro do debate a transparência na utilização de inteligência artificial nos processos de seleção.

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