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A Excelência do Luxo
A Montra da alta-costura!
18 de abril de 2019
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A Montra da alta-costura!
Maria José Martins
Diretora Criativa de Conteúdos

Formada em Antropologia, conta com mais de duas décadas de trabalho na Comunicação Social como jornalista, criadora de conteúdos e autora de ficção. Curiosidade, experiência e imaginação são os ingredientes que não dispensa na vida… e na cozinha.

Há quase 115 que a Loja das Meias coloca em Portugal as grandes casas da alta-costura internacional.


A conversa estava marcada para o final da tarde, na nova Loja das Meias, na Avenida da Liberdade. Um pretexto para eu conhecer o espaço - aberto há três anos - que ainda não tinha tido oportunidade de visitar. Seria um encontro com Manuela Saldanha, bisneta do fundador do grupo de retalho de luxo português, responsável pelo marketing, com quem iria abordar algumas histórias sobre a marca para iniciar o trabalho de preparação da nossa reportagem. A surpresa foi ver chegar Pedro António Costa, o neto de Pedro Rodrigues Costa que em 1905 abriu a primeira Loja na esquina do Rossio com a Rua Augusta. Ao ser-lhe apresentada, esticando-me a mão, e disse-me: é uma ótima imagem de marca! Assim com uma simpatia arregalada, sentou-se numa das poltronas da loja, convidando-me a acomodar-me na cadeira ao lado. “Tenho aqui um tesouro que é o nosso livro de ouro do Rossio, muitas das assinaturas não são já do meu tempo, mas são mais que conhecidas… tenho aqui a assinatura do que foi rei de Inglaterra, o Duque de Windsor, aliás, do que abdicou. Esteve aqui na loja…e pessoas do teatro, pessoas da cultura…”. Madame Estée Lauder, o ator francês Fernandel ou Amália Rodrigues, são algumas das personalidades do mundo da moda, política, realeza e da vida artística nacional e internacional que passaram pela Loja das Meias e assinaram o livro de ouro.


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Pedro António começou a folhear as memórias de uma vida que são também as histórias da família que há 4 gerações se dedica a comercializar o que de melhor se faz no mundo da moda, acessórios e perfumaria. Sempre com vontade de vencer e alargar horizontes. “Tudo dá trabalho na vida. Mas quando se trabalha com prazer e com satisfação as coisas saem bem feitas. O meu avô levava o meu pai e o meu tio em viagens, o que era raro nessa altura. Iam à Alemanha e a Paris, nas suas viagens de compras de espartilhos e, entretanto, começaram a vender outras coisas, como malhas. O meu pai também me levou muito a mim e às minhas irmãs sempre em viagens. Fartamo-nos de viajar para ver coisas, não só os museus, como ver exatamente lojas. Eu segui-lhe o exemplo também”, conta Pedro António Costa não escondendo uma pontinha de saudade num olhar com emoção.


Uma “maison” portuguesa estimada pelo criador Christian Dior


A tradição foi sempre a de pensar mais além. De geração em geração procura-se ganhar experiência e conhecimento e aperfeiçoar o “savoir fair” no negócio de comercialização de acessórios e pronto-a-vestir de marcas premium e de luxo internacionais. A Loja das Meias afirma-se, por isso, pioneira na criação de relações de parceria com as grandes casas de alta costura. A longa representação da Dior em Portugal é disso um exemplo: “tenho relação com a Dior já antes do 25 de abril…lembro-me tão bem! Não foi só com a Dior, também com as outras marcas…nós temos alguma notoriedade em Lisboa”, sublinha Pedro António Costa, que chegou à maison francesa atraído pelos sapatos que gostaria de vender na Loja do Rossio. Depois do calçado, veio a lingerie e finalmente o pronto a vestir. “Fui à casa mãe, queria ter acessórios, malas e pronto a vestir. E havia lá um senhor muito simpático, que engraçou comigo e com a minha mulher”, explica revelando uma frescura nas palavras como se tudo tivesse acontecido ontem. Numa das visitas ao fornecedor em Paris, foi convidado a conhecer o criador: “calhou, ele estava lá. Mas já estava muito doente. Estava sentado numa cadeirinha”. Deste encontro fica a recordação de uma fotografia assinada pela mão do próprio criador. Terá sido - por volta de 1957- pouco antes do criador partir. Dois anos antes, Yves Saint Laurent era contratado para ser seu primeiro assistente e com quem Pedro António Costa também privou numa das ações que a marca de alta costura promoveu para alguns dos mais estimados clientes. “Vendíamos bem e, depois, cumpríamos as nossas obrigações: pagamentos em dia e tudo mais! Viram exatamente que era uma casa com futuro e tratavam-nos muito bem. Fomos convidados para um cruzeiro num barco chamado Renée Saint que saiu de Cannes até Malta. Foi muito engraçado. Era um barco relativamente pequeno, tinha sido fretado pelo Christian Dior e estava lá eu… e estavam lá outros como nós, uma senhora da Arábia Saudita muito simpática… grandes clientes da marca”, recorda Pedro António Costa, que ainda está à frente do Conselho de Administração do GLM.


A história da levi’s em Portugal: “A primeira loja a vender jeans fomos nós…”


As histórias de pioneirismo sucedem-se. Perco a conta ao tempo, que é um verdadeiro luxo, na presença de Pedro António. Naquele espaço, rodeada de tantas peças de roupa, era num incessante despir de recordações que me concentrava. A vontade de surpreender o mercado e de apresentar uma oferta inovadora leva o neto do fundador da Loja das Meias a colocar na montra as primeiras Levi’s comercializadas em Portugal. A ideia não foi bem vista pelos funcionários mais antigos, mas as estranhas calças a fazer lembrar as fardas dos “operários” foram mesmo um estrondoso sucesso. ” Tenho pena de não ter uma fotografia para lhe mostrar. A primeira loja a vender jeans fomos nós. Chegaram as calças, nunca mais me esqueço, tinha um encarregado - que já morreu - estava na loja e diz-me: Sr. Pedro António, vim agora do armazém, tive a descarregar umas calças, uns atados que nem lá na Raposa, ao pé de Almeirim, vendem aquela porcaria aos trabalhadores. O senhor está a estragar a loja que o seu avô fez, que o seu paizinho fez, o senhor está a estragar esta coisa toda!”. É uma das histórias que vos convido a ouvir de viva voz nesta página.

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Pedro António Costa com os filhos: Manuela Saldanha à sua direita e Pedro Miguel e Marina à esquerda da jornalista Maria José Martins.


A mudança do Rossio para a Avenida da Liberdade não foi fácil. Pedro António Costa não escondeu uma certa tristeza: “a mim custou-me muito! Tenho impressão que custou a todos. Mas a mim mais. Comecei a trabalhar no Rossio. Eu comecei a sentir que o público do Rossio não era o público alvo que eu queria apanhar”. Hoje, é na Avenida que se concentram muitos dos turistas que são responsáveis por cerca de 55% das compras de luxo em Portugal. Chineses, brasileiros, norte-americanos e angolanos, que todos os dias entram na loja. Um novo perfil de clientes que exige um serviço cada vez mais especializado, como a contratação de consultoras de moda com formação em línguas, em particular, em mandarim. Quando lhe pergunto como gosta de posicionar a sua “casa” responde: “talvez premium…gosto mais!” e afirma: “sou elitista, mas não snob.”


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