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A inovação disruptiva é um tema relevante porquanto vivemos tempos em que esta está a criar considerável incerteza relativamente ao papel do trabalho na sociedade e na vida do homem.
Recomendo uma atitude positiva face à incerteza e face à inovação; fundada no que está cientificamente provado relativamente aos contributos da mesma para a economia e a sociedade; como refere Joseph Schumpeter com a sua destruição criadora; ideia completada pelos recentes prémio nobel, Daron Acemoglu e Pascual Restrepo, que atualizam o conceito afirmando que a tecnologia só gera amplos ganhos quando cria tarefas novas.
O trabalho é um direito humano quer seja observado à luz do direito internacional, da filosofia ou até da religião, como espelha a recente encíclica papal, Magnifica Humanitas.
Estará o trabalho humano ameaçado pela inteligência artificial (IA)?
A resposta não pode ser, como tudo em ciências sociais, um rotundo sim ou não, pois existem as duas realidades; isto é, existem profissões que deixarão de existir, porque serão executadas por máquinas; profissões que verão as suas tarefas modificadas por incorporação de IA, e profissões que não sofrerão alteração.
Penso que a ideia de que o homem está ameaçado por esta nova tecnologia, é só o resultado da incerteza que esta gera em relação ao futuro, pois sabemos que nada fica como antes e que, temos de nos adaptar e aprender a usar a tecnologia a nosso favor.
A máquina é diferente do Homem, ela processa grandes quantidades de informação num tempo impossível ao Homem, mas não mais que isso, a avaliação critica e a decisão cabem ao Homem.
Quem pensar que vai substituir o Homem por máquinas e vai automatizar decisões, vai dar-se mal, porque o resultado será muito distinto do de um humano.
O neuro cientista António Damásio demonstrou-o isso em 1994 no seu trabalho O Erro de Descartes quando afirmou que as decisões, ainda que pareçam eminentemente racionais, tem sempre uma componente emocional envolvida; ora a máquina não tem emoções.
É assim tempo de alavancar as Competências Humanas que nos diferenciam da máquina e deixar que a máquina nos ajude com a informação
Esta ideia pode ser reforçada por evidencia científica apresentada na investigação de 2025 da MIT Sloan, de Roberto Rigobon e Isabella Loaiza, que conclui que a IA tende a complementar, e não a substituir, os humanos, distinguindo entre automação, a transferência de tarefas para a máquina e, aumento, em que a IA potencia a produtividade humana. A pergunta certa, argumentam, não é o que a tecnologia nos pode tirar, mas o que nos pode dar.
Vejamos então algumas competências que nos diferenciam da máquina e em que nos devemos focar para que possamos trabalhar nesta nova realidade:
Julgamento/Avaliação Humana/Espírito Crítico - A tecnologia reconhece padrões e gera opções com eficiência notável, mas decidir exige interpretar contexto, ponderar interesses contraditórios e assumir consequências não mensuráveis. Investigação recente da Harvard Business School, com Rembrand Koning e Colleen Ammerman, mostra que a experiência e o julgamento humanos continuam críticos para decidir, porque a IA não distingue de forma fiável boas de medíocres ideias, nem orienta sozinha estratégias de longo prazo; por exemplo, uma recomendação algorítmica pode sugerir um aumento de preço estatisticamente sólido, e não ter em conta que este compromete uma relação estratégica de quinze anos que coloca em perigo a estratégia da empresa.
A Decisão - Voltemos a António Damásio. No referido livro o autor apresenta estudos com doentes cujas lesões cerebrais separaram o raciocínio da emoção e revelaram algo contraintuitivo: pessoas com a capacidade lógica intacta, mas incapazes de sentir, tornavam-se incapazes de decidir, perdendo-se em ponderações infinitas sem nunca conseguir escolher.
A emoção não é o ruído que perturba a razão; é o que torna a decisão possível. Ora a máquina não tem emoções, pode calcular, comparar e recomendar, mas não decide, porque não sente o peso da consequência nem assume a responsabilidade da escolha.
É aqui que a IA encontra o seu verdadeiro lugar: não a decidir por nós, mas a preparar melhor a nossa decisão. Pode reunir e estruturar informação dispersa, simular cenários, expor pontos cegos, quantificar custos de oportunidade e devolver-nos tempo.
Capacidade de Relacionamento - As competências sociais são difíceis de desenvolver, de medir, de substituir e exclusivas dos humanos.
As organizações não funcionam por organogramas, mas por relações; a estratégia só se executa quando há confiança suficiente para alinhar pessoas, áreas e interesses divergentes em torno de um objetivo comum.
A IA pode produzir o plano; não constrói a adesão que o torna real.
A EY, sintetizando investigação do WEF, da OCDE, do Stanford HAI e da MIT Sloan, sustenta que as organizações bem-sucedidas usam a IA para elevar o julgamento humano, não para o eliminar.
O mesmo se aplica à relação com clientes; os números são esclarecedores. A automação mal calibrada está a corroer essa relação; um estudo da Five9 (2024), mostra que 56% dos consumidores dizem-se frequentemente frustrados com os chatbots de atendimento e quase metade (48%) não confia na informação que estes fornecem.
A investigação da Metrigy (2025-26) é ainda mais contundente; 84,7% dos consumidores preferem interagir com uma pessoa em vez de um agente de IA e, mesmo com a garantia de que o problema seria resolvido, 80,1% continuam a preferir o agente humano.
Liderança e influência - Nenhuma estratégia, por mais bem desenhada que seja, se concretiza sozinha; são as pessoas que a executam, e são executadas pelas pessoas que escolhem segui-la.
O Future of Jobs Report 2025 do World Economic Forum confirma o peso destas competências: o pensamento analítico mantém-se a principal competência nuclear para os empregadores, mas é seguido de perto pela resiliência, flexibilidade e agilidade, e pela liderança e influência social, sublinhando o papel crítico da adaptabilidade e da colaboração a par das capacidades cognitivas; sendo que as primeiras não podem ser desenvolvidas por uma máquina.
A IA não consegue inspirar uma equipa a agir, gerir a ansiedade numa mudança difícil ou conquistar a confiança de quem hesita. No fim, as pessoas seguem estratégias, mas seguem-nas, sobretudo, porque seguem líderes.
Adaptemo-nos aos novos tempos alavancados no que nos é único e distintivo.
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