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Além disso, para 62% dos portugueses o cyberbullying continua a ser desvalorizado em Portugal, enquanto 31% considera que é parcialmente desvalorizado. A maioria defende um reforço da educação sobre o tema, sobretudo nas escolas (88%) e nos meios de comunicação social (67%).
O cyberbullying continua a ser amplamente reconhecido como um problema grave na sociedade portuguesa. De acordo com um estudo da ConsumerChoice, 95% dos portugueses considera o fenómeno sério, num contexto em que a exposição e a utilização intensiva da Internet continuam a aumentar.
A utilização digital faz hoje parte do quotidiano da maioria da população: 79% dos inquiridos afirma recorrer à Internet várias vezes por dia, sobretudo para redes sociais (82%), entretenimento, incluindo videojogos (73%), e acesso à informação (72%). Esta presença constante online contribui também para uma maior exposição a comportamentos abusivos.
Os dados mostram que 93% dos inquiridos já ouviu falar de cyberbullying, com 50% a classificá-lo como “muito sério” e 45% como “sério” em Portugal. Ainda assim, o fenómeno mantém expressão real: 56% afirma já ter testemunhado casos de cyberbullying e 18% admite ter sido vítima.
Entre as situações mais frequentes destacam-se comentários ofensivos (83%), partilha de conteúdos sem consentimento (41%), ameaças (38%) e humilhação pública (32%).
Apesar de 76% dos utilizadores se considerar informado sobre segurança online, o estudo revela um desfasamento entre conhecimento e ação. Em situações de cyberbullying, 10% admite não saber como reagir e 5% opta por ignorar o problema. Ainda assim, são utilizadas algumas ferramentas de proteção, como bloqueio de utilizadores (68%), controlo de privacidade (58%), denúncia de conteúdos (53%) e perfis privados (44%).
“Mais do que depender de ferramentas, 81% considera muito importante desenvolver uma verdadeira consciência digital”, refere o estudo, citado em comunicado de imprensa, sublinhando a necessidade de reforçar comportamentos preventivos e responsáveis online.
A formação continua, no entanto, a ser limitada: apenas 38% dos inquiridos recebeu formação em segurança online e 61% considera que falta informação sobre como agir perante situações de cyberbullying. A responsabilidade é percecionada como partilhada entre família (72%), escola (62%), empresas tecnológicas (36%), Estado (31%) e utilizadores (22%).
No que diz respeito à resposta ao fenómeno, 84% considera que a informação disponível sobre como agir não é suficientemente clara. Entre as medidas apontadas pelos inquiridos destacam-se a criação de ferramentas mais eficazes nas plataformas digitais (64%), campanhas de sensibilização (58%), maior investimento em formação (54%) e reforço do apoio psicológico às vítimas (53%).
O estudo conclui ainda que o impacto do cyberbullying é profundo e transversal, com consequências mais frequentemente associadas à ansiedade e depressão (92%), isolamento social (81%), problemas de autoestima (81%) e impacto no desempenho escolar ou profissional (67%).
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