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Há três décadas que Santa Maria da Feira recua no tempo para recriar períodos marcantes da História.
O que começou como uma iniciativa inspirada no próprio Castelo de Santa Maria da Feira tornou-se numa das maiores recriações históricas da Europa e numa marca identitária do território, capaz de mobilizar centenas de milhares de visitantes e gerar um impacto económico estimado entre 15 e 20 milhões de euros por edição.
Criada em 1996, a Viagem Medieval celebra este ano o seu 30.º aniversário, mantendo uma fórmula que assenta na reinvenção. Ao longo de 12 dias, o centro histórico da cidade e a área envolvente ao Castelo transformam-se num palco onde decorrem cerca de 80 espetáculos diários, envolvendo mais de dois mil participantes entre artistas, técnicos, associações e voluntários.
Todos os anos, o evento recria um novo período da Idade Média portuguesa, obrigando à criação de novos cenários, narrativas e espetáculos. Em 2026, a edição centra-se no Condado Portucalense e em D. Teresa, antecipando já o reinado de D. Afonso Henriques, tema da próxima edição. A renovação anual é assumida como um dos principais fatores de diferenciação da iniciativa.
Mais do que um evento cultural, a Viagem Medieval tornou-se uma construção coletiva que envolve todo o concelho. Cerca de 90% dos participantes são oriundos do território, desde associações culturais a grupos de teatro, escolas e voluntários, contribuindo para um forte sentimento de pertença e identidade local.
Fora do recinto, moradores e comerciantes participam ativamente na preparação da cidade e, este ano, responderam ao desafio de colocar pendões medievais nas varandas e janelas, reforçando o envolvimento da comunidade na celebração.
Segundo Paulo Sérgio Pais, diretor executivo da Feira Viva e da Viagem Medieval, o crescimento do evento acompanhou também a transformação do próprio território. "A conquista da Viagem é uma conquista da cultura, do entretenimento, mas, acima de tudo, da identidade e do usufruto de uma comunidade inteira", afirma.
A dimensão do evento traduz-se também no seu impacto económico. A organização estima que a Viagem Medieval gere entre 15 e 20 milhões de euros de impacto direto na região, impulsionando a restauração, hotelaria, comércio local e o movimento associativo. Só as tabernas dinamizadas pelas associações locais permitem gerar receitas que são posteriormente reinvestidas em projetos culturais, desportivos e sociais ao longo do ano.
Ao longo de três décadas, a Viagem Medieval consolidou-se também além-fronteiras. A organização considera que o evento é hoje uma das principais referências europeias na área das recriações históricas medievais em contexto urbano, distinção sustentada pelo contacto permanente com companhias e agentes culturais internacionais e pela participação em redes europeias dedicadas a este tipo de iniciativas.
Para o presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, a Viagem Medieval tornou-se uma marca incontornável da cidade e um exemplo de como a cultura pode contribuir para a transformação de um território. O autarca sublinha que o evento ajudou a reforçar a identidade local, promoveu a requalificação urbana e fez da cidade uma referência nacional e internacional, afirmando que "é impossível discutir as recriações históricas medievais na Europa sem ter presente o exemplo de Santa Maria da Feira".
Mais do que uma recriação histórica, a Viagem Medieval continua, 30 anos depois, a afirmar-se como um projeto de marca territorial, onde património, cultura, turismo e comunidade convergem para criar uma experiência que ultrapassa o entretenimento e reforça o posicionamento de Santa Maria da Feira no panorama nacional e europeu.
O evento decorre entre 29 de julho a 9 de agosto.
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