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No total, 1,39 milhões de profissionais têm uma antiguidade superior a duas décadas no emprego atual, o equivalente a 25,7% do total de pessoas empregadas. Segundo a Randstad, este indicador manteve uma trajetória de crescimento até à pandemia, tendo invertido a tendência a partir de 2020. No segundo trimestre deste ano, o valor estabilizou.
Os dados revelam também uma evolução positiva no volume de emprego. A população ativa aumentou em 53,5 mil pessoas entre abril e junho, ultrapassando, pela primeira vez, a barreira dos 5,7 milhões. Em termos homólogos, o crescimento foi de 2,2%. Já o número de pessoas empregadas cresceu em 99 mil, aproximando-se dos 5,4 milhões. A taxa de emprego fixou-se nos 58,3%. Entre os 4,57 milhões de trabalhadores por conta de outrem, 85,5% têm um contrato sem termo, enquanto os contratos a termo representam 14,5%.
O desemprego também registou uma evolução favorável. No segundo trimestre, o número de desempregados caiu em 45,5 mil pessoas, para um total de 300,8 mil. Face ao mesmo período de 2025, a redução foi de 8,7%, colocando a taxa de desemprego nos 5,3%.
Apesar da descida, permanecem desafios entre os grupos mais vulneráveis. A taxa de desemprego dos jovens entre os 16 e os 24 anos recuou para 18,3%, mas continua a ser cerca de três vezes superior à média nacional. Por outro lado, 40,2% dos desempregados estão há mais de um ano à procura de emprego.
Para Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad, os números demonstram a resiliência do mercado de trabalho português, destacando tanto o crescimento da população ativa como a estabilidade associada à permanência prolongada no mesmo emprego. A responsável considera que o próximo desafio passa por reforçar a formação contínua, de forma a acompanhar a transformação das empresas e das funções profissionais.
Depois de uma descida no início do ano, o teletrabalho voltou a crescer no segundo trimestre. Mais 33,1 mil profissionais passaram a trabalhar neste regime, elevando o total para cerca de 1,15 milhões de pessoas, ou 21,3% da população empregada.
O modelo híbrido, que combina trabalho presencial e remoto, continua a ser o mais utilizado, representando 40,8% dos casos de teletrabalho. Em termos geográficos, a Península de Setúbal e a Grande Lisboa são as únicas regiões que apresentam uma proporção de teletrabalho acima da média nacional.
Também o emprego nas administrações públicas registou um crescimento. No segundo trimestre, o setor empregava mais de 768 mil profissionais, mais 7.650 pessoas do que no mesmo período do ano anterior, correspondendo a uma subida homóloga de 1%.
A administração central concentra 75,3% destes trabalhadores. Entre os grupos profissionais com maior representação encontram-se os assistentes operacionais, operários e auxiliares. Saúde e educação continuam igualmente a assumir um peso relevante, empregando, em conjunto, 37,2% dos trabalhadores da administração pública.
No tecido empresarial, a tendência permanece positiva: só em junho foram constituídas 3.639 entidades, enquanto 793 foram dissolvidas.
Apesar da evolução favorável dos principais indicadores, os dados da Randstad mantêm em evidência alguns dos desafios estruturais do mercado de trabalho português. 29% das pessoas empregadas continuam a apresentar um baixo nível de qualificação, enquanto 36,1% têm o ensino superior completo. Entre estes últimos, a taxa de emprego chega aos 81,3%, reforçando a relação entre qualificações e participação no mercado de trabalho.
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