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A opinião de Alberto Rui Pereira
Tecnologia: fazer mais ou fazer melhor?
24 de janeiro de 2020
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Tecnologia: fazer mais ou fazer melhor?
Alberto Rui Pereira
CEO / IPG Mediabrands Portugl

Diz-nos a sabedoria popular que “o cliente tem sempre razão”. Verdade ou não, certo é que as marcas procuram sempre, e cada vez mais, satisfazer e fidelizar os seus consumidores. Assim, e com o crescente impacto da tecnologia no quotidiano, esta tendência abriu uma janela de oportunidade para as marcas que procuram melhorar a experiência dos seus utilizadores e, acrescentar valor ao seu dia-a-dia. Contudo, é preciso ter em conta que as tecnologias só se transformam em inovações se aplicadas adequadamente, pelo que, neste início de ano, fica uma reflexão sobre como as marcas estão a fazer uso da tecnologia para evoluir, com base em algumas das novidades apresentadas no Consumer Eletronic Show 2020, que teve lugar em Las Vegas no início de Janeiro.

O streaming veio mudar a forma como consumimos conteúdo, através da flexibilidade e da liberdade para escolher o que queremos ver, mas também resultou na criação de um volume de conteúdos superior àquilo que é possível a um ser humano assimilar. E uma vez que à TV ainda cabe uma fatia importante, às novas plataformas de streaming coloca-se o desafio de como se destacarem e ganharem a atenção dos consumidores.

O cruzamento e sinergia entre diferentes categorias pode vir a ser uma das soluções. Vejamos o exemplo da Disney que, através da equipa do filme Avatar, colaborou com a Mercedes-Benz no desenvolvimento de um automóvel futurista, que incorpora a estética única e a mensagem ecológica do filme. Num momento em que estão em desenvolvimento mais 3 sequências do filme Avatar, a Disney com certeza está a tirar partido desta colaboração para ganhar novos fãs.

Também os canais não tradicionais ganham cada vez maior expressão e assistimos, por exemplo, a marcas de automóveis a quererem trazer conteúdos para preencherem os novos ecrãs que os carros incorporam. Podemos ver o exemplo da BMW e da Fiat-Chrysler que estão a integrar o Fire TV da Amazon ao ecrã dos bancos traseiros. Por outro lado, contrariando a tendência das companhias aéreas de reduzirem o entretenimento a bordo, a Delta Airlines anunciou que os seus clientes poderão ter acesso aos conteúdos Delta – onde, normalmente, estão incluídos filmes antes de estarem disponíveis em streaming – logo a partir do momento do check-in. Esta estratégia mostra que estão atentos às necessidades dos seus clientes e como se podem destacar da concorrência, criando valor na experiência de voo.

Não podiam faltar soluções para a tão esperada revolução nas ofertas dos pacotes de internet e TV por cabo, que deverão descartar os contratos de longa duração para dar lugar a assinaturas mensais com subscrição de serviços à la carte, deixando espaço para alavancar a notoriedade das marcas que promovem a flexibilidade e o poder de escolha do consumidor para uma experiência mais user friendly.

Noutras áreas, muito se discute o futuro da internet of things. Certo é que tudo depende do avanço da inteligência artificial, o que significa que as marcas pouco podem fazer atualmente; no entanto, nunca é cedo para pensar em estratégias de ativação que facilitem e acrescentem valor ao dia-a-dia do consumidor, como por exemplo, a inclusão de sensores biométricos nos dispositivos, para medir a temperatura corporal ou os batimentos cardíacos, ativação por voz ou uma qualquer tecnologia preditiva que antecipe as necessidades dos consumidores.

Por fim, a inquestionável tendência tecnológica para os próximos anos, isto é, o 5G. No que diz respeito às suas capacidades para revolucionar e transformar indústrias, certo é que o tema tem vindo a esmorecer, pois ao que parece, é muito mais difícil falar sobre o 5G agora que este não é apenas mais um conceito teórico, mas algo que os consumidores esperam que as marcas transformem em produtos. No entanto, e tendo em conta o panorama atual, é importante que os profissionais separem o entusiasmo pelo 5G da realidade comercial, pelo que é necessário ajustar expectativas e “descer à Terra” para tentar compreender as aplicações que este pode ter na vida real. Simultaneamente, por terra caiu também o debate sobre as questões de privacidade e segurança, que deixaram de ser objeto de discussões acesas, para passarem a ser apenas uma necessidade processual na ação das marcas. Ainda assim, creio que a questão fundamental permanece a mesma, independentemente do valor que se lhe dá: como fazer evoluir as práticas de proteção de dados, por forma a que as marcas consigam transmitir o seu valor sem manipular ou explorar os consumidores.

Pois bem, em jeito de conclusão, é claro que o uso sistemático de dispositivos tecnológicos pode ter as suas consequências no mercado. Contudo, neste contexto, é necessário que as marcas compreendam que, na grande maioria das vezes, a solução para o sucesso não passa pelo exagero, mas sim pela adequabilidade das tecnologias à realidade dos consumidores.

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