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Poucos sabem, mas existe uma livraria no coração de Lisboa que já vende livros desde 1732 — há quase três séculos.
A Livraria Bertrand foi fundada nesse ano pelo livreiro francês Pedro Faure, que abriu a primeira loja na Rua Direita do Loreto, no bairro do Chiado. Desde então, a Bertrand manteve uma atividade ininterrupta, uma resistência notável que lhe valeu, em 2011, o reconhecimento oficial pelo Guinness World Records como a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento.
Ao longo dos séculos, testemunhou e sobreviveu a inúmeros momentos marcantes da história de Portugal. O Terramoto de Lisboa de 1755 destruiu grande parte da cidade, incluindo a livraria, mas Faure conseguiu reconstruir o negócio, e, em 1773, a Bertrand reabriu na Rua Garrett, onde permanece até hoje, consolidando-se como um ponto de referência cultural no Chiado.
Durante o século XIX e início do século XX, a livraria tornou-se muito mais do que um espaço comercial, era um local de encontro para escritores e intelectuais portugueses. Nomes como Alexandre Herculano, Eça de Queirós, Antero de Quental e Ramalho Ortigão eram visitas habituais, trocando ideias, discutindo literatura e explorando novidades editoriais, o que tornou a Bertrand num núcleo vibrante da vida cultural e literária portuguesa.
Com o passar do tempo, expandiu-se além da loja original, criando uma rede de livrarias em várias cidades portuguesas, incluindo as ilhas e os principais centros urbanos. Paralelamente, desenvolveu uma atividade editorial própria, publicando obras de autores portugueses clássicos e contemporâneos. E, em 1899, lançou o famoso Almanaque Bertrand, que rapidamente se tornou numa peça de culto entre colecionadores.
Esta expansão permitiu à livraria acompanhar a evolução do mercado editorial português e consolidar-se como um espaço que promove a leitura e a cultura.
A Bertrand do Chiado não é apenas a livraria mais antiga do mundo, é também um espaço cultural vivo. O local foi renovado de forma a combinar a história com a modernidade, com salas temáticas dedicadas a grandes nomes da literatura portuguesa.
Em 2017, abriu o Café Bertrand, oferecendo aos visitantes a possibilidade de ler, socializar e participar em eventos culturais, sessões de autores, tertúlias e encontros literários.
Ao longo de quase três séculos, a livraria acompanhou a vida cultural e intelectual do país, sobrevivendo a desastres naturais, transformações sociais e evoluções tecnológicas.
Hoje, permanece como um símbolo vivo da cultura literária portuguesa.
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