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O estudo revela que, entre janeiro e março de 2026, foram registadas 1.440 reclamações no Portal da Queixa, um aumento de 8% face ao mesmo período de 2025, com a insatisfação a concentrar-se sobretudo no setor privado.
O setor da saúde em Portugal enfrenta sinais de pressão e instabilidade, segundo o Barómetro Trimestral do Estado da Saúde em Portugal – 2026, desenvolvido pela Consumers Trust Labs por ocasião do Dia Mundial da Saúde, assinalado a 7 de abril.
Os dados mostram que o setor privado concentrou 75,49% das reclamações (1.087 ocorrências), registando um crescimento de 18,93%, enquanto o setor público apresentou uma redução de 15,55%, com 353 reclamações. A qualidade do atendimento clínico mantém-se como o principal motivo de queixa no setor privado (39%), mas destaca-se também o aumento das questões financeiras e de cobrança (24,62%), refletindo consumidores mais atentos e exigentes.
Apesar da diminuição global de reclamações no setor público, os problemas persistem. A qualidade do atendimento clínico representa 56,85% das queixas registadas, com constrangimentos concentrados na prestação de cuidados essenciais e acompanhamento insuficiente. Alterações no acesso aos cuidados, como a Linha SNS24 e o programa “Ligue Antes, Salve Vidas”, explicam em parte a redução das reclamações neste setor.
As urgências continuam a ser um dos principais focos de tensão, representando 17,30% das reclamações enquadradas em cenário de urgência. A especialidade de Obstetrícia lidera em volume de queixas (29,82%), seguida da Pediatria (10,53%), evidenciando persistentes constrangimentos em áreas sensíveis. A reorganização das urgências a nível regional, iniciada em 2026, tem gerado contestação social e preocupação quanto à capacidade de resposta das unidades concentradoras.
O perfil dos reclamantes revela predominância feminina, com 67,48% no setor privado e 59,48% no público, e uma faixa etária entre os 35 e os 44 anos como a mais ativa, refletindo utentes digitalmente informados, exigentes e com baixa tolerância à ineficiência.
Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, afirma, citado em comunicado, que “os dados do primeiro trimestre de 2026 confirmam que o sistema de saúde em Portugal atravessa uma fase de transição”. “Se por um lado se observa uma maior eficiência na gestão das reclamações no setor público, por outro, o setor privado enfrenta uma crise de crescimento, marcada por sobrecarga e aumento da conflitualidade financeira. O barómetro conclui que a satisfação dos utentes está cada vez mais dependente não apenas da qualidade clínica, mas também da previsibilidade no acesso, eficiência administrativa e transparência nos custos”, acrescenta.
Para 2026, os principais desafios identificados pelo barómetro incluem a sustentabilidade dos recursos humanos, a resolução de conflitos laborais em curso e a necessidade de reforçar a confiança dos utentes. Sem uma resposta estruturada e integrada entre os setores público e privado, alerta o estudo, o risco é a consolidação de um sistema de saúde desigual, onde o acesso e a qualidade dos cuidados dependerão da capacidade de cada cidadão em navegar – ou pagar – pelo sistema.
De notar que o Barómetro Trimestral do Estado da Saúde em Portugal – 2026 analisou 1.440 reclamações reais registadas no Portal da Queixa entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026.
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