"Nada vai ser igual." As empresas terão de ser pró-ativas

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Web Conference "The Viral Recession"
"Nada vai ser igual." As empresas terão de ser pró-ativas
22 de Abril de 2020
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"Nada vai ser igual." As empresas terão de ser pró-ativas
Francisco Branco
Jornalista e Coordenador Brands Channel
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A pandemia está a provocar uma crise sem precedentes. Qual o impacto que o coronavírus está a ter na atividade empresarial portuguesa? Foi esta a questão central da Web Conference “The Viral Recession - Consumers and Companies' Responses”, a primeira conferência transmitida no Empower Brands Channel.


Promovida pela Empower Brands Community, em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE e com o ISCTE Executive Education, este encontro on-line pretendeu avaliar o impacto que a crise provocada pelo Covid-19 está a ter na atividade empresarial portuguesa, procurando entender os desafios que a pandemia está a colocar a cidadãos e organizações.

Em 2020, o comércio mundial poderá vir a ter uma quebra entre 13% e 32%. Os dados da Organização Mundial do Comércio foram destacados logo no início por Luiz Moutinho, especialista internacional no domínio das tendências de gestão, que começou por fazer um retrato dos primeiros impactos sociais e económicos a nível mundial, evidenciando os setores mais beneficiados pela pandemia – tudo o que são plataformas de comércio online e de entretenimento têm registado grandes crescimentos – e os mais prejudicados – hotelaria, turismo, restauração, companhias áreas, etc.

Mas as respostas sociais já estão a aparecer. Tem havido cada vez mais um “focus” nacional. “Temos que ter um novo equilíbrio no comércio, menos dependência dos países asiáticos. Tem de haver um prisma geográfico diferente”, defende o também mentor do Marketing FutureCast Lab do ISCTE. “A política tem de ser mais concertada. (…) Ao nível do contexto, tem de haver maior investigação com interesse global ao nível farmacológico, ao nível da inclusão social, ao nível da saúde pública. Temos de ter uma política focada em solidariedade, especialmente em períodos de paz e prepararmo-nos para outras crises que possam acontecer como esta. Portanto, um comportamento social centrado na prestação de cuidados em áreas locais, olhando para as famílias, para as pessoas que necessitam, para a economia das pessoas mais velhas. Tudo isto é importante e a ênfase deve estar no social care e na saúde”, realçou Luiz Moutinho, que também teve oportunidade de mostrar como a tecnologia pode ter um papel essencial na resolução desta crise, através, por exemplo de robôs, que já estão inclusive a identificar pessoas com febre e sintomas de coronavírus.

A verdade é que a sociedade nunca mais vai ser igual e o mundo não vai ser igual. Nesse sentido, as marcas e as empresas terão de criar o bem-estar que as pessoas tão necessitam. E neste momento existem dois caminhos: a empresa ficar paralisada ou encontrar um papel mais criativo. Mas como criar esse ambiente criativo? “Tem de ser uma empresa mais flat, com uma comunicação direta, organizada em equipas pequenas e ágeis”, defende. O mundo do trabalho mudou radicalmente e as empresas têm de se adaptar, não ficando à espera que esta crise dite as suas decisões.

A conferência prosseguiu com a intervenção da fundadora da Empower Brands Commnity e Diretora Editorial do Imagens de Marca, Cristina Amaro, que realçou a importância da ideia de comunidade, de como esta está a fazer cada vez mais sentido nas nossas vidas, e de como a Empower Brands Community, que reúne já várias empresas, poderá contribuir para a valorização das pessoas, das marcas e das organizações.

Diferentes empresas de distintos setores de atividade estiveram, de resto, representadas no debate que teve lugar logo a seguir. Responsáveis de topo deram a conhecer o que pensam e o que estão a fazer nas suas próprias companhias. António Salvador, Presidente da GFK Portugal, começou por explicar o que está a acontecer ao nível de compras e de consumo – que registaram naturalmente alterações -; João Epifânio, Administrador na Altice, destacou o salto digital que as empresas foram obrigadas a fazer e o papel das telecomunicações na criação de condições do ponto de vista do comércio e do também do teletrabalho; Luís Onofre, Presidente da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, deu-nos o ponto de vista de quem está à frente de um setor mais tradicional e que, mesmo tendo dado o salto nos últimos anos a nível de inovação, tem neste momento maiores dificuldades por causa de necessidade da presença física dos trabalhadores nas fábricas; e Tiago Simões, Diretor de Marketing do Continente, que mostrou como é fundamental antecipar crises como esta, sobretudo num setor tão vital para os dias que correm como o da Grande Distribuição.

Hélia Gonçalves Pereira, do Marketing FutureCast Lab do ISCTE destacou de seguida algumas tendências e grandes áreas de impacto da Covid-19 no nosso quotidiano, olhando para o comportamento dos consumidores e para aquela que será a capacidade das empresas em reagir e agir proactivamente em função deste “novo normal”. O que esperar, então, dos consumidores após a fase de isolamento? “A pandemia mudou-nos de uma forma que pode não ser conjuntural, pode ser que esta saída seja feita de uma forma muito mais cautelosa e reservada, porque vivemos num contexto em que a incerteza está permanentemente presente. Os hábitos de consumo desenvolvidos durante o período de isolamento, a juntar à incerteza a respeito das consequências económicas da pandemia, tornarão os consumidores mais cuidadosos. O processo de compra sofrerá profundas alterações. Os consumidores vão procurar fazer as suas compras fácil e rapidamente, mas envolvido em mais e melhores experiências. Vão surgir segmentos crescentes de consumidores que reconhecem o prazer da simplicidade, tanto na vida como no consumo”, apontou a responsável.

Estamos, pois, perante uma nova mentalidade económica, que vai mudar a relação entre empresas e consumidores. “As marcas são agentes pro-ativos neste contexto. Valorizaremos as marcas que manifestem a preocupação que são as preocupações dos seus clientes. Nós queremos ter essas relações fortes e duradouras, mas com marcas com valor. (…) Os conteúdos têm de ser entendidos como valor acrescentado e não apenas como hard selling, porque com maior informação não aceitaremos marcas sem valor e sem conteúdo”, frisou Hélia Pereira.

A conferência, que encerrou com as intervenções de José Crespo Carvalho, Presidente do ISCTE Executive Education e Vicente Rodrigues do Marketing FutureCast Lab do ISCTE, que tiveram oportunidade de mostrar como a própria instituição e o ensino se adaptaram rapidamente a este novo contexto, encontra-se já disponível on-line e de forma gratuita no Empower Brands Channel, canal no YouTube dedicado ao universo das marcas. Aceda aqui.

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