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Com 11 municípios e diferentes identidades locais, o Médio Tejo procura afirmar-se como uma região sustentável, competitiva e atrativa. A estratégia passa por criar melhores condições de vida, aproximar comunidades e desenvolver projetos nas áreas da mobilidade e da cultura, com o objetivo de atrair novos habitantes e fixar talento.
“Nós queremos que as pessoas escolham o Médio Tejo porque querem escolher o Médio Tejo e não por acaso”. A ambição, expressa por Jorge Simões, secretário intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM Médio Tejo), resume um dos principais desafios da estratégia de branding territorial da região: transformar os seus recursos e a diversidade dos seus municípios numa proposta comum, capaz de gerar identificação e criar motivos para viver e trabalhar no território.
A ideia esteve em discussão no Marketing Fest, organizado pela Universidade Politécnica de Tomar, a 3 de novembro, que dedicou um dos seus painéis ao branding territorial. Para Vasco Ribeiro, docente de Marketing e mentor do evento, a iniciativa surgiu da vontade de trazer o território para o centro da conversa. “Os territórios também são marcas, também se divulgam, também se promovem, por aquilo que são os seus ativos e produtos endógenos”, explicou.
Mais do que trabalhar uma imagem ou uma mensagem, a construção de uma marca territorial implica, assim, uma intervenção sobre a própria realidade da região. No caso do Médio Tejo, isso significa articular os 11 municípios em torno de projetos que respondam às necessidades das populações e contribuam para melhorar a qualidade de vida.
Mobilidade: aproximar pessoas e municípios
Num território marcado por diferentes realidades geográficas e necessidades de deslocação, a mobilidade é uma das áreas identificadas como prioritárias para a atratividade. A CIM Médio Tejo, enquanto autoridade de transportes públicos, tem vindo a desenvolver soluções adaptadas às características da região.
Entre elas está o Transporte a Pedido, projeto da CIM Médio Tejo, cofinanciado pelo Fundo Ambiental, que procura dar resposta às necessidades de deslocação das populações, e o meioB, projeto da CIM Médio Tejo, cofinanciado pelo Portugal2030 através do Centro2030, que se trata de um sistema de utilização partilhada de bicicletas elétricas. Como explica Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo, estes são “excelentes exemplos de mobilidade específica para a nossa realidade territorial” e soluções que ajudam “a aproximar as pessoas e também as regiões”.
Através destas respostas, a estratégia procura facilitar o acesso a diferentes serviços e localidades, contribuindo para uma maior ligação entre os municípios e para melhores condições de mobilidade no quotidiano.
Cultura em rede para criar sentido de pertença
A par da mobilidade, a cultura assume um papel na forma como a região se dá a conhecer e cria ligações com quem nela vive. É neste contexto que surge o CAMINHOS – Cultura em Rede no Médio Tejo, uma iniciativa que se insere na candidatura Produtos Turísticos Integrados do Médio Tejo 2030, da CIM Médio Tejo, cofinanciado pelo FEDER, através do Centro2030, e que leva programação cultural aos diferentes municípios e procura aproximar as comunidades de propostas artísticas e culturais.
Na perspetiva de Manuel Jorge Valamatos, o projeto constitui “um palco único para toda a região”, reunindo “uma diversidade de acontecimentos culturais importantes no contexto dos onze municípios”. O responsável destaca ainda o impacto destas experiências no sentimento de pertença: quem participa “sente-se orgulhoso do seu território” e acaba por se tornar “um excelente embaixador daquilo que melhor acontece no nosso território”.
Ao levar diferentes propostas culturais a vários pontos da região, a iniciativa procura também alargar públicos e criar experiências partilhadas. Uma dimensão que ganha particular relevância quando o objetivo passa por aproximar os mais jovens do território e criar motivos para que reconheçam nele um lugar onde podem construir o seu futuro.
O desafio de atrair talento e fixar população
A mobilidade e a cultura são exemplos de uma estratégia mais abrangente, que procura responder à necessidade de criar melhores condições para os jovens, apoiar as empresas e fixar população. Para Manuel Jorge Valamatos, o trabalho desenvolvido pela comunidade intermunicipal deve contribuir para “criar melhores condições de vida para os nossos jovens” e “melhores condições para as empresas e para fixar pessoas”.
A ambição passa, por isso, por fazer com que a identidade comum dos 11 municípios se traduza em respostas concretas para quem já vive na região e em oportunidades para quem poderá vir a escolhê-la.
Num território que procura afirmar-se para além das suas fronteiras municipais, a construção de uma marca comum depende também da capacidade de trabalhar em conjunto e de criar experiências e condições que reforcem a ligação das pessoas ao lugar onde vivem. O objetivo, como sintetiza Jorge Simões, é que a escolha do Médio Tejo seja cada vez mais uma decisão consciente.
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