Quando o tempo acaba: Estamos preparados para o que AI vem?

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A opinião de Hugo de Oliveira
Quando o tempo acaba: Estamos preparados para o que AI vem?
8 de Maio de 2026
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Quando o tempo acaba: Estamos preparados para o que AI vem?
Hugo de Oliveira
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Há poucos dias deparei-me com um vídeo de Eric Schmidt que não consegui esquecer. Ele afirmava com total naturalidade que, "dentro de um ano, a maioria dos programadores será substituída por inteligência artificial. E que, dentro de seis anos, teremos sistemas mais inteligentes do que a soma da inteligência humana."


A esta afirmação, chamou-lhe o “consenso de São Francisco”, tendo em conta que todas as empresas de AI dessa região concordam com tal previsão. Disse-o como se fosse evidente. Mas neste texto não é o meu objetivo discutir se esta previsão está certa ou errada... A questão relevante é outra: Estaremos mesmo a discutir o que interessa?


Uma revolução que não conseguimos parar


As grandes transformações da história partilharam um elemento comum: Tempo.


A revolução industrial, a eletrificação ou a internet trouxeram disrupção, mas também criaram um espaço para adaptação, para conseguir encontrar uma resposta, e para eventuais correções. Neste caso (AI) esse tempo e espaço poderá já não existir. A diferença desta vez está na velocidade que não tem paralelo na nossa História recente.


Não falamos de décadas. Falamos de anos… e até de meses.


E, no entanto, continuamos a operar com sistemas desenhados para um ritmo de mudança completamente diferente. As democracias são lentas. Os sistemas legais são lentos. A educação é lenta. Durante muito tempo, isso foi uma característica desejável, mas hoje, começa a revelar-se uma fragilidade.


Os refúgios menos óbvios


Há uma ideia que merece ser considerada com atenção: As profissões mais resilientes da próxima década podem não ser as mais tecnológicas. Podem ser precisamente o oposto, como a construção, eletricidade, canalização, dança, fisioterapia, artesanato. Atividades que dependem do corpo, da presença, da execução no mundo físico. Funções que criam, reparam ou transformam algo tangível.


Não se trata de trabalhos menos qualificados. Trata-se de trabalhos cuja natureza é profundamente humana.

E é essa característica que poderá torná-los mais difíceis de replicar à escala. Esta não é uma visão nostálgica. É uma reflexão prática.


Para quem tem margem de escolha, talvez faça sentido reavaliar o que entendemos por “trabalho com valor”. Não apenas em função do que a inteligência artificial não consegue fazer, mas também em função do tipo de contributo que queremos dar.


O problema da educação que ninguém quer falar


Há, no entanto, um ponto particularmente sensível: O sistema educativo poderá não estar preparado para este novo contexto.


Durante décadas, privilegiámos modelos assentes na memorização, na repetição e na execução. Seguir regras, responder corretamente, encaixar num determinado padrão. São precisamente estas capacidades que a inteligência artificial está a reproduzir com maior eficiência e escala. Aquilo que ficou para trás foi o desenvolvimento do pensamento crítico. A capacidade de questionar, interpretar, analisar e construir raciocínio. A capacidade de identificar incoerências e de explorar novas perspetivas. Estas não são competências acessórias, são competências estruturais.


Atualmente, qualquer pessoa com um smartphone, tem “resposta” para tudo e não precisa de memorizar, ou ter repetido qualquer execução.


Num contexto em que a tecnologia se torna cada vez mais poderosa, a diferença estará menos no acesso à informação e mais na forma como essa informação é utilizada. Quem se destacar não será necessariamente quem sabe mais, será quem pensa melhor, quem sabe formular as perguntas certas, avaliar respostas e utilizar a inteligência artificial como extensão do seu raciocínio.


Uma nota final


Quando se fala de superinteligência num horizonte de seis anos, é legítimo reconhecer que não temos ainda um enquadramento claro para compreender o que isso significa. Não existe um paralelo histórico direto, nem um referencial cultural ou conceptual suficientemente sólido. E isso levanta uma questão essencial: Estamos perante uma transformação que evolui mais rapidamente do que a nossa capacidade de interpretação e de resposta institucional. 


Assim, não se trata de saber se esta transformação vai acontecer, mas sim de perceber se conseguiremos agir com clareza enquanto ainda temos margem para o fazer.... Porque essa margem irá desaparecer mais cedo do que pensamos.

 

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