Paulo Pimenta e Laura Carrilho tiveram a ideia de abrir os pequenos-almoços dos hotéis a toda a gente. Conheça o projeto

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Paulo Pimenta e Laura Carrilho tiveram a ideia de abrir os pequenos-almoços dos hotéis a toda a gente. Conheça o projeto
3 de Novembro de 2026
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Em pouco mais de três meses, um cliente realizou nove reservas através do Morning Club, escolhendo sempre um hotel diferente.


Uma viagem a Paris, uma dificuldade aparentemente simples e uma oportunidade de negócio por explorar. Foi assim que nasceu a ideia de criar uma plataforma que permite tomar o pequeno-almoço ou fazer brunch num hotel sem precisar de estar hospedado. Por detrás do Morning Club estão Paulo Pimenta, antigo CEO do KuantoKusta, e Laura Carrilho, que decidiram olhar para a hotelaria de uma perspetiva diferente.


Tudo começou em fevereiro deste ano, durante uma viagem a Paris, França. Paulo Pimenta e Laura Carrilho queriam organizar uma reunião com parceiros de negócio e aproveitar a ocasião para tomar o pequeno-almoço num bom hotel. Mas aquilo que parecia simples acabou por se revelar uma tarefa complicada.


“Entre telefonemas, e-mails e dificuldades em obter informações sobre preços e reservas, acabámos por nos perguntar: porque é que hoje conseguimos reservar praticamente tudo online, mas não um pequeno-almoço num hotel?”, recordam.


A pergunta não ficou esquecida quando regressaram a Portugal. Os dois decidiram perceber se o mesmo problema existia por cá e contactaram vários hotéis no Porto. A resposta confirmou que havia uma oportunidade por explorar: “Os hotéis já têm espaços fantásticos, excelentes pequenos-almoços e toda a estrutura preparada. Ao mesmo tempo, muitas pessoas nem sequer sabem que podem tomar o pequeno-almoço num hotel sem estarem hospedadas”.


“Foi aí que vimos uma verdadeira oportunidade”, explicam. E assim começou a ganhar forma o Morning Club.


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Dois percursos diferentes, uma oportunidade em comum


A criação do projeto juntou duas experiências profissionais distintas, mas complementares.

Paulo Pimenta tem mais de 20 anos de experiência nas áreas do comércio eletrónico e dos marketplaces. Foi fundador e CEO do KuantoKusta durante 21 anos, acompanhando de perto a evolução do comércio digital em Portugal e a forma como a tecnologia pode aproximar consumidores e empresas.


Laura Carrilho tem experiência no setor imobiliário e trabalhou numa empresa especializada na comercialização de caixas de experiências.


“O Morning Club nasceu da combinação de dois percursos profissionais bastante diferentes, mas muito complementares”, explicam.


Nenhum dos dois vinha diretamente da hotelaria. Mas, para os fundadores, essa distância em relação ao setor acabou por ser uma vantagem: “Não vínhamos diretamente da hotelaria, e talvez isso até tenha sido uma vantagem. Olhamos para o setor com os olhos de consumidores e identificámos uma oportunidade que ainda não estava verdadeiramente explorada”.


A experiência de Paulo na construção de marketplaces e o conhecimento de Laura na comercialização de experiências deram forma a uma proposta que procurava responder a uma necessidade dos consumidores e, simultaneamente, criar um novo canal de vendas para os hotéis.


Mas convencer os primeiros parceiros não foi imediato: “Um dos maiores desafios foi conseguir que os primeiros hotéis acreditassem num conceito que ainda não existia no mercado português e para o qual também não encontrávamos uma plataforma semelhante na Europa”.


Estavam a apresentar “uma nova forma de vender pequenos-almoços, sem histórico de reservas, sem clientes e com uma plataforma ainda em desenvolvimento”, afirmam.


A equipa tinha ainda de construir a tecnologia e compreender as necessidades operacionais dos hotéis, garantindo que a experiência de reserva fosse simples para o consumidor: “O desafio era conseguir fazer tudo isto com uma equipa muito pequena e num espaço de tempo reduzido”.


Um novo canal de vendas para a hotelaria


O Morning Club permite reservar pequenos-almoços e brunches em hotéis sem necessidade de alojamento. O processo é feito online: basta escolher o hotel, a data, o horário e o número de pessoas, com confirmação imediata da reserva. “Para os clientes, queremos que tudo seja o mais simples possível”, explicam os fundadores.


Do lado dos hotéis, a proposta passa por rentabilizar uma estrutura que já existe, aumentar a faturação e chegar a consumidores que, de outra forma, poderiam nunca entrar naquele espaço.


A oportunidade poderá ter uma dimensão significativa. Segundo estimativas do Morning Club, os hotéis premium portugueses têm cerca de 20.400 lugares de pequeno-almoço vazios todos os dias, o que representa uma potencial receita por captar de 550 mil euros diários. A empresa estima que este mercado possa ultrapassar os 200 milhões de euros por ano, tendo por base um universo de 432 hotéis premium e um valor médio de 27 euros por pessoa registado na plataforma.


O modelo de negócio não implica mensalidades nem exclusividade. Cada hotel continua a definir os seus preços, horários e disponibilidades, enquanto o Morning Club recebe uma comissão apenas quando existe uma venda.


“Para os hotéis, criámos um novo canal de vendas que lhes permite receber clientes externos, aumentar a faturação e aproveitar melhor uma estrutura que já existe”, destacam.


“Outra decisão importante foi apostar desde o início numa tecnologia própria”, explicam os fundadores, denotando que se trata de uma opção que lhes permite “controlar a experiência de reserva, desenvolver novas funcionalidades e preparar a plataforma para crescer sem depender de soluções externas”.


A ambição passa também por alargar a oferta a experiências complementares, como acesso ao spa, piscina ou massagens. A ideia é que um pequeno-almoço possa ser o início de uma experiência mais completa.


“O nosso objetivo é criar valor para todos: clientes, hotéis e plataforma”, sublinham.


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Das primeiras reservas à ambição internacional


As primeiras reservas foram um momento particularmente importante para os fundadores: “Até aí tínhamos uma ideia, uma plataforma e hotéis que acreditavam no projeto. Mas foi quando começaram a chegar os primeiros clientes que percebemos que estávamos a transformar essa ideia num negócio real”.


Outro sinal de que a proposta estava a conquistar o seu espaço surgiu com a repetição das experiências: “Começámos a ver clientes a regressar para uma segunda, terceira e até mais experiências. Isso mostrou-nos que não estávamos apenas a despertar curiosidade por um conceito novo, mas a criar algo que as pessoas queriam repetir”.


Um dos exemplos que destacam é o de um cliente que, em pouco mais de três meses, realizou nove reservas através da plataforma, sempre em hotéis diferentes.


A adesão dos consumidores também se reflete nas avaliações: o Morning Club apresenta uma classificação média de 4,8 em cinco, com 83% das avaliações a atribuírem a nota máxima.


Do lado dos hotéis, os primeiros resultados também parecem confirmar o interesse na proposta. Em pouco mais de três meses, a plataforma reuniu quase 50 hotéis e ultrapassou as 250 reservas, que levaram mais de 600 pessoas a desfrutar de pequenos-almoços nos hotéis parceiros. O valor médio por reserva é de 66 euros.


Existem ainda mais de 40 hotéis que já deram luz verde para integrar a plataforma, estando a adesão a ser feita progressivamente.


“Queremos crescer rapidamente, mas sem nunca perder a qualidade da experiência”, afirmam os fundadores.


A expansão já começou. Depois de arrancar no Porto e em Gaia, em julho, o Morning Club chegou a Lisboa, Cascais e Algarve em setembro e lançou entretanto a operação na Madeira.


Mas os planos vão além do mercado nacional: “A internacionalização faz parte dos nossos planos já para 2027. Desde o início que pensámos o Morning Club como um conceito que pode ser replicado noutros países, e acreditamos que existe uma oportunidade muito interessante no mercado europeu”.


Em paralelo, os fundadores estão a desenvolver o Morning Club Business, uma vertente dedicada às empresas, com propostas para pequenos-almoços de trabalho, reuniões, encontros com clientes e experiências para colaboradores.


O pequeno-almoço continuará a ser o ponto de partida, mas a ambição é maior: “O pequeno-almoço é a nossa porta de entrada para algo maior”, afirmam.


A ideia passa por criar uma nova forma de descobrir e viver os hotéis, mostrando que estes podem ser muito mais do que lugares para passar a noite.


O que começou com uma dificuldade durante uma viagem a Paris transformou-se numa oportunidade de negócio. Paulo Pimenta e Laura Carrilho querem agora levar essa ideia a novos mercados e provar que, afinal, não é preciso estar hospedado para descobrir o que um hotel tem para oferecer.


Mas, para os fundadores, a tecnologia, por si só, não chega. O sucesso depende também da construção de relações de confiança com os hotéis e da qualidade das experiências proporcionadas aos clientes. É essa combinação que querem preservar à medida que o Morning Club cresce.

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