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A opinião de Nuno Crispim
Passar as passas do Covid
5 de maio de 2020
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Passar as passas do Covid
Nuno Crispim
Diretor de Marketing Vitacress

Na passagem de ano 2019/2020 muitos terão feito as suas resoluções de ano novo com o típico misto de ambição e o descanso que vem da baixa probabilidade de as concretizar. Ainda assim, o trimestre que se seguiu apanhou-nos de surpresa e veio mudar-nos, quem sabe para sempre.

 

1.  O choque do isolamento social

 

De repente, fomos ver o que tínhamos na despensa e no frigorífico, fizemos umas contas de cabeça e achámos que estávamos tranquilos no departamento do papel higiénico e das armas (ao contrário dos australianos e norte-americanos), mas que se calhar umas conservas a mais não faziam mal. As vendas dos supermercados dispararam 100%, houve rupturas ocasionais de stock, mas (quase) nada que não fosse rapidamente reposto. Pessoas solteiras subscreveram finalmente o Netflix para passar o tempo; pessoas com filhos pequenos subscreveram uma pequena oração para os aguentarem.

 

2.  O confinamento:

 

À  medida que a ficha foi caindo fomos ficando por casa, adoptando novos hábitos de consumo: nas cidades em particular, passámos a (tentar) encomendar tudo para entrega ao domicílio, sendo confrontados com prazos de entrega incertos, algures entre o daqui a muito tempo e o Natal. Para outras compras redescobrimos a mercearia local, a peixaria, o talho. Comprámos farinha e descobrimos que havia vários tipos de fermento: tornámo-nos padeiros, iogurteiros, pasteleiros, cozinheiros, professores, assistentes educativos, etc.

 

3.  A abertura aos bocadinhos:

 

Da mesma forma que já estávamos em casa quando ainda não era preciso, parece que também começámos a sair quando ainda não era suposto. Houve quem decidisse que já tinha dado para o peditório do Covid, que tendo evitado a hecatombe do arranque tardio em Espanha ou Itália, contribuiria agora para testar as consequências de uma abertura precoce, assim fazendo serviço público para o resto do mundo.

 

Ao mesmo tempo que as entregas dos grandes retalhistas reduziram o prazo de entrega para menos de um mês, também as visitas ao supermercado regressaram. Cansados de uma dieta mais focada nos básicos, sem ideias ou paciência para cozinhar, a lista de compras tornou-se mais variada e menos pesada.

 

Apesar de muitos terem continuado a trabalhar fora de casa, será agora com a abertura progressiva dos negócios entretanto encerrados que vamos começar a sair da toca, por exemplo devolvendo ainda que uma pequena parte da anterior procura a restaurantes (agora em take away ou com entregas no escritório), ou nos transportes, onde serão agora os portugueses a tomar o lugar dos estrangeiros no uso de trotinetes e bicicletas eléctricas, fugindo aos aglomerados do metro e dos autocarros, assim estas empresas saibam adaptar a oferta a estes novos clientes.


 

Nas empresas, umas começarão com avanço, como as seguradoras que reduziram os prémios reconhecendo a baixa sinistralidade da fase que passou, ou as que apoiaram os seus colaboradores em teletrabalho com o envio de kits anti covid, cabazes de vegetais ou até cadeiras ergonómicas para casa. Outras começam com atraso, como os retalhistas que demoraram mês e meio a entregar as compras, as escolas e creches que, mesmo colocando o seu pessoal em layoff, mantiveram de forma autista as mensalidades aos pais, os bancos que ainda exigem a presença física ao balcão para trocar uma simples morada (!) ou as que viram na necessidade pública uma oportunidade de inflacionarem preços.

 

Se as grandes empresas já tinham as suas práticas de higiene bem estruturadas e certificadas, chegou agora a vez de as pequenas também o fazerem e, principalmente, o comunicarem: teremos barbeiros por marcação, turismos de habitação com quartos em quarentena voluntária para que estejam “frescos” para os clientes seguintes, lavandarias a comunicar com que temperatura lavam a roupa dos clientes, etc.

 

Confiança

 

No fim do dia, esta é a palavra que resume o que se perdeu e o que estará na base da recuperação. Foi com um misto de sorte, engenho e trabalho que o castelo de cartas que é a economia mundial não desabou. A cadeia alimentar, em particular, mostrou-se resiliente, apesar dos portos e aeroportos terem largamente fechado e de os défices externos nesta matéria serem gritantes. Os sistemas de saúde, nuns países melhor, noutros pior, mantiveram-se. Os sistemas políticos, de segurança e serviços públicos (água, energia, limpeza) também. São as pedras basilares, às quais dávamos pouca importância e que nesta fase aplaudimos à janela. Foram e serão fundamentais para encarar a recuperação como possível e uma potencial segunda vaga com a eventual naturalidade de quem já sobreviveu à primeira.

 

Mas há mais, muito mais para recuperar e adaptar. Todas as empresas sem excepção vão ter de se colocar nos sapatos dos seus clientes e pensar sobre o que

 

é  que mudou do lado de lá, agora que os seus consumidores passaram a estar preocupados com a sua própria mortalidade. Não é só uma questão de cumprir legislação, que por definição estabelece apenas o mínimo olímpico. É sim para poderem ir tão longe quanto possível e encontrarem nestas novas preocupações novas formas de se diferenciarem.

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