Metade das empresas promete maturidade tecnológica em 2026, mas só 11% lá chegou

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Metade das empresas promete maturidade tecnológica em 2026, mas só 11% lá chegou
5 de Março de 2026
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É esta uma das conclusões do Global Tech Report 2026, estudo internacional da KPMG que analisa decisões tecnológicas em 27 países.


A maioria das organizações a nível mundial continua distante do nível mais elevado de maturidade tecnológica, apesar do aumento do investimento em transformação digital e Inteligência Artificial.


Segundo o relatório, divulgado em comunicado, 50% dos executivos acredita que as suas organizações poderão atingir o nível máximo de maturidade tecnológica até ao final de 2026. No entanto, apenas 11% afirma já se encontrar nesse patamar, evidenciando um desfasamento entre ambição e execução.


O estudo identifica também desafios estruturais. Mais de 53% das empresas refere não dispor ainda do capital humano necessário para cumprir os objetivos de transformação, enquanto 63% admite que o custo associado à correção da chamada dívida técnica está a limitar novos investimentos. Além disso, 69% indica ter feito compromissos em áreas como segurança ou normalização de dados para acelerar projetos e reduzir custos.


A Inteligência Artificial é um dos principais eixos analisados. De acordo com o relatório, 88% dos executivos afirma estar a investir na integração de “agentic AI”, sistemas capazes de executar tarefas de forma autónoma dentro das organizações. Ainda assim, apesar de 74% declarar que a IA já gera valor, apenas 24% consegue demonstrar retorno consistente do investimento em múltiplos casos de utilização.


O estudo refere igualmente que 58% dos executivos considera que os modelos tradicionais de cálculo de retorno (ROI) são insuficientes para avaliar projetos de IA, e 55% reconhece dificuldades em comunicar esse valor a stakeholders e acionistas.


Em declarações incluídas no estudo, Rui Gonçalves, Partner e Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal, afirma: “A transformação tecnológica entra numa fase decisiva, pois já não se trata apenas de investir em novas ferramentas, mas de garantir que existem bases estruturadas (dados, arquitetura, talento e governance) que permitam escalar a tecnologia de forma sustentável e com impacto real na competitividade e no negócio”.


O responsável acrescenta que a aceleração da Inteligência Artificial exige fundamentos sólidos: “A aceleração da Inteligência Artificial e da automação, sem uma base sólida de dados, de governance e de arquitetura tecnológica, poderá agravar riscos operacionais e dificultar a demonstração de retorno”.


Embora o estudo não apresente dados específicos para Portugal, as conclusões são enquadradas num contexto de desafios ao nível da produtividade, escala e talento especializado, fatores considerados determinantes para a competitividade futura das empresas.

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