
Newsletter
Pesquisa

O “Luz da Tapada” é um vinho que resulta de um projeto-piloto em Lisboa que combina produção agrícola e energia renovável. Os ensaios apontam para uma redução dos danos provocados pelo calor nos cachos.
A Galp e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) apresentaram o “Luz da Tapada”, que identificam como o primeiro vinho português produzido a partir de uvas cultivadas sob uma instalação agrovoltaica. O projeto, desenvolvido na vinha do campus do ISA, em Lisboa, estuda a possibilidade de utilizar o mesmo terreno para produzir alimentos e gerar energia solar.
A edição experimental reúne 400 garrafas da casta Encruzado: 200 produzidas com uvas cultivadas sob os painéis e outras 200 provenientes da parcela de controlo, a céu aberto. Esta comparação permite acompanhar os resultados das duas condições de cultivo.

Ao longo de dois anos, os investigadores estudaram o efeito da instalação nas castas Viosinho e Encruzado. Segundo os dados divulgados, a radiação solar na zona protegida diminuiu entre 35% e 50%, enquanto as folhas registaram temperaturas médias entre 1,5 e três graus mais baixas do que na parcela de controlo.
A proteção contra o escaldão dos cachos foi um dos resultados destacados. Em 2025, na casta Encruzado, a incidência destes danos passou de 31,2% na parcela a céu aberto para valores entre 2,3% e 5,2% sob os painéis. Na Viosinho, também se verificou uma redução expressiva.
Os ensaios revelaram ainda uma maturação mais lenta das uvas. Em 2025, a colheita na área protegida ocorreu entre 10 e 22 dias depois da parcela de controlo. Para Carlos Lopes, professor do ISA e representante da equipa de investigação, este efeito pode ser relevante para adaptar a viticultura a temperaturas mais elevadas e a vindimas progressivamente antecipadas.
A instalação integra 288 painéis fotovoltaicos, distribuídos por 12 estruturas móveis numa área de cerca de 1.700 metros quadrados. De acordo com os promotores, a energia destina-se ao autoconsumo e permite responder a cerca de 25% do consumo energético do campus. A altura dos painéis possibilita a circulação de pessoas e equipamentos e a manutenção das operações agrícolas.
A Galp está também a testar a tecnologia em culturas de maçã e mirtilo, nas regiões Oeste e Norte. O objetivo é avaliar o comportamento destas soluções em diferentes culturas e condições, aprofundando o conhecimento sobre o seu contributo para a proteção das plantas e a adaptação às alterações climáticas.
Artigos Relacionados
fechar

O melhor do jornalismo especializado levado até si. Acompanhe as notícias do mundo das marcas que ditam as tendências do dia-a-dia.
Fique a par das iniciativas da nossa comunidade: eventos, formações e as séries do nosso canal oficial, o Brands Channel.