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A 22ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal para as Mulheres na Ciência distingue investigações inovadoras nas áreas do cancro, doenças autoimunes, energia sustentável e biotecnologia.
A L’Oréal Portugal e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) acabam de anunciar as vencedoras da 22.ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal para as Mulheres na Ciência. Ana Esteves (FEUP), Cláudia Martins (i3S/UP), Fátima Santos (FEUP) e Inês Alves (i3S/UP/UA) são as vencedoras, selecionadas entre dezenas de candidaturas, pela relevância e impacto dos seus projetos na saúde e na sustentabilidade.
Promovida em estreita parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a iniciativa atribui a cada uma das vencedoras um prémio individual de 15 mil euros, num investimento total de 60 mil euros que visa viabilizar a execução destes projetos
promissores.
A 22ª cerimónia de entrega das medalhas decorreu esta quarta-feira, 16 de setembro, no Teatro da Luz, em Lisboa. O evento reuniu figuras de relevo do ecossistema científico, académico e institucional, como Madalena Alves (Presidente do Conselho Diretivo da FCT), Elvira Fortunato (Professora Catedrática da Nova FCT) e a Eurodeputada Lídia Pereira. O júri científico foi presidido pelo investigador, físico e Professor Catedrático, Alexandre Quintanilha.
A iniciativa contou ainda com duas mesas-redondas: uma sobre “Ciência com impacto: como transformar conhecimento em inovação e competitividade”, que reuniu convidados para debater a valorização do conhecimento na sociedade e na economia, e outra focada no tema “Os projetos distinguidos: um novo passo num percurso desafiante”, que juntou as cientistas premiadas para partilharem os seus percursos e as perspetivas futuras das suas investigações.
Criado globalmente em 1998 pela L’Oréal e pela UNESCO, e adaptado para Portugal em 2004 através da parceria com a FCT, o For Women in Science nasceu com a missão de combater a sub-representação feminina na investigação e eliminar as barreiras de género que travam o progresso científico.
Embora dados recentes em Portugal revelem uma paridade encorajadora no número de mulheres doutoradas e no acesso inicial à carreira de investigação, a disparidade persiste no acesso a posições de topo na academia, na liderança de instituições e no financiamento de longo prazo para projetos independentes.
Foi precisamente com o intuito de dar continuidade a esta missão internacional, mas a uma escala nacional, que nasceram as Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência.
Promovida em conjunto com a FCT, a iniciativa tem distinguido anualmente investigadoras com projetos promissores nas áreas das Ciências, Engenharias e Tecnologias aplicadas à Saúde e ao Ambiente, assegurando que o talento feminino em Portugal se traduz em soluções concretas para a sociedade.
“Ao longo de mais de duas décadas, este programa tem sido um catalisador do valor que a ciência no feminino gera para a sociedade. Celebramos esta 22ª edição com a convicção reforçada de que o progresso da sociedade e o futuro da inovação dependem do talento sem barreiras de género. Ao apoiar estas quatro investigadoras, estamos a investir no conhecimento que transforma o país e a dar-lhes a autonomia, os recursos e o palco necessários para consolidarem os seus percursos. O trabalho notável que desenvolvem diariamente demonstra não só que a ciência precisa do olhar e da liderança das mulheres, mas também que é através dele que encontramos respostas para os maiores desafios do nosso tempo. É um enorme orgulho para a L’Oréal
continuar, em parceria com a FCT, a impulsionar jovens cientistas que inspiram o futuro e fazem avançar Portugal”, afirma Gonçalo Nascimento, Country Coordinator da L’Oréal em Portugal, citado em comunicado.
Os projetos e respetivas cientistas distinguidas na 22ª edição
Ana Esteves – LEPABE, Faculdade de Engenharia da Universidade do
Porto
Procura identificar novas estratégias que tornem a produção de microalgas mais eficiente, sustentável e economicamente viável, abrindo caminho à utilização destes organismos em larga escala pela indústria. O projeto explora o efeito combinado de diferentes espetros de luz e frequências sonoras para promover o crescimento e induzir o agrupamento natural das microalgas, facilitando a sua separação da água com menor consumo de energia e sem aditivos químicos. Numa fase posterior, integrará modelos de inteligência
artificial para otimizar os processos no âmbito da bioeconomia circular.
Cláudia Martins – i3S, Universidade do Porto
Estuda uma nova forma de combater as células cancerígenas residuais de glioblastoma – o tumor cerebral maligno mais frequente e agressivo em adultos – que permanecem no cérebro após a intervenção cirúrgica. A investigadora desenvolve um pequeno implante concebido para ser colocado no local onde o tumor foi removido, atuando como um reservatório inteligente de
medicamentos. O dispositivo combina a libertação faseada e localizada de quimioterapia, o bloqueio dos mecanismos de resistência celular e uma terapia inovadora para travar a proliferação tumoral.
Fátima Santos – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Centra-se no desenvolvimento de uma nova geração de células fotovoltaicas sensibilizadas por corante (DSSC) capazes de captar a luz ambiente existente em espaços interiores (casas e escritórios) e transformá-la em eletricidade. Através do projeto TAMODI, a tecnologia pretende alimentar dispositivos de baixo consumo energético e sensores da Internet das Coisas (IoT) sem depender da substituição de baterias, podendo ser integrada em superfícies como janelas para rentabilizar a luz interior e exterior.
Inês Alves – i3S, Universidade do Porto
Glicoimunologista, pretende identificar as alterações dos açúcares que envolvem a superfície celular dos tecidos afetados pelo Lúpus Eritematoso Sistémico e compreender de que forma contribuem para a resposta anómala do sistema imunitário. Como o lúpus afeta maioritariamente mulheres e apresenta um diagnóstico frequentemente demorado, a identificação destes padrões de açúcares alterados e anticorpos trará uma janela de oportunidade para detetar a doença numa fase precoce e evitar danos irreversíveis nos órgãos e tecidos.
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