
Newsletter
Pesquisa

A liderança com propósito esteve no centro de uma das intervenções do dia no The Branding & Business Summit, num momento dedicado ao papel dos líderes na construção de organizações mais humanas, resilientes e orientadas para o longo prazo.
Na sua talk, Rui Miguel Nabeiro, CEO do Grupo Nabeiro - Delta Cafés, partilhou uma reflexão pessoal sobre o legado familiar que molda a cultura da organização, centrando grande parte da sua intervenção na figura do seu avô, Rui Nabeiro.
“Hoje queria partilhar aquilo que era o legado do meu avô”, começou por referir, sublinhando desde logo a dimensão humana dessa herança. “Só tinha a quarta classe, mas tinha a capacidade de fazer cada pessoa sentir que importava”, afirmou, destacando a forma como a proximidade e a atenção às pessoas definiam o seu estilo de liderança.
Esse relacionamento direto estendia-se a clientes, colaboradores e famílias, num registo de proximidade constante. “Telefonava aos clientes no Natal, nos aniversários, ia aos funerais de familiares de clientes e colaboradores… aquilo que marca a vida das pessoas é quando alguém aparece quando não é esperado”, recordou. “Isto não era estratégia, era caráter — e foi isso que construiu a confiança”, frisou.
A partir desse legado, Rui Miguel Nabeiro explicou também a forma como a cultura empresarial foi sendo transmitida e incorporada dentro da organização. “Ele sentou-me na secretária quando eu era mais novo e explicou-me como analisar contratos, rentabilidade”, referiu, destacando a aprendizagem prática como base da sua formação.
Essa visão traduz-se hoje numa lógica de longo prazo na relação com clientes e equipas. “Não queremos clientes só para hoje, queremos clientes para sempre”, afirmou, sublinhando que “liderar com propósito é o que fazes quando ninguém está a ver”.
O CEO do Grupo Nabeiro destacou ainda que o verdadeiro desafio da liderança não está apenas na gestão de negócio, mas na continuidade cultural. “O meu avô tinha uma bússola interna que era a justiça como valor do negócio”, referiu, acrescentando: “Liderar uma empresa não é o mais difícil; difícil é herdar uma cultura”.
Nesse sentido, sublinhou que o crescimento empresarial deve ser sempre acompanhado de impacto positivo na comunidade. “Quando uma empresa cresce, a comunidade deve crescer com ela”, afirmou.
Num plano mais pessoal, reconheceu também a responsabilidade de dar continuidade a esse legado num contexto mais exigente. “Hoje vivemos com mais pressão, por isso também precisei de critério. Precisava de questionar sempre: ‘Isto respeita quem nós somos?’”, referiu.
Na sua visão, a liderança não é ausência de receio, mas capacidade de agir apesar dele. “Liderar com propósito não é liderar sem medo, é liderar apesar do medo”, afirmou, reforçando que a cultura empresarial se constrói de forma coletiva. “Essa responsabilidade não é de um só, é de todos na organização”.
O responsável deixou ainda claro que o elemento humano é insubstituível na construção da cultura. “Não é possível substituir uma pessoa como ele; o que se assume é a responsabilidade de continuar”, concluiu.
A intervenção terminou com a ideia de que a proximidade entre liderança e pessoas continua a ser determinante para a motivação, confiança e retenção de talento nas organizações.
Artigos Relacionados
fechar

O melhor do jornalismo especializado levado até si. Acompanhe as notícias do mundo das marcas que ditam as tendências do dia-a-dia.
Fique a par das iniciativas da nossa comunidade: eventos, formações e as séries do nosso canal oficial, o Brands Channel.