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A reparação de equipamentos tecnológicos está a tornar-se um comportamento cada vez mais enraizado entre os consumidores europeus.
Em 2025, a iServices registou 369.257 reparações em cinco geografias da União Europeia, com os smartphones a representarem mais de 90% das intervenções — um sinal claro de que prolongar a vida útil da tecnologia já faz parte das decisões quotidianas.
Num contexto em que apenas 6,9% dos materiais utilizados pela economia global regressam ao ciclo produtivo, segundo o Circularity Gap Report 2025, a reparação surge como uma das respostas mais imediatas à pressão sobre recursos, resíduos e emissões. Para a iServices, citada em comunicado enviado às redações, a circularidade tecnológica começa antes da reciclagem: começa no momento em que um equipamento é reparado em vez de substituído.
No Dia Mundial do Ambiente, cujo tema em 2026 é “Inspired by Nature. For Climate. For Our Future”, o foco está na ação climática e na necessidade de acelerar respostas práticas. Nesse enquadramento, a empresa defende que a forma como consumidores e empresas utilizam e mantêm os equipamentos tecnológicos é uma peça central desta transformação.
iPhone 11 e iPhone X lideram reparações
Os dados recolhidos pela iServices mostram que o smartphone mais reparado em 2025 nos cinco mercados europeus onde opera foi o iPhone 11, lançado em 2019. Seguiu-se o iPhone X, de 2017.
A análise de quase 370 mil reparações revela um padrão consistente: os equipamentos levados para reparação são, na maioria dos casos, modelos com vários anos de utilização, e não lançamentos recentes. Mais de metade das intervenções em iPhone incidiram sobre modelos lançados em 2019 ou antes.
No conjunto das marcas Apple e Samsung, os modelos mais reparados têm uma idade média de cerca de seis anos, contrariando a ideia de ciclos de substituição tecnológica de dois ou três anos.
Consumidores antecipam regras europeias
Este comportamento ganha ainda mais relevância num contexto regulatório em mudança. Desde 20 de junho de 2025, smartphones e tablets vendidos na União Europeia estão sujeitos a requisitos de ecodesign que exigem maior durabilidade, baterias mais resistentes, disponibilidade prolongada de peças e uma classe de reparabilidade visível na etiqueta energética, segundo a Comissão Europeia.
Os dados da iServices sugerem que os consumidores já se encontram parcialmente alinhados com esta tendência, ao prolongarem o uso dos seus equipamentos antes da substituição.
A maior parte do lixo eletrónico não é reciclada
O argumento ambiental é reforçado pelos dados do Eurostat: em 2023, a União Europeia recolheu apenas 37,5% dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos, o equivalente a 11,6 quilos por habitante. A maioria destes resíduos não entra em circuitos formais de reciclagem.
Neste contexto, adiar a substituição de um equipamento funcional reduz diretamente a pressão sobre o sistema de resíduos, evitando a geração de lixo eletrónico.
Smartphones representam 9 em cada 10 reparações
Em 2025, os smartphones representaram cerca de nove em cada dez reparações realizadas pela iServices. Seguiram-se computadores portáteis, tablets e smartwatches.
O padrão é transversal aos mercados: o telemóvel continua a ser o equipamento mais reparado, sobretudo através da substituição de baterias, reparação de ecrãs ou resolução de problemas nas portas de carregamento — avarias que, na maioria dos casos, não justificam a compra de um novo dispositivo.
Reparar já não é exceção
Para a iServices, a procura por reparação raramente depende apenas da idade do equipamento. A empresa observa que, quando o processo é acessível e o custo é proporcional ao valor do dispositivo, os consumidores optam por prolongar significativamente o seu ciclo de vida.
A decisão de reparar é, segundo a empresa, mais prática e económica do que ambiental — mas o efeito final traduz-se numa redução direta de resíduos.
Mais do que uma resposta pontual a avarias, a reparação passa a integrar a gestão normal do ciclo de vida dos equipamentos tecnológicos. Esta tendência é particularmente visível nos smartphones, com intervenções frequentes em modelos como iPhone 8, iPhone X, iPhone 11, iPhone 12 e iPhone 13.
Num cenário em que a reciclagem ainda não consegue dar resposta total ao volume de resíduos eletrónicos, a reparação e o recondicionamento surgem como mecanismos complementares para adiar a substituição e reduzir a pressão sobre recursos, energia e matérias-primas.
Os dados de 2025 indicam que, quando existe confiança no serviço e equilíbrio económico na decisão, os consumidores europeus já estão a escolher manter os seus equipamentos durante mais tempo — mesmo quando isso significa continuar a usar tecnologia com vários anos de vida.
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