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Os microdramas estão a ganhar espaço no mercado audiovisual norte-americano, levando estúdios e empresas de entretenimento de Hollywood a apostar em séries concebidas para serem vistas no telemóvel, em episódios curtos e filmados na vertical.
Segundo dados da empresa de investigação Omdia, citados pela Reuters, os microdramas deverão gerar 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,28 mil milhões de euros) de receitas nos Estados Unidos este ano, podendo aproximar-se dos 2 mil milhões de dólares em 2027. O número de utilizadores ativos mensais do formato no mercado norte-americano mais do que duplicou no último ano, passando de 26 milhões em 2024 para 66 milhões.
O formato assenta em episódios que duram habitualmente entre 45 segundos e dois minutos e que são pensados para captar rapidamente a atenção do espectador. As histórias recorrem frequentemente a cliffhangers e são distribuídas através de plataformas e aplicações de vídeo, com os primeiros episódios disponibilizados gratuitamente e o acesso posterior condicionado, em alguns casos, a subscrições semanais.
A expansão do formato tem também criado espaço para novos produtores e profissionais da indústria audiovisual. A Reuters dá conta do caso de Craig Williams, que abriu um espaço de produção em Los Angeles e acabou por transformar a atividade num negócio dedicado aos conteúdos verticais. Atualmente, o produtor opera três estúdios orientados para este tipo de produções.
Ao mesmo tempo, os grandes grupos de entretenimento começam a incorporar o formato nas suas estratégias. A NBCUniversal introduziu conteúdos verticais na aplicação Peacock no início de 2025 e lançou este verão dois microdramas de unscripted: “Salon Confessionals With Madison LeCroy” e “Campus Confidential: Miami”.
Também a Fox avançou nesta área através de um acordo com a tecnológica ucraniana Holywater Tech, responsável pela aplicação “My Drama”, para produzir mais de 200 títulos de vídeo vertical, em troca de uma participação na empresa. O movimento acompanha outras iniciativas de executivos com experiência em Hollywood, incluindo o lançamento de novas aplicações e estúdios dedicados aos microdramas.
De notar que o TikTok tem desempenhado um papel relevante na descoberta destes conteúdos. Segundo especialistas citados pela Reuters, plataformas como TikTok, Instagram Reels, Facebook e YouTube Shorts funcionam como uma espécie de montra ou “trailers” para os microdramas, encaminhando os utilizadores para as aplicações onde as séries são disponibilizadas.
O fenómeno tem ainda atraído criadores conhecidos. A atriz, argumentista e produtora Issa Rae lançou no TikTok o thriller “Screen Time”, que, segundo a Reuters, alcançou 500 milhões de visualizações num mês.
A produção destes conteúdos apresenta também custos e tempos de produção inferiores aos de formatos televisivos tradicionais. A CandyJar, uma plataforma especializada em microdramas românticos, produz séries com 50 a 75 episódios em cerca de três meses, com custos entre 100 mil e 300 mil dólares (cerca de 86 mil a 257 mil euros). Em comparação, uma sitcom tradicional de meia hora pode custar entre 2 e 4 milhões de dólares (cerca de 1,7 a 3,4 milhões de euros) por episódio, segundo os dados citados pela Reuters.
Além disso, a inteligência artificial começa também, por sua vez, a entrar neste modelo de produção. A Ironblood, plataforma dedicada a conteúdos de ação e dirigida sobretudo ao público masculino, está a utilizar IA generativa para acelerar a produção de microdramas, com projetos que podem ser concluídos em três a quatro semanas e por menos de 60 mil dólares (cerca de 51 mil euros).
A expansão dos microdramas acontece num momento de transformação da indústria audiovisual norte-americana. Enquanto o formato vertical cresce, a televisão tradicional enfrenta a redução do número de subscritores de serviços de televisão por cabo e o streaming disputa cada vez mais a atenção com plataformas como YouTube. Neste cenário, denota a agência, os microdramas surgem como um novo modelo de produção e distribuição orientado para o consumo de vídeo em dispositivos móveis.
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