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Lançada em 2022, a Rhode tornou-se rapidamente um dos casos de crescimento mais rápidos e mediáticos da indústria da beleza, alcançando 212 milhões de dólares em vendas líquidas nos 12 meses terminados em março de 2025. O seu sucesso assentou numa estratégia focada, numa comunidade digital muito ativa e numa proposta de produtos simples e consistentes.
Hailey Bieber definiu uma meta muito clara para a venda da Rhode: mil milhões de dólares. E não estava disposta a aceitar menos. Em maio de 2025, esse objetivo tornou-se realidade com a aquisição da sua marca de skincare pela e.l.f. Beauty, num negócio avaliado em até mil milhões de dólares.
Um ano depois da transação, numa entrevista à revista Time, a empresária revelou que esse valor tinha sido definido como o limite mínimo para avançar com a venda. “Tinha de ser este número. Não aceitava menos. Era um objetivo”, explicou.
Apesar do crescimento acelerado, Hailey Bieber admite que havia uma preocupação constante ao longo do percurso: o risco de a marca se tornar inacessível para os consumidores.
“Quando as marcas ficam muito hypadas, pode parecer um clube ao qual nem todos têm acesso. Isso nunca foi a intenção da Rhode”, afirmou, acrescentando que quando se esgotavam produtos, isso a deixava “em pânico, porque queria sempre que as pessoas conseguissem comprar”.
A fundadora defende que ouvir o consumidor foi — e continua a ser — um dos pilares da marca. A acessibilidade, o preço e o feedback da comunidade são, para Bieber, tão importantes como o crescimento do negócio.
Mas o caso Rhode está também a ser analisado como um exemplo para empreendedores. Para especialistas em gestão, citados num comunicado enviado às redações, a principal lição não está no valor da venda, mas na forma como o negócio foi construído.
Segundo Mary Tamvakologos, diretora de operações da AnyBusiness.com.au, o sucesso da transação não se explica apenas pela notoriedade da fundadora, mas pela estrutura do negócio.
“Muitas pessoas veem isto como um caso de celebridade. Mas a verdadeira lição está na estrutura. A Rhode tinha um posicionamento claro, uma base de clientes sólida, procura consistente e um modelo que podia ser facilmente compreendido e escalado”, refere.
A especialista sublinha ainda que os negócios mais valiosos são aqueles que não dependem exclusivamente do fundador. “Um dos maiores erros dos pequenos empresários é construir tudo à sua volta. Quando isso acontece, o negócio pode funcionar no dia a dia, mas perde valor quando chega a hora de vender”, acrescenta.
Para Tamvakologos, o caso Rhode mostra que pensar como comprador não significa querer vender de imediato, mas sim construir um negócio mais sólido e preparado para crescer.
Nem todas as empresas serão vendidas por mil milhões de dólares. Mas a lição é transversal: quanto mais simples de entender, mais fácil de escalar — e mais valioso se torna um negócio.
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