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Por Carolina Afonso
Há um elefante na sala e chama-se Digital!
26 de outubro de 2018
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Há um elefante na sala e chama-se Digital!
Carolina Afonso
Professora Universitária | Marketing Manager

A palavra "digital" neste momento já começa a ser SPAM. Não há evento, curso, livro, especialista, processo, negócio, etc, que não tenha esta palavra. O problema está na utilização que lhe é dada...sinto que estão todos a falar de tudo e de nada...e é necessário, no meu ponto de vista, maior rigor e seriedade sob pena de se conotar o "digital" com a "banha da cobra".

Mas o que é afinal o digital de que todos falam? A estratégia que tenho assistido em eventos é usarem estatísticas de estudos que falam do digital e da transformação digital (muito deles duvidosos e outros apresentam dados desatualizados ou sem fontes) e repetirem exemplos e até slides de outros oradores que ouviram noutras ocasiões falarem sobre o mesmo. Pelo meio da apresentação falam sobre inteligência artificial, IOT, omnichannel. No fim terminam com uma citação de alguém e está feito! Outras vezes empregam mal a palavra digital, pois o que queriam falar é sobre tecnologia.

Depois outro fenómeno é transportarem o “digital” para as outras áreas dentro da empresa “o digital nos RH”, o “digital na negociação comercial”, “o digital no customer care” ou então por sector, o “digital na banca”, o “digital no retalho”, e por aí fora. Como se o digital fosse queijo ou fiambre e que fica bem em qualquer sanduiche pronta a servir.

Faz lembrar um pouco os livros da Anita. E a propósito dos livros, que sobre o digital também proliferam, já faz falta no mercado o best-seller “Anita no mundo digital”.

E depois há os especialistas e os founders, outro termo da moda. Tudo personalidades do “Regresso ao Futuro” que utilizam o termo digital para tudo no seu discurso. Fica bem, soa moderno e vende. E depois há toda uma indústria a gravitar à volta deste ecossistema digital.

Como distinguir então o trigo do joio? No que aos porta-vozes desta cruzada digital diz respeito, há um fator determinante, a meu ver. Tem a ver com a credibilidade e autenticidade. Valorizo muito mais quem dá um testemunho honesto e na primeira pessoa sobre “transformação digital” e que reconhece que ainda estamos todos a “fazer o caminho” e que decide partilhar conhecimento e experiência que foi vivenciado por si (um estudo que fez, um produto que lançou, uma equipa multidisciplinar que integrou, uma campanha que implementou) e que decide partilhar o seu ponto de vista, os seus insights, o seu olhar crítico. Depois há que olhar para o background dessa pessoa. Não chega ter founder ou empreendedor no CV. Temos que perceber o seu trajeto, por onde passou, o que fez e que legitimidade tem para falar sobre o assunto.

Quem leva o tema do digital a sério sabe que o digital não é a fórmula para tudo. No que ao marketing diz respeito, o digital é um canal e tem que ser integrado na estratégia da empresa. Não tem que ser utilizado em todos os casos. Aliás um bom profissional de marketing deve ser agnóstico em relação aos canais. Os melhores canais, sejam os ditos tradicionais ou digitais são aqueles que trazem resultados para a empresa e há empresas com excelentes resultados que utilizam apenas canais tradicionais.

Resumidamente, termino tal e qual como comecei. Há um elefante na sala que se chama Digital…e já é tempo de olharmos para este “animal” com sentido crítico sob pena do digital se banalizar e se tornar uma palavra oca.



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