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A opinião de Miguel Caeiro
Empresas Familiares vs. Trabalhar com a Família.
5 de abril de 2019
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Empresas Familiares vs. Trabalhar com a Família.
Miguel Caeiro
Co-Founder e CEO SKORR

Desde o início do capitalismo que as Empresas e Grupos de origem Familiar, com a maioria do capital detido por uma, ou por várias Famílias que são uma realidade universal.

Ainda que com a legitimidade da detenção do capital, não são menores os problemas, dificuldades e mesmo as estatísticas de problemas de transição de geração nos Grupos Familiares. Existem especialistas no aconselhamento das melhores práticas do ponto de vista de enquadramento legal, regulamentos e políticas, bem como de distribuição de papeis e responsabilidades, por forma a maximizar as hipóteses de sucesso na transição entre gerações.

Muito conhecido o jargão popular que a primeira geração constrói, a segunda mantém, e a terceira destrói.

Encontramos ainda realidades diferentes no velho continente Europeu e nos EUA e Brasil, por exemplo. A fragmentação dos negócios Europeu, resultado de duas grandes guerras e da atomização de Países, resulta numa empresa média de menor dimensão que demonstrou dificuldade em resistir às crises de sucessão familiar, tendo grande parte dos grupos indo parar nas mãos do setor financeiro e segurador.

Já nos continentes americanos, pela dimensão média das empresas ser muito maior, como grandes transatlânticos à deriva, permitiram-se suportar os mesmos problemas de sucessão familiar, e ainda resistir com dimensão suficiente para surgir geração de herdeiros desta vez muito preparados nas melhores business schools e complementados com equipas de gestores de mercado, resgatando esses grupos para a nova economia, dotando-os de agilidade, modernidade e capacidade de planear um futuro mais risonho.

Ou seja, as empresas e grupos familiares têm a legitimidade legal para operar em Família, e ainda assim enfrentam problemas, dificuldades e provas de superação de exigência extrema. Contam a seu favor com tradições seculares, testemunhos de sangue, continuidade de património e rituais, que fazem o sonho de perpetuar um passado tantas vezes glorioso.

Agora imaginem os contextos em que as pessoas optam por, sempre que possível trabalhar com familiares, mesmo em contextos em que não detêm a maioria do capital dos negócios em que operam, ou mesmo no setor público. Muitas vezes, mascarado por critérios de mérito profissional, acabam por privilegiar a escolha de familiares próximos para trabalhar consigo, ou com os seus pares próximos, fazendo crer o incauto cidadão que tal escolha não teve outro critério que não a seleção de competências e qualificações. Coincidências e probabilidades à parte, claro.

Nas últimas semanas temos assistido à proliferação da revelação dos laços familiares de membros do Governo de Portugal. Sem entrar no mérito de cada um de ocupar o lugar, e de possuir qualificações académicas e profissionais para tal, trata-se acima de tudo de uma situação de vergonha nacional. Uma coisa é um caso ou outro, fruto das tais coincidências e probabilidades. Agora neste momento chegou-se ao ponto em que a promiscuidade, vazamento de informações qualificadas e de seriedade nas funções podem e devem ser questionadas pelo cidadão comum.

À mulher de César não basta ser séria.......

Lamentavelmente este triste episódio na nossa jovem democracia vai ser mascarado pelo oportunismo eleitoral da oposição que não consegue ser eficaz, e de uma fuga para a frente de um Governo que vê nas mesmas eleições do Outono a renovação fugaz para um novo ciclo de ilusão, fumos e espelhos. Mais triste quando na ausência de oposição séria, credível e de uma alternativa capaz de fazer frente, a vitória nas urnas é uma realidade que nem a melhor das videntes seria louca de contrariar.

E nesta louca grande família se vão mascarando os problemas e distraindo dos verdadeiros problemas.

Do lado empresarial, despontam dois grupos, quiçá por serem desde sempre os mais apolíticos, e de cariz familiar fortíssima, mas com regras de governance equilibradíssimas e muito profissionais na gestão da família, que levam o nome de Portugal cada vez mais longe, promovem a qualidade de vida dos seus trabalhadores muito acima da realidade nacional, e, indiferentes a estas novelas de qualidade medíocre, perseguem os seus sonhos aquém e além mar com estratégias ponderadas, sérias, profissionais. Falo obviamente da Jerónimo Martins e da Sonae.

Família, essa fortaleza, essa fraqueza, essa vitalidade, essa vergonha, esse ativo, essa fragilidade. Tudo depende do contexto, do setor, e acima de tudo da vergonha na cara de cada um.

“A man should never neglect his family for business“ Walt Disney.

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