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Um estudo elaborado pelo Fórum Económico Mundial, com o apoio da consultora Oliver Wyman, identifica quatro grandes motores desse crescimento — turismo desportivo, desporto feminino, mercados emergentes e novas formas de investimento — e alerta para desafios que podem limitar este potencial económico.
Num contexto em que a economia mundial do desporto se afirma como um setor estratégico da economia global, o relatório Sports for People and Planet estima que o setor atinja 3,7 biliões de dólares — cerca de 3,2 biliões de euros — em 2030, com perspetiva de crescimento sustentado até 2050.
No próximo fim de semana, o Super Bowl LX volta a ilustrar como grandes eventos desportivos funcionam como motores económicos, atraindo milhões de espectadores, investimento de marcas e impulsionando turismo, consumo e engagement em vários níveis. Segundo a Nielsen, uma das principais empresas mundiais de medição de audiência e análise de dados de consumo audiovisual, o Super Bowl LIX (2025) teve uma média de 127,7 milhões de espectadores nos Estados Unidos, um recorde de audiência para o evento.
Para aprofundar o tema do estudo, o Imagens de Marca conversou com Pablo Campos, presidente da Oliver Wyman Ibéria e porta-voz do relatório, que explica como o desporto se tornou um verdadeiro ecossistema global de crescimento. Na entrevista, Pablo Campos identifica quatro grandes motores que impulsionam o setor: turismo desportivo, investimento em ativos, desporto feminino e mercados emergentes.
Turismo desportivo e desporto feminino em expansão
Segundo o responsável, o turismo desportivo representa cerca de 10% da despesa mundial em viagens e poderá absorver 60% do crescimento das receitas do setor, com um aumento anual de 17,5%. “O turismo desportivo possui dois subsegmentos fundamentais. Um deles, o turismo passivo, consiste nas pessoas que vão assistir a eventos, o que tem levado a um aumento do número de eventos a nível mundial e à expansão dos eventos existentes”, explica Campos, referindo o Mundial de 2026, que já contabiliza 500 milhões de pedidos de bilhetes, sem que os preços se vejam afetados.
O turismo ativo, por sua vez, envolve quem viaja para praticar desporto ou participar em eventos não profissionais, como a Maratona de Nova Iorque, nos EUA, que reuniu 17 mil participantes na última edição, ou a de Lisboa, com todos os dorsais vendidos cinco meses antes da prova.
O desporto feminino profissional também tem registado crescimento significativo. Pablo Campos sublinha que “prevê-se que as receitas atinjam 2.350 milhões de dólares em 2025; por exemplo, a Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA de 2023 alcançou cerca de 2.000 milhões de espetadores apenas nesse evento. Existe uma concentração em torno do futebol e do basquetebol, representando cerca de 80% das receitas do desporto profissional feminino”.
Mercados emergentes e impacto social: do Dakar ao Médio Oriente
Quanto aos mercados emergentes, incluindo Índia, China e Médio Oriente, Campos destaca que estão a impulsionar fortemente o crescimento com investimentos em infraestruturas, ativos desportivos e novas competições. “A visibilidade internacional é inegável. Na região realizam-se grandes eventos internacionais em múltiplos desportos, como Fórmula 1, futebol, basquetebol, entre outros, mas também se tem investido em infraestruturas de topo em vários países. Os seus fundos soberanos estão igualmente a investir em ativos muito relevantes para o desporto a nível mundial, como o Manchester City, PSG, etc., e até estão a criar novas competições, como o Leaf Golf ou o Premier Padel”.
“Para além dessa visibilidade, há também um impacto social e económico na região. De facto, a Arábia Saudita pretende alcançar um investimento correspondente a 3% do seu PIB, criar 100.000 novos empregos e promover a atividade física dos seus cidadãos até 40%”, acrescenta.
O Dakar surge como um exemplo do impacto global descrito por Pablo Campos: não se trata apenas de um evento que capta atenção internacional, mas de um motor económico e social na região do Médio Oriente. Por extensão, é possível traçar um paralelismo com o Super Bowl nos Estados Unidos, que funciona como um palco de marcas, atrai investimentos milionários e reúne milhões de espetadores.
Desafios e oportunidades para o futuro
Mas o relatório alerta ainda para dois grandes desafios que podem limitar este crescimento: a inatividade física e as alterações climáticas. De acordo com o porta-voz do relatório, “o primeiro diz respeito à falta de atividade física”: “Segundo a OMS, em Portugal, na faixa etária entre 11 e 17 anos, 84% dos jovens não realizam atividade física suficiente, comparativamente com 78% nos países ocidentais de rendimentos elevados. Além disso, em Portugal verifica-se uma carência na prevenção, dado que apenas 3,2% do orçamento em saúde é destinado à medicina preventiva, enquanto na média da União Europeia, este valor atinge os 5,5%”.
O segundo desafio está ligado às alterações climáticas, que podem afetar eventos e infraestruturas: “O impacto negativo desta fonte poderia levar, até 2030, à perda de 14% das receitas anuais, enquanto se olharmos para 2050, este valor poderia atingir 18%”.
Apesar destes desafios, Pablo Campos acredita que existem oportunidades claras para um crescimento sustentável e inclusivo. “Para garantir essa sustentabilidade, essa inclusão e esse impacto social positivo, os diferentes atores, tanto do setor público como do setor privado, deveriam seguir três linhas de ação. Uma, promover a gestão responsável dos recursos. Duas, colocar o desporto no centro das cidades e na sua planificação urbanística. E três, ajudar a canalizar fluxos de capital para esses motores de impacto que falámos anteriormente e que constam no relatório”.
Com estas estratégias, o setor não só reforça o seu crescimento económico como também pretende gerar impacto social positivo, consolidando o papel do desporto como uma plataforma de inovação, visibilidade global e oportunidades para marcas e territórios anfitriões.
Veja a entrevista completa no vídeo acima.
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