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A opinião de Pedro Matias
É o Empreendedorismo, Estúpido!
8 de maio de 2018
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É o Empreendedorismo, Estúpido!

Quando em 1992, James Carville, o criativo e estratega da campanha presidencial de Clinton contra Bush, afixou na sede de Clinton a frase “It’s the economy” estava certamente longe de imaginar (ou não) que esta frase havia de se tornar o centro da campanha e talvez o mote que havia de levar à vitória dos Democratas e à famosa frase de Clinton: “It’s the economy, stupid”.

É certo que esta frase (estupidamente simples...) fazia parte de um conjunto de três, nas quais os estrategas de Clinton se deveriam focar: "change vs more of the same" (mudança vs mais do mesmo) e "don't forget health care" (não esquecer a assistência médica). Mas foi de facto esta frase que marcou a campanha e, passados mais de 25 anos, ainda é uma referência para inúmeros artigos.

Vem isto a propósito do tema tão antigo, e ao mesmo tempo tão em voga, do “Empreendedorismo”.

E como perceber rapidamente e de forma simples a importância deste tema e o seu real impacto na economia global?

Podíamos certamente recorrer a estudos científicos de Harvard, Stanford, INSEAD ou mesmo da reputada OCDE, mas para simplificar recorramos por uns momentos a indicadores mais modestos (mas às vezes tão mais reais) que são algumas observações empíricas tal como fazemos quando andamos de táxi (ou Uber) e perguntamos a 2 ou 3 motoristas de uma cidade como vai a economia ou quando andamos no metro e "lemos" o estado de espírito e ânimo das pessoas que ali circulam, ou ainda, quando na mercearia do nosso bairro perguntamos ao Sr. Silva “como vão as coisas”…

Existem atualmente três indicadores empíricos de forte influência na importância, centralidade e oportunidade dos temas:

1. O primeiro são os "famosos mercados”, esse personagem sem rosto mas que tanto determina na economia mundial e na vida de todos nós. Normalmente "os mercados" são dos primeiros a antecipar tendências. Porquê? Porque tão simplesmente, tal qual o tubarão que cheira o sangue no oceano a kms de distância, os mercados "cheiram" o dinheiro à distância e por isso são dos primeiros a detectar onde está o “novo El Dorado”, a “nova árvore das patacas” ou “the next big ideia” e, por esse motivo, apostam meteoricamente nas novas tendências. É por isso que a UBER foi avaliada por quase tanto quanto o valor do conjunto das empresas que integram o PSI20 português, ou porque o delicioso "Candy Crush" - quem nunca esmagou um doce que atire a primeira pedra... - foi vendido por um valor semelhante ao que serviu para capitalizar toda a banca portuguesa (sim, foram mais de 5 000 milhões de euros que injectamos nos bancos e, sim, foram mais de 5 300 milhões de euros, o quanto a Activision pagou pela King Digital/Candy Crush!). E tantos outros exemplos podiam ser dados como os valores astronómicos que giram em torno da Google, da Alibaba, da Airbnb, etc. Portugal, um país inteiro com oito séculos de história, precisou recentemente de 78 000M€ para "fugir" à bancarrota. Só o Facebook vale muito mais do dobro desse valor e não produz um único conteúdo - utiliza os nossos.

2. O segundo indicador são “os jornalistas” e o jornalismo. Com um "faro" (quase) tão apurado quanto os "mercados", apercebem-se muito rapidamente das grandes tendências, dos grandes temas e de onde está e de onde vem a tão desejada "novidade". Por isso é tão simples: quando a CNN, a Bloomberg, a Forbes, a BBC, o Expresso, a Visão, a The Economist e tantas outras começam a dedicar espaço a um determinado tema é porque ele interessa e é porque ele cria valor e vende. E nos últimos meses, não há publicação, jornal, revista, canal de televisão e até editoras que não dediquem (e felizmente) cada vez mais espaço a este tema.

3. O terceiro e último indicador são "os Políticos". Normalmente os últimos a chegar e a dar importância a muitos dos temas que interessam à economia e à sociedade mas depois tão rápidos a "calçar umas galochas" e a ir para o meio da inundação, tornado ou maldição ou a aparecerem num qualquer jornal com um papel na mão a dizer "Je Suis".

Se Marcelo Rebelo de Sousa concorresse de novo a Presidente da CML, já não mergulharia no Tejo de calção de banho. Marcelo, vestido informalmente com uma sweatshirt com capuz da Abercombie ou da Over It do português Martim Neves, "mergulharia" certamente no Centro de Inovação da Mouraria, visitaria a LX Factory e faria um comício no Hub Criativo do Beato.

Assim, no que se refere ao Empreendedorismo pode-se dizer com segurança que o tema está na ordem do dia, está no "olho do furacão" porque se "os mercados" investem; se "os jornalistas" o publicitam e se "os políticos" o apregoam é porque o tema "dá dividendos" e "stock options", “dá share" e “vendas” e "dá votos" e “eleições”.

Quer isto dizer que o "Empreendedorismo" vai finalmente mudar o tão famigerado "padrão de especialização da economia portuguesa"? É o Empreendedorismo que nos vai colocar no topo do ranking de competitividade do World Economic Forum? Talvez não, mas talvez dê uma grande ajuda.

É certo que temos a Fly London (Parabéns Fortunato Frederico), é certo que temos a Renova (Parabéns Paulo Pereira da Silva), é certo que temos a Frulact (Parabéns João Miranda), é certo que temos a Simoldes (Parabéns António Rodrigues), é certo que temos a BIAL (Parabéns António Portela) e é certo que temos a Delta (Parabéns Rui Miguel Nabeiro) e tantas e tantas outras. E é certo que temos as mais de 2000 PME Excelência distinguidas pelo IAPMEI e tantas outras importantes empresas portuguesas.

Mas quando vemos hoje em dia que a Uniplaces consegue captar 22 milhões de euros de investimento (Parabéns Miguel Santo Amaro). Que a Codacy venceu o Web Summit em Dublin o ano passado e continua a marcar posição na plateia mundial (Parabéns Jaime Jorge). Que a Unbabel está a dar cartas em Silicon Valley e no mercado mundial (Parabéns Vasco Pedro). Que a Feedzai, depois da ronda de investimento de 16 milhões de euros está a contratar mais 70 pessoas (Parabéns Nuno Sebastião). Que a Talkdesk também está a dar cartas no mercado mundial de software (Parabéns Tiago Paiva) e que até o programa televisivo Shark Tank teve um enorme impacto nas camadas jovens, ai percebemos que algo deve estar mesmo a mudar e que o Empreendedorismo não é a salvação nacional mas pode, em muito, contribuir (e está já a contribuir) para um novo movimento e a definição de um novo perfil de especialização e um Startup Portugal.

Assim, é caso para dizer aos ainda resistentes "George W. Bushs’s" que ainda não perceberam que: "É o Empreendedorismo, Estúpido!"

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