Do céu para o digital: marcas aproveitaram o eclipse para brilhar nas redes sociais (e não só)

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Do céu para o digital: marcas aproveitaram o eclipse para brilhar nas redes sociais (e não só)
13 de Agosto de 2026
Do céu para o digital: marcas aproveitaram o eclipse para brilhar nas redes sociais (e não só)
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De um pastel de nata a uma cerveja, passando por um hambúrguer, um terminal Multibanco e até clips, o eclipse solar tornou-se matéria-prima para dezenas de marcas criarem conteúdos à medida do momento.


O eclipse solar de 12 de agosto não ficou apenas no céu. Também tomou conta das redes sociais, onde várias marcas aproveitaram o fenómeno para criar conteúdos de real-time marketing que reinterpretam o Sol, a Lua e o momento de ocultação através dos seus próprios produtos, serviços e códigos de comunicação.


Em Portugal, a resposta das marcas foi particularmente visual. A RAR transformou um pastel de nata num eclipse e acompanhou a imagem com a frase “Os melhores eclipses acontecem à sobremesa”. O Lidl partiu da forma de um croissant para brincar com a expectativa criada pelo fenómeno, com a mensagem “Todos querem ver” / “Todos querem provar”. Já a Manolo Bakes colocou um croissant em silhueta diante do Sol, criando uma representação literal do eclipse.


Na mesma lógica de utilizar o produto como protagonista, a Olá Gelados apresentou um gelado como resultado de “O alinhamento perfeito”, enquanto a Pizza Hut levou o conceito para uma pizza, aproveitando a forma circular do produto para reproduzir visualmente o fenómeno. O McDonald’s fez o mesmo a partir de um hambúrguer, transformando o produto num pequeno eclipse à escala da marca. O Continente seguiu uma abordagem semelhante com uma bola de Berlim, aproveitando também a forma do produto para recriar visualmente o fenómeno.


A criatividade estendeu-se também às bebidas. Super Bock e Sumol adaptaram os seus produtos à linguagem visual do eclipse, usando as próprias embalagens para criar uma associação imediata ao Sol e à Lua. Já a Repsol encontrou uma ligação mais conceptual, cruzando a proteção necessária para observar o fenómeno com os “Sóis” e “Soletes” que o Guia Repsol atribui à restauração.


A NESCAFÉ Dolce Gusto NEO optou igualmente por uma abordagem contextual, integrando o eclipse no universo criativo do Neoverse, associado à campanha “Provavelmente o Melhor Café da Galáxia”, inspirada no espaço e em extraterrestres.


A Guloso também explorou o verbo “eclipsar”, colocando a tampa de um dos seus produtos diante do Sol e acompanhando a imagem com a frase “Feito para eclipsar qualquer refeição sem graça”. A execução transforma o próprio produto no elemento que “tapa” o Sol, prolongando o conceito do fenómeno para a promessa da marca.


A EDP recorreu igualmente ao jogo de palavras para comunicar uma oferta da EDP Comercial: “Tu, ao saberes que a EDP Comercial tem uma oferta no dia do eclipse: O preço eclipsa-se”. Já a Zurich Portugal levou o conceito para o território dos seguros, com a pergunta “Alguém falou em cobertura total?”, transformando a ideia de cobertura do eclipse num trocadilho com a proteção oferecida pela marca.


A criatividade não ficou, porém, limitada à alimentação e às bebidas. A iServices utilizou um iPhone para reproduzir o eclipse, colocando o produto tecnológico no centro da composição. O ActivoBank recorreu a um terminal Multibanco para transformar um elemento do quotidiano numa representação do fenómeno. Já a Staples encontrou uma ligação particularmente direta ao seu produto: vários clips formam o eclipse, acompanhados pela frase “De (e)clips percebemos nós”. A própria palavra “eclipse” é desmontada para criar um jogo entre “e” e “clips”, tornando o produto parte integrante da ideia.


A Control adotou uma abordagem semelhante e explorou o eclipse através de um trocadilho com a própria observação do Sol - “Podes ver, mas cuidado com os olhos!” -transformando uma recomendação de segurança numa oportunidade de comunicação.


Há ainda marcas que preferiram trabalhar o fenómeno através do humor e de situações do quotidiano. A Oscar brincou com a ideia de “eclipse” através de uma placa de cozinha, criando um pequeno momento de humor a partir de algo familiar. A Aldi partiu do desaparecimento do Sol para criar um teaser: “O eclipse pode esconder o sol, mas há coisas que não ficam escondidas por muito tempo”. Em vez de mostrar diretamente o produto, a marca utiliza o fenómeno para gerar curiosidade.


A Leroy Merlin associou o eclipse à sombra, estabelecendo uma ligação com o mobiliário de exterior. A Continental, por sua vez, encontrou uma associação mais conceptual entre o alinhamento dos astros e o alinhamento dos pneus, transformando uma característica técnica do seu território numa resposta ao acontecimento.


Também IKEA e Perfumes & Companhia aproveitaram as suas contas de Instagram para entrar na conversa, mostrando como o fenómeno se tornou suficientemente transversal para ser explorado por marcas com territórios tão diferentes como decoração, beleza e perfumaria.


O Totoloto também usufruiu da dimensão excecional do fenómeno através das suas próprias bolas, destacando o número 35 e acompanhando a imagem com a frase “Como este, só daqui a 118 anos. Será um sinal?”. A marca transforma, assim, a raridade do eclipse numa extensão natural do seu universo de números e sorte.


Também IKEA e Perfumes & Companhia aproveitaram as suas contas de Instagram para entrar na conversa, mostrando como o fenómeno se tornou suficientemente transversal para ser explorado por marcas com territórios tão diferentes como decoração, beleza e perfumaria.


A Vodafone levou o eclipse para o espaço físico, integrando o fenómeno no arranque do Vodafone Paredes de Coura. Durante o concerto de Salvador Sobral e dos First Breath After Coma, no palco Vodafone, o eclipse foi transmitido em direto nos ecrãs do festival através da rede Vodafone, permitindo ao público acompanhar o fenómeno em pleno recinto. A ativação cruzou assim o acontecimento astronómico com a experiência do festival, juntando música, tecnologia e natureza num dos momentos de arranque da edição de 2026.


Outras marcas recorreram à cultura popular. A Netflix associou o fenómeno ao universo de Twilight, recuperando uma referência reconhecível do seu catálogo para criar uma ligação imediata entre eclipse e entretenimento. A abordagem mostra como o real-time marketing não precisa necessariamente de representar literalmente o fenómeno: pode partir de uma associação cultural que faça sentido para a marca.


Esta lógica de oportunidade também aparece em marcas internacionais, mas com ativações de maior escala. A Iberia, por exemplo, levou literalmente a promessa de “ver o eclipse” para o céu. A companhia operou um voo especial, o IB1473, com uma rota pensada para acompanhar o fenómeno a partir do ar e com transmissão do acontecimento, transformando o próprio serviço da companhia numa forma de assistir ao eclipse.


A Zara Espanha encontrou uma ligação diferente: em vez de transportar o eclipse para uma experiência, transformou-o num objeto de consumo. A marca lançou uma T-shirt de edição limitada dedicada ao fenómeno, com uma ilustração da artista Agustina Shuan que combina Sol, Lua, aves e flores. O eclipse passa, assim, de acontecimento efémero a elemento gráfico que pode ser usado e guardado como recordação.


No território do entretenimento digital, a Twitch aproximou o fenómeno da lógica de transmissão em direto, enquanto a Netflix explorou o seu próprio catálogo e universo cultural para participar na conversa. Já a Vueling encontrou no eclipse uma extensão natural do seu território: viajar. A companhia associou destinos e voos à possibilidade de observar o fenómeno, transformando o acontecimento astronómico num argumento para descobrir novos lugares e viver uma experiência fora do quotidiano.


O que estes exemplos têm em comum é a capacidade de não tratarem o eclipse simplesmente como um tema, mas como uma oportunidade para reinterpretar aquilo que cada marca já representa. Para umas, a resposta está no produto; para outras, no humor, no jogo de palavras, na cultura popular, na viagem, no entretenimento ou numa experiência criada especificamente para o momento.


É precisamente nessa capacidade de encontrar uma ligação entre o acontecimento e aquilo que a marca já representa que está a força destes conteúdos. O eclipse dura apenas alguns minutos, mas oferece às marcas uma oportunidade rara de transformar um acontecimento universal numa ideia imediatamente reconhecível, relevante para o produto e adequada à linguagem das redes sociais.


Do pastel de nata aos clips, passando por gelados, croissants, smartphones, hambúrgueres, pizzas, cerveja, café, mobiliário, beleza e terminais Multibanco, o eclipse acabou por ganhar muitas formas diferentes - quase tantas como as marcas que decidiram aproveitá-lo.

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