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A opinião de Luciana Cani
Desculpe mas eu vou sair de férias
30 de outubro de 2019
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Desculpe mas eu vou sair de férias
Luciana Cani
Executive Creative Director da Saatchi Tokyo

Lá estava eu a tentar abrir a porta do 402, quando a vizinha do apartamento da frente tocou no meu ombro, assustada com a minha presença ali. Mesmo sem entender japonês, ficou claro que eu estava no andar errado. Pedi desculpas e assegurei que morava naquele prédio. Mas a verdade é que já não sabia para onde seguir com a minha mala. Por alguns segundos não consegui lembrar se o meu apartamento era o 302 ou o 502.

Na manhã seguinte, não consegui acertar a senha do meu computador do trabalho.

Sim, essa sou eu depois de apenas 16 dias de férias. Eu realmente sei desconectar.

Mas não foi sempre assim. Por muito tempo associei férias a um sentimento de culpa.

Eu pedia férias como quem pedia desculpas.

Hoje entendo melhor como cada país lida com o tema de forma única, influenciando assim como os profissionais agem.

Aqui no Japão, participei de uma reunião com o RH que pedia para os gestores incentivarem as suas equipas a tirarem pelo menos 5 dias de férias por ano. C i n c o d i a s!

Conversando com a equipa, percebi que para muitos, marcar férias significa o mesmo que assumir-se “desocupado”. Também não gostam de marcar férias com antecedência, para que assim não sejam retirados ou evitados em projetos.

Apesar de culturalmente diferente do Japão, pesquisas mostram que grande parte dos americanos não usufruem de todas as férias que têm direito. É comum tirar alguns curtos períodos de férias. Porém, depois da minha experiência em Chicago, percebi que estar online e acessível o tempo todo é importante para mostrar comprometimento.

No Brasil o comum é tirar todos os dias de férias de uma vez. Distribuir os dias de descanso ao longo do ano não é algo que as empresas encorajam.

O Brasil oferece 30 dias de férias. O que parece muito se comparado com alguns países, mas lá contam-se dias corridos, incluindo os fins de semana.

Existe também a possibilidade de vender um terço do período de férias para a empresa. E muitas pessoas assim o fazem. Sentem-se assim menos culpados de se ausentarem por um período longo e ainda colocam algum dinheiro no bolso.

Na Europa sinto que as pessoas tiram férias um pouco mais livremente. Em Portugal, aprendi que podia distribuir ao longo do ano os meus dias de descanso e que não era vergonha nenhuma ter um curto intervalo entre férias.

Claro que todas essas experiências afetaram como eu vejo o tema. Mas o que foi um processo de aprendizagem para mim, é algo que naturalmente faz parte do pensamento da nova geração de profissionais.

Alguém que está sempre ocupado e que não pode se dar ao luxo de tirar férias foi por muito tempo o comportamento de um profissional de sucesso. Mas certamente esse modelo hoje em dia está mais associado a uma carreira indesejada.

Cada vez menos profissionais vão concordar em trabalhar das 9 às 5 (no melhor dos casos) e ter os dias de férias contados. Trabalho remoto ou “freelance job” serão opções mais atraentes do que carreira e estabilidade.

A nova geração já está a provocar uma grande mudança no mercado de trabalho. Porém, essa mentalidade ainda não se reflete na maioria das empresas, mas acredito que é só uma questão de tempo.

E para aqueles que como eu, vieram da geração da estabilidade e da carreira, deveríamos rever como equilibramos trabalho e lazer. Afinal, a única culpa que deveríamos sentir é a de tirar longas férias da nossa vida pessoal.


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