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A opinião de Luciana Cani
Coronavírus e “work from home”
10 de março de 2020
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Coronavírus e “work from home”
Luciana Cani
Executive Creative Director da Saatchi Tokyo

Logo após as severas críticas feitas pelo modo como o Japão lidou com a questão do Diamond Princess ancorado em águas nipônicas, o governo colocou como prioridade máxima conter a epidemia do vírus. Para isso tomou medidas extremas na semana passada e uma delas foi o fechamento das escolas por 1 mês. Mães que trabalham fora se viram com pouco (ou nenhum) tempo para reorganizar a vida familiar. Isto fez com que as empresas colocassem em prática do dia para a noite o “work from home”.

Para evitar expor mais pessoas a um risco desnecessário de contaminação, grandes empresas como a Shiseido, Mitsubishi e Dentsu pediram para os seus colaboradores trabalharem remotamente.

Mesmo antes de toda essa história do vírus começar, a Toyota estava praticando um rodízio de departamentos a funcionar remotamente. A ideia era testar o desempenho remoto para que durante as Olimpíadas a empresa pudesse ter os seus colaboradores à distância. Este foi um compromisso que algumas grandes empresas assumiram para aliviar os transportes públicos durante os jogos.

Porém agora o trabalho remoto foi iniciado, sem fase de pré- testes e em grandes e complexas empresas que nunca funcionaram assim. Todas as reuniões de trabalho com clientes são por telefone, até mesmo importantes apresentações de angariação de novos negócios.

O interessante é que - mesmo com apenas uma semana de trabalho remoto em prática - tem ficado claro que não há uma disrupção no trabalho e em muitas tarefas, ganha-se tempo, agilidade e concentração. A agência para qual trabalho não aderiu 100% ao trabalho remoto, deixando por opção de cada colaborador vir ou não ao escritório. Noto que muitas pessoas têm se perguntado - porque não é sempre assim?

Há muitas empresas que nascem tendo o trabalho remoto como modo de funcionamento, pois sabem que para ter acesso aos melhores talentos é preciso oferecer flexibilidade. Porém também enfrentam desafios, um deles é a dificuldade de estabelecer uma cultura. Isso é tão importante que empresas que não possuem escritórios físicos, procuram meios de reunir de tempos em tempos os colaboradores que trabalham remotamente. O elemento humano, o tal do “cara a cara” não pode ser completamente desconsiderado.

Empresas que não nasceram com a prática do trabalho remoto a partida, têm a vantagem de já ter construído uma cultura e uma a base onde o relacionamento interpessoal é predominante. Isso é um grande facilitador para que numa situação de trabalho à distância, a colaboração continue sem grandes ameaças.

Mesmo tendo trabalhado a vida toda na regra das 9 às 5, tenho experiência em situações onde o “cara a cara” fez uma grande diferença.

Quando trabalhava em Lisboa, lembro-me do meu diretor criativo global enviar email para uns 6 ou 7 diretores criativos ao redor do mundo pedindo para colaborarmos num mesmo projeto. Era um inferno. Os escritórios não se ajudavam, competiam entre si e ninguém realmente se comunicava. Porém, após algumas reuniões globais, muitos daqueles nomes na minha caixa de email viraram pessoas conhecidas. Tínhamos passado por experiências juntos, como apresentar trabalhos dos nossos escritórios para julgamento alheio até divertidos jantares em diferentes países. Pronto! Todo o processo a partir dali mudou. Nos falávamos por telefone, mensagens, email e a colaboração ia para além da obrigação. O verdadeiro networking começou a existir quando as pessoas se conheceram pessoalmente.

Aqui em Tóquio, tive 2 projetos globais que começaram com parceiros em outras partes do mundo. Profissionais com que tive um contato intenso em reuniões por telefone e skype e que só após 3 ou 4 meses fui encontrar pessoalmente. Quando este grupo de pessoas se conheceram e passaram um tempo juntas, tudo mudou. O processo (intenso e estressante) que continuou por telefone após o encontro tinha outro tom, mais leve, mais humano, mais amigável.

Tenho certeza que esta epidemia irá mudar muitos comportamentos. No que diz respeito ao mundo do trabalho, talvez venha provar que o “work from home” pode sim ser uma real opção, mesmo naquelas empresas que nunca irão se tornar 100% flexíveis. E talvez, estas sejam aquelas que melhor farão um balanço entre o uso da tecnologia e a preservação de uma cultura forte e humanizada.

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