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Microcervejeiras
Brinda Marvila
31 de janeiro de 2018
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Brinda Marvila
Fernando Paula
Coordenador Editorial Digital

Licenciado em Comunicação Social, trabalhou em órgãos de comunicação social em 3 continentes com a televisão como principal foco. Empreendedores, inovação e startups são palavras a que recorre diariamente. Música, imagens, amizades e jornalismo fazem parte do dia a dia.

Num bairro até há pouco esquecido florescem negócios até há pouco desconhecidos dos portugueses. Nunca se brindou tanto em Marvila.

Estou na Phosphoreira, nas antigas instalações da Companhia Portuguesa de Fósforos. Sigo as indicações, chego a uma rua cheia de armazéns e ao portão verde com bastante vidro.

Sem campainha ou o nome da empresa, bato à porta. À porta do armazém, espaçoso, com dois andares sou recebido por António Carriço.

A última vez que estivemos juntos ele trabalhava na Vodafone. Agora mudou-se para Marvila. Usava fato, hoje está vestido de forma mais casual. Era diretor de marca de uma gigante de telecomunicações, agora afirma-se “Criador de Linces”.

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“Isto começou de forma fortuita. Falei com um amigo meu que fazia cerveja. Explicou-me como fazia, disse que era fácil e eu comecei a fazer cerveja na garagem. Isto foi há três anos e o Pedro juntou-se a mim. Começámos rigorosamente na garagem da minha casa” explica António.

Sentamo-nos no open space com os tanques onde a cerveja fermenta em fundo. Pedro Vieira junta-se a nós, como se juntou a António Carriço para lançarem a marca de cerveja artesanal Lince.

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“Nós costumamos dizer na brincadeira que isto é uma garage startup.


Em primeiro lugar nós fazemos cervejas que gostamos de beber e que, em segundo lugar, as outras pessoas gostem de beber.


Não vamos atrás de cervejas esquisitas e muito esotéricas".

“Houve uma dimensão diferente que foi manipular as coisas manualmente. Estávamos habituados a estar sentados a uma secretária o dia inteiro, em reuniões, a trabalhar com o computador e passámos para uma dimensão mais manual onde moemos malte, pegamos nas coisas, aquecemos água, misturamos ingredientes e isso é muito engraçado” explica Pedro Vieira que trabalhou também ele na Vodafone na área comercial.

A brincadeira tornou-se séria e a produção caseira deu lugar a um negócio. “Nós montámos este espaço em 2015 e em 2016 começámos a produzir cerveja e estamos aqui a vender cerveja desde novembro de 2016”, acrescenta António.


“O mercado está blindado, digamos assim”. Quem o diz é Pedro Vieira. E explica que é difícil conseguir colocar as cervejas Lince em pontos de venda como bares e restaurantes uma vez que eles têm exclusividade com os grandes players do mercado. Por isso, a estratégia é encontrar sempre novos espaços que estão a abrir portas. Um dos próximos pode ser o da própria Lince, uma vez que está nos planos de António e Pedro abrir um espaço próprio em 2018.

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O objetivo de António e Pedro é já uma realidade para Susana Cascais, a cofundadora da Dois Corvos, um bar, fábrica e marca de cerveja artesanal a poucos metros de distância da Lince.

Veio com o marido para Portugal em 2012, vinda dos Estados Unidos. Em Lisboa tinham acesso a pouco mais do que uma imperial e a cultura de cerveja artesanal conquistada na América foi o mote para se aventurarem num negócio próprio.

“A Dois Corvos é fundada e gerida por cervejeiros e por isso o drive está nas nossas mãos. Fazemos as cervejas que gostamos de fazer, como as queremos fazer. O controlo é absoluto” explica-me Susana, sentados numa das mesas do bar. Lá atrás vários homens limpam, arrumam e organizam os tanques para a próxima ronda de produção.

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A decisão de vir para Marvila foi fácil. “Muitos Lisboetas não sabem ainda onde fica Marvila e este investimento foi um tiro no escuro, mas não imaginávamos que o bairro ia conquistar este hype. Foi um salto para o desconhecido, mas o espaço tinha uma patine mágica e não hesitámos”.

O negócio hoje permite-lhes ter uma capacidade de produção de cerca de 25 mil litros por mês, mas varia, afinal, o consumo de cerveja sofre sempre de alguma sazonalidade. Uma situação que também afeta a Musa, a última microcervejeira que visito na zona de Marvila.


O bar é recente, bem como os donos, jovens, viajados, com visão internacional. O Bruno Carrilho recebe-me ao som de jazz. Tal como nas outras microcervejeiras, a fábrica fica ao fundo, à vista dos clientes. O bar, a meia luz e a fábrica abriram em meados de 2017 mas querem revolucionar toda a vida do bairro.

Aliaram-se à Lince e à Dois Corvos e deram origem ao Lisbon Beer District. “Foi engraçado e uma coincidência termos três produtores de cerveja tão juntos, e pensámos que era algo bom de mais para não ser aproveitado. Decidimos juntar forças e pensar o que queríamos que isto fosse” explica Bruno Carrilho.

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No Lisbon Beer District já se celebrou o Oktober Festa e no arranque de 2018, cantaram-se as janeiras no evento Ouro, Incenso e Birra.

Bruno reforça que “o que está a acontecer na cerveja artesanal não é moda, é o principio de um processo em que pessoas vão deixar de falar de cerveja industrial e artesanal e vão falar apenas de cerveja. E tal como no vinho, também haverá uma grande oferta nos diferentes tipos de cerveja”.

O caminho faz-se através do passa a palavra, de educar o público, um a um. O meu périplo pelas cervejeiras artesanais de Marvila chega ao fim mas há sempre motivos para voltar. Até porque, todos eles fizeram questão de reforçar, os Santos Populares este ano celebram-se em Marvila e o Lisbon Beer District está já a preparar o evento que vai marcar o bairro no mês de junho.

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