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A opinião de Pedro Matias
“Ask not what your Planet can do for you. Ask what you can do for your Planet…”
23 de setembro de 2019
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“Ask not what your Planet can do for you. Ask what you can do for your Planet…”

“There is no Planet B”. Esta é uma frase corrente nos dias de hoje, mas, de facto, embora igual a tantas outras buzzwords que povoam os tempos modernos não deixa de ser interessante refletir sobre a mesma e sobre aquilo que está por detrás de uma verdade tão simples.

O facto que mais assusta é que efetivamente não há Planeta B. Pelo menos por agora e seguramente nos próximos 100 anos. Ou seja, o Planeta Terra é o único conhecido para nele vivermos.

Assim, esta frase – que surge da famosa adaptação do “there is no Plan B” – pode, de facto, tornar-se assustadora. Mas mais do que assustadora deve levar-nos a refletir seriamente sobre que destino queremos para o Planeta Terra.

As Alterações Climáticas estão na ordem do dia e a recente capa da Revista TIME com o Secretário-Geral das Nações Unidas vestido de fato e com água pelos joelhos, ficará certamente na história como uma das imagens que mais antecipa o futuro (ou o não futuro….) do nosso Planeta.

John Kennedy disse em 1961 “ask not what your country can do for you. Ask what you can do for your country”.

Hoje, talvez Kennedy dissesse antes: “ask not what your Planet can do for you. Ask what you can do for your Planet”.

E o ponto é mesmo este. O que é que nós, cada um de nós individualmente, pode fazer ou está a fazer por um Mundo mais sustentável?

Grande parte das pessoas preocupa-se com esta questão e muitos tomam medidas diárias para que algo mude e evolua. Mas por muito boa vontade que tenhamos a má notícia é que isso não é suficiente. Não vai chegar mesmo. É muito importante que continuemos a dar o nosso contributo pessoal, mas perante um problema tão vasto e profundo são precisas medidas de fundo. Medidas de Política e que cabem às Nações e aos Governos pois só assim poderão existir ações estratégicas que combatam este flagelo.

O problema está que os Estados Unidos e as suas lideranças vivem os tempos que vivem. A Europa, ou melhor o espaço da União Europeia, não tem uma orientação e unidade de pensamento que permita liderar um processo tão robusto quanto é necessário para este tema. A China segue o seu caminho e tem alguma dificuldade de inverter tendências de longo prazo em prol de tendências e realidade de mais curto prazo que estão à vista de todos. A América Latina não se entende e o seu poder económico está coartado. O Japão deixou há muito de ser a “gazela” que foi nos anos 80.

O que nos resta então? Talvez o poder para fazer algo diferente tenha de emanar das Nações Unidas e dai o relevante papel que tem tido o seu Secretário-Geral. A questão é que também as Nações Unidas são “um produto” dos Estados e das Nações e por isso refletem o que estas querem…

Claro que um “Homem”, uma “Mulher”, uma “Criança” podem sempre fazer a diferença. A História já nos ensinou isso no passado. Mas para um desiderato tão profundo como as alterações climáticas precisamos de uma vaga de fundo.

As Nações Unidas precisam de ser nos dias de hoje o detonador da implementação de reais políticas de desenvolvimento sustentável. O papel que tiveram no Século passado, de paz e de apaziguamento das Nações, deve hoje ser reconvertido para um papel de liderança e de atenção para os grandes problemas do Planeta, a fome, a desertificação, as alterações climáticas, os migrantes...

A questão das soluções para o Ambiente e para o Desenvolvimento Sustentável são a nova “Bomba Atómica” que devemos desenvolver. Assim como vários países investiram milhões de dólares no desenvolvimento de armamento pesado e no poderio nuclear, devem hoje apostar no desenvolvimento tecnológico que permita termos um Mundo melhor e uma economia e sociedade mais amiga do ambiente.

De nada servirá um dia termos colocado o Homem na Lua, ou até em Marte, se um dia não houver Planeta Terra...

No próximo ano terá lugar em Portugal um acontecimento da maior importância e que já despertou a atenção dos media e da imprensa internacional: o PLANETIERS – World Gathering. São iniciativas destas lideradas por jovens que ainda nos deixam alguma esperança que possamos eventualmente ir a tempo de inverter a tendência vertiginosa com que nos aproximamos do abismo.

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