As marcas podem mudar. Os valores que as sustentam é que não

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A opinião de Sónia Lage Lourenço
As marcas podem mudar. Os valores que as sustentam é que não
10 de Agosto de 2026
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As marcas podem mudar. Os valores que as sustentam é que não
Sónia Lage Lourenço
CEO e co-Founder do Portal da Queixa by Consumers Trust
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Há publicações que rapidamente deixam de ser apenas conteúdo para se tornarem um reflexo da sociedade. Foi isso que aconteceu com a recente partilha da Georgina sobre o seu corpo, que gerou milhares de reações e foi amplamente disseminada nas redes sociais. Mais do que um testemunho pessoal, a publicação trouxe para o centro da conversa temas como a vulnerabilidade, a aceitação, a autenticidade e a pressão constante para corresponder às expectativas dos outros.


E é precisamente aqui que as marcas podem retirar uma das maiores lições dos últimos tempos. Embora à primeira vista possa parecer um assunto distante do seu universo, a verdade é que há um ponto em comum fundamental: a confiança.


Porque também elas vivem sob uma pressão constante para acompanhar tendências, reinventar produtos, encontrar novos públicos ou adaptar a sua comunicação. Em tempos de permanente transformação, mudar faz parte do caminho. E a verdade é que o problema nunca foi mudar. O problema é (quase sempre) esquecer quem somos.

Uma marca pode alterar a sua estratégia, reposicionar-se, lançar novos serviços ou até falar uma linguagem diferente. E pode, eventualmente, receber críticas por isso por parte dos seus clientes. Mas há algo que não pode ficar refém das tendências: os seus valores.


É isso que distingue uma marca memorável de uma marca apenas conhecida. Os consumidores aceitam a mudança. O que não aceitam é a incoerência.

Estou certa de que a confiança não nasce de uma campanha publicitária bem conseguida. Nem de um slogan inspirador. Constrói-se, sim, através da experiência repetida. Cada contacto com o cliente, cada resposta dada, cada problema resolvido e cada momento em que a marca escolhe colocar as pessoas antes do lucro reforçam ou destrói, esse capital invisível.


É por isso que algumas marcas conseguem atravessar crises sem perder a ligação aos seus clientes, enquanto outras desaparecem à primeira dificuldade.

A lealdade a uma marca raramente resulta apenas da qualidade do seu produto. Os consumidores tornam-se verdadeiramente leais quando sentem que a marca está presente quando é preciso. Quando resolve um problema em vez de procurar uma desculpa. Quando assume um erro. Quando escuta. Quando demonstra, na prática, que a relação com o cliente vale mais do que uma venda.


A publicação da Giorgina teve impacto porque mostrou precisamente uma realidade sem filtros. Não procurou corresponder a uma expectativa, escolheu ser genuína. Também as marcas não precisam de procurar a perfeição. Precisam ser fiéis ao que dizem ser.

Hoje, mais do que nunca, os consumidores valorizam uma posição coerente no mercado, que mantém a sua palavra e que demonstra, através de ações, que a confiança não é apenas um atributo da comunicação, é um compromisso. 


Chegados até aqui, ainda há algo que continua impossível de replicar: a relação construída ao longo do tempo. Essa conquista-se. Com coerência, presença e apoio.


E com a capacidade de nunca esquecer que a confiança dos consumidores não é um dado adquirido. É uma escolha que se renova todos os dias.


No fim, as pessoas podem até não se lembrar da última campanha de uma marca. Mas lembram-se sempre de como essa marca esteve presente quando mais precisaram dela.


E é nessa memória que se constrói a reputação.


É por isso que a lealdade à marca raramente resulta apenas da qualidade do produto.


Os consumidores tornam-se verdadeiramente leais quando sentem que a marca está presente quando é preciso. Quando resolve um problema em vez de procurar uma desculpa. Quando assume um erro. Quando escuta. Quando demonstra, na prática, que a relação com o cliente vale mais do que uma venda.

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