“A tecnologia ainda envolve muitas questões”: IKEA não utiliza IA no design dos seus produtos

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“A tecnologia ainda envolve muitas questões”: IKEA não utiliza IA no design dos seus produtos
28 de Outubro de 2026
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Johan Ejdemo, responsável pelo design da IKEA desde 2022, defende que a circularidade, a eficiência na utilização de materiais e a criatividade continuam a orientar o desenvolvimento de produtos da marca.


A IKEA continua a apostar no design como forma de conciliar qualidade, conforto e preços acessíveis, procurando otimizar os materiais utilizados nos produtos sem comprometer a experiência dos consumidores. 


Em entrevista à Fast Company Brasil, Johan Ejdemo, Head of Design da empresa, destaca a circularidade como uma das principais mudanças na forma como a marca desenvolve os seus produtos.


Com quase 30 anos de experiência na IKEA, o designer sueco lidera, desde 2022, uma equipa de cerca de 20 designers na Suécia, em colaboração com profissionais independentes de vários países. Em conjunto, as equipas trabalham no desenvolvimento dos cerca de 1.500 a 2.000 produtos que a empresa lança anualmente, num processo que, em alguns casos, pode prolongar-se durante mais de uma década.


Circularidade e eficiência na utilização de materiais


Segundo Johan Ejdemo, a circularidade passou a ser considerada ao longo de toda a cadeia de valor, influenciando a forma como os produtos são concebidos e desenvolvidos.


Esta abordagem é particularmente relevante em categorias como sofás, colchões e outros artigos de grandes dimensões, nos quais o consumo de materiais e os custos de transporte representam desafios adicionais. 


O responsável explica que a IKEA procura reduzir a utilização de matérias-primas sem prejudicar o conforto. “Conseguimos reduzir o uso de espuma e, ainda assim, alcançar um conforto superior ao de quando esses produtos dependiam muito dela”, afirma à Fast Company Brasil.


A otimização estende-se também ao mobiliário. Como exemplo, Ejdemo refere os roupeiros com painéis de partículas de madeira cuja densidade varia consoante as necessidades estruturais de cada zona. Desta forma, a empresa procura utilizar mais material onde é necessário e reduzir o seu uso nas áreas em que não acrescenta valor ao produto.


A estratégia está ligada ao conceito de design democrático da IKEA, que procura combinar qualidade, produção em escala e preços acessíveis.


Porque é que a IKEA ainda não utiliza IA no design?


Apesar da crescente utilização da inteligência artificial em diferentes áreas criativas, a IKEA ainda não recorre à tecnologia para conceber os seus produtos, explica Johan Ejdemo.

“Não usamos IA no design. A tecnologia ainda envolve muitas questões. Todos precisamos seguir regras sobre as ferramentas que usamos, e elas têm de ser aprovadas”, afirma o responsável.


O designer aponta também questões jurídicas relacionadas com a utilização de inteligência artificial no processo criativo, nomeadamente no que diz respeito à possibilidade de reivindicar direitos sobre um design desenvolvido com recurso a estas ferramentas.


A tecnologia pode, contudo, ter utilidade noutras fases do trabalho. Ejdemo admite que a IA pode ajudar a criar simulações visuais preliminares para materiais de comunicação, permitindo explorar ideias antes de avançar para a produção final. Nesse contexto, a ferramenta funciona como apoio à visualização, e não como instrumento para desenvolver o produto.


Criatividade também passa por experimentar


Outro dos desafios identificados pelo responsável é manter a criatividade ativa em equipas com profissionais experientes. Para contrariar a tendência de descartar ideias demasiado cedo, a IKEA integra estagiários nas equipas de design, criando oportunidades para explorar perspetivas diferentes e testar novas abordagens.


“Quando alguém trabalha com design há cerca de 20 anos, começa a descartar as próprias ideias cedo demais, porque já sabe demais”, observa Ejdemo.


O responsável resume que incentivar a experimentação exige mais do que pedir aos designers que assumam riscos: implica integrar essa abertura na cultura da equipa e reconhecer que cada profissional tem um processo criativo diferente.

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