A IA não está a acabar com o trabalho. Está a mudar a forma como é desenhado. As conclusões são da Adecco para a próxima década

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A IA não está a acabar com o trabalho. Está a mudar a forma como é desenhado. As conclusões são da Adecco para a próxima década
2 de Setembro de 2026
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Marco Silva
Coordenador Editorial Digital
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O debate sobre a inteligência artificial no mundo laboral continua a dividir opiniões, mas os dados mais recentes indicam que o futuro não passa pela substituição em massa dos trabalhadores, mas sim pela redefinição das suas funções.

 

Segundo o estudo internacional On the threshold: AI, the future of work and the rise of hybrid labor markets, publicado pelo Adecco Group em parceria com a consultora Altermind, a verdadeira oportunidade das empresas reside na criação de forças de trabalho híbridas, onde a tecnologia amplifica o talento humano.

 

Três anos e meio após a massificação de ferramentas como o ChatGPT, o mercado não mostra sinais de colapso. Nos 38 países da OCDE, a taxa de emprego fixa-se nos 72,1%, perto de máximos históricos, tendo sido criados cerca de 1,3 milhões de postos de trabalho associados à IA entre 2023 e 2025. O documento sublinha ainda que menos de 10% das empresas adotaram até agora a tecnologia em escala, confirmando que a transição está ainda numa fase embrionária.

 

O estudo traça quatro caminhos possíveis para os próximos dez anos, ponderando a autonomia da IA e a concentração de capital. As perspetivas variam entre a Flourishing Economy, um ecossistema de elevada produtividade com manutenção do emprego, e o cenário Deus Ex Machina, caracterizado por automação extrema e forte concentração de poder, que a análise classifica como o menos provável.

 

Para o contexto português, marcado por uma escassez estrutural de talento e pelo envelhecimento da população ativa, a automação de tarefas repetitivas surge como uma alavanca para aumentar a produtividade. Ao libertar os profissionais de rotinas operacionais, ganham relevância as competências exclusivamente humanas, como o pensamento crítico, a criatividade, a inteligência emocional e a capacidade de colaboração.

 

O relatório conclui que a gestão estratégica de talento deixará de se focar no mero preenchimento de vagas, passando a priorizar a integração inteligente entre a capacidade humana e as ferramentas digitais.

 

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