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A talk “Thriving in the Intelligent Economy” trouxe ao palco do The Branding & Business Summit Adrian Clamp, Global Head Digital Transformation da KPMG, que deixou uma mensagem clara: a Inteligência Artificial não é apenas uma tendência tecnológica, mas uma mudança estrutural comparável a uma nova revolução industrial.
“É uma fantástica altura para Portugal e para os negócios portugueses”, afirmou, sublinhando que o atual momento representa uma oportunidade única para países mais ágeis e conectados.
IA como tecnologia fundacional
Ao longo da intervenção, Adrian Clamp insistiu que a IA deve ser entendida como uma tecnologia de base, com impacto transversal na economia. “A IA não é o ChatGPT. É fundacional. É uma tecnologia de propósito geral”, explicou, defendendo que o seu efeito será sentido em múltiplas dimensões — das empresas às cidades.
Nesse contexto, sublinhou o papel dos dados como um dos principais ativos das organizações. Num cenário em que se geram “petabytes de dados”, destacou o potencial de utilizar essa informação para treinar modelos próprios de Inteligência Artificial. “Podemos treinar modelos com os nossos próprios dados”, afirmou, referindo exemplos internacionais de empresas e países que já recorrem a grandes bases de conhecimento, como bibliotecas nacionais, para desenvolver soluções de IA.
“Todos nós nesta sala geramos dados: desde sistemas de trânsito até interações digitais em cidades como Lisboa. Tudo isso pode alimentar inteligência artificial”, acrescentou.
Uma nova economia impulsionada pela IA
Adrian Clamp alertou também para a emergência de uma nova lógica económica, em que o custo marginal da Inteligência Artificial estará diretamente ligado à energia. “A IA tem fome de energia, mas queremos energia sustentável”, afirmou, antecipando desafios ambientais relevantes.
Comparando o momento atual com o início da internet e o boom “.com”, sublinhou que a tecnologia ainda está numa fase inicial. “O ChatGPT existe há poucos anos, mas os agentes de IA só recentemente começaram a ser verdadeiramente úteis”, referiu.
Ainda assim, destacou o potencial transformador destes agentes autónomos, capazes de executar tarefas complexas e redefinir processos em áreas como saúde, clima, indústria farmacêutica ou infraestruturas. “Vai ser como uma nova revolução industrial”, afirmou.
Transformação do trabalho e das organizações
Na sua perspetiva, o impacto da IA será também profundamente organizacional. “A IA vai mudar a forma como trabalhamos”, afirmou, rejeitando a ideia de substituição direta de empregos. “Não achamos que vai tirar empregos, mas ajudar”, explicou.
“Vamos redesenhar o trabalho — ligar clientes a planos de negócio de forma mais inteligente”, acrescentou, antecipando mudanças na forma como as empresas estruturam processos e decisões.
A dimensão humana foi destacada como central neste processo. “Pessoas e confiança: temos de elevar o potencial humano”, afirmou. “Não é aceitável que a tecnologia substitua o humano — temos de elevar o potencial humano”, reforçou.
Talento, educação e ética
Adrian Clamp alertou ainda para desafios estruturais, nomeadamente ao nível da formação. Segundo o especialista, muitas empresas enfrentam dificuldades em encontrar talento qualificado. “Os sistemas de educação não vão mudar assim tão rápido, por isso têm de ser as empresas a ajudar nessa construção”, defendeu.
A ética surgiu como outro eixo crítico da transformação. “É perigoso se esta tecnologia cair nas mãos erradas”, alertou, destacando o papel da regulação europeia, mas deixando uma questão em aberto: “Será que Portugal pode liderar na ética?”
Na sua visão, este pode tornar-se um diferencial competitivo relevante. “A ética é o espaço que ninguém está a explorar nesta corrida”, afirmou.
Uma oportunidade para Portugal
Ao longo da intervenção, o responsável da KPMG reforçou a ideia de que Portugal tem condições únicas para se posicionar neste novo ciclo tecnológico. A conectividade, a escala e a capacidade de experimentação foram apontadas como vantagens competitivas.
“Temos de ser mais imaginativos”, afirmou, deixando um apelo direto à ação.
“Um país do tamanho de Portugal, a Califórnia da Europa. Temos tudo aqui — falta ambição”, concluiu.
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