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Tempos houve em que o marketing funcionava quase como uma conversa unilateral. As marcas subiam ao palco, revelavam os seus benefícios através de orçamentos de media generosos e o consumidor, do outro lado, aceitava a mensagem. Mas esse tempo, não só passou, como parece hoje uma relíquia de um museu da publicidade.
Vivemos atualmente na era do escrutínio. O consumidor moderno é um verdadeiro detetive, cuja principal ferramenta é o smartphone. Não quer apenas saber se um produto é bom, pretende verificar também quem, além da própria marca, valida essa premissa. É aqui que muitas empresas caem no que se pode chamar de “purgatório dos media”. Embora sejam inquestionavelmente competentes, com bons produtos para apresentar, sofrem de uma invisibilidade de confiança.
O maior obstáculo raramente é o orçamento ou o timing. É o medo. O medo de submeter a operação, o serviço e o produto a uma metodologia rigorosa que dá voz direta a quem realmente importa, ou seja, o cliente.
O reconhecimento da confiança não deve ser visto como um ato de vaidade para alimentar o ego do marketing. É, acima de tudo, um instrumento de gestão estratégica. Um verdadeiro teste de stress. Quando uma marca se dispõe a ser avaliada, está a comunicar ao mercado que não teme a verdade. E, curiosamente, é precisamente essa transparência que o consumidor mais valoriza.
Num mundo onde somos bombardeados por milhares de estímulos diários, o cérebro humano tornou-se especialista em encontrar atalhos. Não há tempo para analisar tudo ao detalhe, comparar especificações ou ler todas as condições. Procuramos sinais claros de validação.
Todos estes processos funcionam como esse “atalho de confiança”. Condensam percursos muito exigentes, no que concerne à avaliação, satisfação e rigor, com o intuito de alcançar um reconhecimento simples e imediato. É, muitas vezes, a diferença entre a hesitação e a decisão, entre a dúvida e a escolha segura.
Às marcas que ainda hesitam, fica uma reflexão. Num mundo feito de estímulos constantes, a excelência silenciosa é um desperdício de potencial. Num mercado altamente competitivo, ser “bom” é apenas o ponto de partida. Para liderar, é necessário ser reconhecido como tal.
É um facto que o reconhecimento de clientes, parceiros e stakeholders não cria qualidade. Mas identifica-a, valida-a e amplifica-a. Nesse sentido, o primeiro passo tem de partir de dentro, da decisão de sair da zona de conforto e aceitar o desafio de ser avaliado de forma objetiva.
No final do dia, a verdadeira questão não é o investimento necessário para obter esse atestado, mas sim o custo diário de não possuir um atributo de confiança que diferencie uma marca da concorrência.
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